podcast do isaúde brasil

Publicada em 01/06/2020 às 10h29. Atualizada em 01/07/2020 às 11h13

A psicoterapia remota em tempos de isolamento social

Com o advento da pandemia do coronavírus, novas formas de psicoterapia emergem em meio à quarentena.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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"...o vírus transpõe fronteiras e nos deixa inseguros, mesmo diante do isolamento."

No mês de março do presente ano, o isolamento social e outras medidas de prevenção e combate ao COVID-19 interferiram na nossa saúde mental e nos impuseram uma nova realidade. Por determinação das autoridades, todos estão sendo mantidos em regime domiciliar cada vez mais severo. Segundo Butler (2020), o vírus transpõe fronteiras e nos deixa inseguros, mesmo diante do isolamento. Han (2020) diz que o vírus nos isola, nos individualiza e que não gera um sentimento coletivo forte, como estamos romanticamente escutando e lendo nas mídias e nas redes sociais. Para ele, cada um tenta, individualmente, cuidar da sua sobrevivência e dos mais próximos. Independentemente de qual seja a sua percepção, otimista ou pessimista, acerca do ser humano, tudo isso nos afeta de forma intensa e sem prazo fixo para acabar, desencadeando reações de medo e de ansiedade. 

O afastamento social trouxe desafios em termos de trabalho para o psicólogo, devido ao distanciamento dos clientes em consultórios e em outros ambientes de atuação desse profissional. A terapia on-line/remota, modalidade na qual um psicólogo realiza “sessões virtuais”, consultas, aconselhamento, orientação e demais serviços psicológicos por meio da internet utilizando plataformas, como Skype ou WhatsApp, por exemplo, ficou em evidência e tornou possível a manutenção desses profissionais da saúde mental no mercado de trabalho, além de ter proporcionado a ampliação da sua atuação.

A pandemia do coronavírus atingiu a população repentinamente, e a categoria profissional dos psicólogos se adaptou e se reinventou para continuar amparando os antigos clientes e outras demandas emergentes provenientes do atual período. Em conversa com profissionais da área, muitos alegam estar trabalhando ainda mais que antes da pandemia e que a grande solicitação de serviço fica por invadir os momentos de lazer. Seria essa uma oportunidade para pensar numa maneira moderna de fazer psicologia?

Durante atendimentos, pude observar relatos de sensação de desorientação temporal, de eclosão de antigos traumas, de intensificação das desordens familiares, angústia na solidão, sentimento de luto. O sentimento de luto, de antecipação de tragédia, está presente e ameaçando a existência humana. Acompanhar as notícias dos países mais afetados é estarrecedor, e as pessoas se apavoram diante do medo de perder alguém. Quem é que não tem uma pessoa querida no grupo de risco (idoso ou com doença crônica)? E os relatos de pessoas que agravam sem estar nos grupos de risco? O que temos ao nosso alcance para dar uma sensação mínima de controle é o isolamento social e as medidas de proteção (máscaras, lavar mãos, álcool).

"...o que funciona como segurança para o corpo neste momento, o isolamento, pode não causar o mesmo efeito benéfico para a mente."

Concluímos, assim, que o que funciona como segurança para o corpo neste momento, o isolamento, pode não causar o mesmo efeito benéfico para a mente. Prejuízos psíquicos podem ocorrer quando a mente não é estimulada e, para que não haja impactos emocionais, traumas e outros transtornos psicológicos, a escuta especializada de um profissional da psicologia que esteja aberto à mudanças e disposto a fazer ajustes em seu setting de atendimentos para a modalidade remota, pode ser um enorme diferencial. Resiliência é a palavra de ordem para nós, psicólogos.

O atendimento virtual pode ocorrer em tempo real, como em conversas por videoconferência, por áudio ou por escrito, reproduzindo o atendimento presencial em consultório e proporcionando um acolhimento da demanda da forma que mais se aproxime do contato tradicional. Além disso, o meio virtual, mesmo em épocas normais, pode facilitar a interação com o profissional quando o cliente estiver impossibilitado de se deslocar por motivo de enfermidade, mudança de cidade, ou qualquer outra limitação de ordem física/mental/doméstica. 

Para algumas pessoas, essa configuração reflete vantagens, como a flexibilidade de horário, menores custos devido a não utilização de combustível, dentre outros gastos, e o conforto de poder interagir com seu psicólogo sem sair de casa. Já outras pessoas poderão ter dificuldade em aderir a essa modalidade de atendimento justamente por não se sentirem confortáveis em encontrar um espaço em casa para realizar o acompanhamento psicológico, sem ser atravessado pelas demandas domésticas de várias ordens. O momento, no entanto, exige flexibilidade emocional e capacidade para os reajustes necessários. Aqueles que conseguirem flexibilizar mais, provavelmente, terão um menor sofrimento com as mudanças.

Conversar com um psicólogo on-line pode ser uma decisão muito válida no auxílio às pessoas que querem aprender mais sobre estratégias de enfrentamento da pandemia e sobre como ter melhor saúde mental. Os desafios ensinam e fortalecem. Cuide da sua saúde psíquica e do seu equilíbrio emocional para conservar a saúde do seu sistema imunológico. 

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