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Publicada em 07/05/2020 às 16h39. Atualizada em 07/05/2020 às 16h58

A importância da fisioterapia na condução dos processos respiratórios dos pacientes da COVID-19

Entenda como funciona e qual a importância da atuação do fisioterapeuta durante e após a infecção pelo novo coronavírus.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A pandemia do novo coronavírus (COVID-19) transformou drasticamente a organização de instituições de saúde pública e privada. A necessidade de assistência à saúde a um número cada vez maior de pacientes forçou os hospitais a aumentarem seu volume de leitos, especialmente os de terapia intensiva, para atender as formas mais graves da doença.

Indiscutivelmente uma equipe multidisciplinar funciona metaforicamente como uma orquestra no cuidado aos pacientes, onde se faz necessário que cada um, com seu instrumento bem afinado, esteja altamente sincronizado com o outro, a fim de produzir uma melodia harmônica. E é justamente por isso que o fisioterapeuta, assim como médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e demais profissionais que atuam nesse cenário, merece seu devido destaque!

No contexto atual, vale lembrar que a COVID-19 leva, essencialmente, a um comprometimento respiratório, com diferentes níveis de complexidade, necessitando, na sua apresentação mais grave, do uso de respiradores artificiais. E, embora não seja nosso domínio específico, mas sim uma parte do processo, na maioria das UTIs brasileiras quem faz a programação e os devidos ajustes deste aparelho é o fisioterapeuta intensivista.

"No contexto atual, vale lembrar que a COVID-19 leva, essencialmente, a um comprometimento respiratório, com diferentes níveis de complexidade, necessitando, na sua apresentação mais grave, do uso de respiradores artificiais."

Inclusive, é de suma importância de que esse profissional, que está na linha de frente, seja um especialista na área para conduzir o tratamento da forma mais assertiva possível. Não é exagero mencionar que uma ventilação mecânica mal conduzida, como qualquer outro tratamento, pode trazer graves prejuízos, inclusive levando à morte do paciente, por exemplo.

Mas a atuação do fisioterapeuta nesta pandemia não se resume à condução da ventilação mecânica. Produzimos algo muito mais importante do que ajustar respiradores artificiais! No âmbito hospitalar, a assistência fisioterapêutica é iniciada no momento da admissão do paciente, independente do estágio da doença. Esse profissional atua no manejo da oxigenioterapia como sinalizador de resposta ao nosso atendimento; ajustes posturais; exercícios respiratórios individualizados, de acordo com o nível de comprometimento pulmonar e condições cardiorrespiratórias de cada um; e, num momento oportuno, define programas de reabilitação motora para que esses pacientes, que têm a mobilidade limitada dentro do hospital, não apresentem tanto declínio da sua funcionalidade após a alta.

É importante ressaltar que nenhuma das nossas condutas é realizada de forma massificada. Existe todo um critério de avaliação para posterior execução das técnicas escolhidas, porque se respeitam as características e limitações individuais de cada paciente. Isso se traduz na extrema necessidade da presença contínua desses profissionais nas unidades de alta complexidade, o que não é realidade em muitas UTIs no Brasil. A inexistência ou número insuficiente de fisioterapeutas nas unidades hospitalares pode acarretar sérios problemas à assistência.

Indiscutivelmente hoje há muito mais preocupação com a fase crítica da doença. Entretanto, o isolamento, que é uma condição necessária e eficaz para reduzir a propagação da COVID-19, representa uma limitação grave ao movimento dos pacientes, o que aumenta a possibilidade de deterioração musculoesquelética. Não se deve esquecer de que o desuso da musculatura, associado aos efeitos colaterais dos medicamentos utilizados para o tratamento desse vírus, podem trazer consequências desastrosas aos sobreviventes, impedindo-os de realizar tanto atividades básicas quanto instrumentais de vida quando deixam o hospital. Daí a extrema necessidade da continuidade dessa reabilitação fisioterapêutica após a alta da unidade hospitalar.

"...o isolamento, que é uma condição necessária e eficaz para reduzir a propagação da COVID-19, representa uma limitação grave ao movimento dos pacientes, o que aumenta a possibilidade de deterioração musculoesquelética."

Não é errôneo mencionar que a FISIOTERAPIA FAZ DIFERENÇA, SIM no enfrentamento desta pandemia. Para isso, requer expertise, conhecimento técnico-científico e muito treinamento para se proteger e tratar adequadamente todas a fases dessa doença tão temida, que chegou atrelada a tantos desafios para nossa sociedade.

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