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Publicada em 04/06/2020 às 19h59. Atualizada em 06/06/2020 às 08h33

Como é feito o diagnóstico laboratorial da Covid-19?

O diagnóstico preciso e precoce do novo coronavírus permite melhor controle da propagação do vírus.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A medicina laboratorial desempenha um papel essencial no diagnóstico e gerenciamento de muitas patologias humanas. O diagnóstico preciso e precoce do novo coronavírus (SARS-CoV-2) permite melhor controle da propagação do vírus. A reação em cadeia da polimerase (PCR) é considerada padrão ouro para detecção do SARS-CoV-2, apresentando boa sensibilidade, especificidade e eficácia quando bem indicada e quando a coleta do material é bem realizada e armazenada. Amostras coletadas logo no início ou tardiamente ao processo de infecção podem corroborar com resultados falsos negativos. Estudos têm mostrado que amostras para PCR deveriam ser obtidas entre o terceiro e o sétimo dia a partir do início dos sintomas, já que são observadas altas cargas virais no trato respiratório superior. Além da detecção do material genético do vírus, também pode ser adotada a detecção do antígeno viral (quinto a oitavo dia) por meio de imunoensaios, que, geralmente, são testes mais rápidos e baratos, porém com menor sensibilidade, podendo ser adotados para ampla triagem da população, em casos mais leves, e para triagem de sintomas gripais, reservando o PCR para casos mais específicos.

Tipos de amostra:  

Trato respiratório superior: swab nasofaríngeo e swab orofaríngeo. As coletas dessas duas regiões podem ser associadas para aumentar a quantidade do material celular, porém uma coleta bem realizada da região da nasofaringe é suficiente, além de ser mais tolerada pelo paciente e mais segura para o operador. Por volta do décimo dia de infecção, as cargas virais no trato respiratório superior diminuem e aumentam em vias aéreas mais distais. Sendo assim, nesse período, as amostras   da região da nasofaringe e orofaringe diminuem a sensibilidade da PCR. É preciso cautela na avaliação de PCR negativo em pacientes com sintomas sugestivos, para altas hospitalares e de isolamento.

Trato respiratório inferior:

- Escarro: pode ser indicado na segunda semana em pacientes não entubados, porém há dificuldade na coleta devido à presença de tosse seca e diluição com saliva que podem reduzir a sensibilidade da amostra.

- Lavado broncoalveolar: realizado em casos mais graves e específicos, devido aos riscos de contaminação da equipe dos profissionais de saúde. 

Com o decorrer da infecção e produção de anticorpos, os testes que detectam diretamente o vírus vão perdendo a sua sensibilidade. Atualmente, alguns estudos recomendam a associação da sorologia (IgM)  para o diagnóstico  em casos de pacientes com sintomas sugestivos e com resultado da PCR negativo, porém a empregabilidade da sorologia é melhor indicada a partir do sétimo dia, com maior confiabilidade no décimo dia para IgM, e décimo quarto dia para IgG. Nesse caso, o exame é realizado por meio de testes rápidos ou pelo método ELISA, a partir de uma amostra de sangue. Contudo, devido à inespecificidade das respostas de IgM e ao tempo necessário para o desenvolvimento de respostas mais específicas (IgG), é provável que a detecção de sorologia não tenha um papel no gerenciamento ativo de casos, exceto para diagnosticar / confirmar casos tardios de COVID-19, determinar a imunidade de profissionais de saúde e status imunológico de pacientes assintomáticos. 

Alguns estudos mostram que, em casos tardios e graves pode ser utilizada amostras de fezes para a detecção do vírus. Entretanto, é preciso estudos com amostras maiores e melhor delineamento para maior elucidação.

A compreensão da dinâmica do vírus possibilita que os exames laboratoriais sejam melhor indicados e interpretados, potencializando diagnósticos mais assertivos e reduzindo resultados de testes falso-positivos ou falso-negativos, que podem comprometer a saúde do paciente,  prejudicar a eficácia de políticas públicas de saúde, planos de emergência e medidas restritivas estabelecidas pelas autoridades nacionais e internacionais para o controle do surto.

Referências:

Lippi, G., Simundic, A.-M., & Plebani, M. (2020). Potential preanalytical and analytical vulnerabilities in the laboratory diagnosis of coronavirus disease 2019 (COVID-19). Clinical Chemistry and Laboratory Medicine (CCLM), 0(0). doi:10.1515/cclm-2020-0285.

Li Guo.et al. Profiling Early Humoral Response to Diagnose Novel Coronavirus Disease (COVID-19) https://academic.oup.com/cid/advance-article-abstract/doi/10.1093/cid/ciaa310/5810754 by guest on 12 April 2020.

Cellular immune responses to severe acute respiratory syndrome coronavirus infection in senescent BALB/c Mice:CD4+ T cells are important in control of SARD-CoV infection. 

Jun Chen. Chronological evolution of IgM, IgA, IgG and neutralization antibodies after infection with SARD-Associated coronavirus. P.R Hsueh

Tang, Y.-W., Schmitz, J. E., Persing, D. H., & Stratton, C. W. (2020). The Laboratory Diagnosis of COVID-19 Infection: Current Issues and Challenges. Journal of Clinical Microbiology. doi:10.1128/jcm.00512-20 

Lippi, G., Simundic, A.-M., & Plebani, M. (2020). Potential preanalytical and analytical vulnerabilities in the laboratory diagnosis of coronavirus disease 2019 (COVID-19). Clinical Chemistry and Laboratory Medicine (CCLM), 0(0). doi:10.1515/cclm-2020-0285 

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