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Publicada em 17/06/2013 às 00h00.

A comida está sem gosto? Entenda as causas dos distúrbios do olfato e do paladar

A otorrinolaringologista Dra. Clarice Saba explica como ocorre esse distúrbio, suas causas, diagnóstico e tratamento.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Paladar é o sentido que nos faz sentir o gosto. E o olfato, o cheiro. Seus receptores são excitados por estimulantes químicos. Os receptores gustativos são excitados por substâncias químicas existentes nos alimentos, enquanto que, os olfativos, por substâncias químicas do ar. Esses sentidos trabalham conjuntamente na percepção dos sabores. O centro do olfato e do paladar no cérebro combina a informação sensorial da língua e do nariz.

A mucosa olfatória também tem grande responsabilidade sobre o paladar. As papilas gustatórias da língua são responsáveis para identificar as quatro sensações gustativas tradicionais, como o doce, salgado, azedo, amargo. Quando tapamos o nariz, comemos e bebemos, não conseguimos sentir nem o gosto nem o cheiro da comida. Quando a pessoa tem uma perda olfativa, ela tem uma perda do paladar muito acentuada. Paladar envolve o olfato e papilas gustatórias.

Como os distúrbios do olfato e do paladar raramente constituem uma ameaça à vida, eles podem não receber a atenção médica devida. Entretanto, esses distúrbios podem chegar a ser frustrantes uma vez que afetam a capacidade do indivíduo de desfrutar de comidas, bebidas e aromas agradáveis. Além disso, eles interferem na capacidade do indivíduo em perceber a presença de substâncias químicas e gases potencialmente perigosos, o que pode acarretar graves consequências. De qualquer maneira, um distúrbio que compromete o olfato e o paladar pode ser grave. O olfato e o paladar estão intimamente relacionados. As papilas gustativas da língua identificam o sabor e os nervos do nariz identificam o odor.

As duas sensações são comunicadas ao cérebro, que combina as informações para identificar e apreciar os sabores. Embora alguns sabores (p.ex., salgado, amargo, doce e ácido) possam ser identificados sem o olfato, os sabores mais complexos (p.ex., de framboesa) exigem tanto o paladar quanto o olfato. A perda ou a redução do olfato (anosmia) é o distúrbio mais comum do olfato e do paladar. Como a diferenciação entre dois sabores depende em grande parte do olfato, os indivíduos frequentemente percebem a sua redução quando os alimentos parecem não ter sabor. O olfato pode ser afetado por alterações do nariz, dos nervos que conectam o nariz ao cérebro ou do cérebro. Por exemplo, se as fossas nasais forem obstruídas por causa de um resfriado comum, o olfato pode ser diminuído simplesmente porque os odores não conseguem chegar aos receptores do olfato.

"A gripe pode dar uma perda olfativa por condução ou por lesão nas células receptoras da mucosa olfatória. A perda condutiva é causada por uma rinite alérgica ou um desvio de septo, por exemplo". 

Então, há várias causas de alteração do paladar e do olfato, assim como há diferentes níveis de perda. Elas podem ser perdas de condução e perdas sensoriais. A gripe pode dar uma perda olfativa por condução ou por lesão nas células receptoras da mucosa olfatória. A perda condutiva é causada por uma rinite alérgica ou um desvio de septo, por exemplo. A perda sensorial é a perda em que há lesão dos neurônios que estão na mucosa olfatória dentro da cavidade do nariz. O vírus do resfriado ou da gripe pode destruir o neurônio olfatório, e ele pode ou não se regenerar. Se a pessoa teve uma lesão do neurônio olfatório e esse neurônio não se regenerou, ela pode manter essa perda olfativa por anos ou nem recuperar. O resfriado lesa as papilas gustatórias, fazendo com que o paciente possa perder a gustação. 

Fumar pode alterar a percepção olfativa, pois o cigarro tem substâncias químicas que podem levar à destruição do “neurônio olfatório”. Medicamentos podem também causar a perda olfativa e do paladar, como alguns anti-hipertensivos. Normalmente após a interrupção do uso, a função retorna ao normal.

O paladar pode ser alterado por gripe, resfriado, rinossinusite, infecções respiratórias, traumatismo cranioencefálico e causas indeterminadas. Alguns traumatismos podem levar à perda olfativa, como a lesão do córtex olfatório. Neste caso, é imediato. Após o trauma, a pessoa já refere que perdeu o olfato. Não é gradativo. No caso das doenças respiratórias, pode haver perda olfativa transitória por causa do nariz obstruído. Se ocorrer lesão do neurônio olfatório, a perda pode persistir. Contato com produtos químicos pode levar à perda também. Inseticidas, pesticidas, níquel, cádmio, cigarro, podem lesar a mucosa olfatória de forma reversível ou irreversível.

 

Quem tem perda do paladar pode ter consequente perda do olfato. Gustação é a sensação gustativa do doce, salgado, amargo, azedo...Gosto + aroma = sabor.  Paladar, gosto, sabor, todos envolvem o olfato. Se uma pessoa só tem perda da mucosa olfatória, ela não tem alteração na gustação, consegue perceber o doce, salgado, azedo, amargo. Mas o gosto das comidas sofre forte ajuda da mucosa olfatória. Se ela tiver uma perda olfatória, a capacidade gustativa fica bastante prejudicada. 

A alteração de paladar e olfato pode ocorrer em qualquer idade. Os idosos têm propensão a uma maior perda olfativa após uma infecção, por exemplo, porque a mucosa olfatória se degenera com o passar dos anos. O paciente de 70 anos tem, teoricamente, muito menos mucosa olfatória funcionante do que o indivíduo de 20. Se contrair um resfriado e o vírus comprometer essa mucosa olfatória funcionante, ele pode ter perda olfativa maior do que o indivíduo jovem. 

A redução ou a perda do paladar (ageusia) é normalmente causada por condições que afetam a língua. São exemplos a boca muito seca, o tabagismo intenso (especialmente fumar cachimbo), a radioterapia da cabeça e do pescoço e os efeitos colaterais de drogas como a vincristina (um medicamento anticâncer) ou a amitriptilina (um antidepressivo). A distorção do paladar (disgeusia) pode ser consequência dos mesmos fatores que acarretam a perda do paladar. As queimaduras da língua podem destruir temporariamente as papilas gustativas, e a paralisia de Bell (uma paralisia unilateral do rosto causada pela disfunção do nervo facial) pode ocasionar a perda do paladar em um lado da língua. A disgeusia também pode ser um sintoma de depressão.

Diagnóstico

Os médicos podem testar o olfato utilizando óleos aromáticos, sabonetes e alimentos (p.ex., café ou alho). O paladar pode ser testado com o uso de substâncias doces (açúcar), ácidas (suco de limão), salgadas (sal) e amargas (aspirina, quinina, aloé). O médico ou o dentista realiza um exame da cavidade bucal em busca de infecção ou ressecamento (salivação escassa). A realização de uma tomografia computadorizada (TC) ou de uma ressonância magnética (RM) do cérebro raramente é necessária.

Tratamento

Dependendo da causa do distúrbio do paladar, o médico recomendará a troca ou a suspensão do medicamento suspeito, Foi afirmado que os complementos de zinco, refluxo gastroesofágico, faríngeo, doenças de glândulas salivares, dentes em mau estado, arcada dentária com problemas, cáries e infecções de gengiva podem levar à alteração da gustação. Se tratados, o paladar melhora. 

Alguns fármacos podem alterar a produção de saliva, causado por boca seca e aumentando a ocorrência de cáries, estomatite ou glossite, como é o caso dos antidepressivos tricíclicos que provocam um paladar metálico ou amargo. Outros fármacos podem ser secretados na saliva, causando paladar amargo como é o caso de antibióticos como a claritromicina, outros antibióticos como a tetraciclina podem resultar em crescimento excessivo de fungos provocando, por exemplo, a candidíase. Antineoplásicos causam estomatite, glossite e esofagite. Estes efeitos são consequências normais do uso dos medicamentos em questão e que passam em geral logo que o uso for suspenso.

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