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Publicada em 16/07/2020 às 10h42. Atualizada em 16/07/2020 às 13h34

Cuidar da imunidade é essencial em tempos de pandemia

Médica infectologista Nanci Silva, professora da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, fala sobre a necessidade de reforçar o sistema imunológico diante do coronavírus.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Se já é importante estar atento à imunidade do corpo em condições normais, esse cuidado torna-se fundamental durante a pandemia de coronavírus. Alguns fatores são essenciais para que a imunidade esteja intacta e competente. Podemos destacar as prática regulares de exercícios físicos; uma alimentação saudável, rica em fibras, frutas, verduras e leguminosas; boa qualidade de sono; evitar alcoolismo, tabagismo e consumo de outras drogas; realizar um controle eficaz de comorbidades como hipertensão arterial e diabetes mellitus (principalmente pelo uso das medicações prescritas), além de consultar o médico regularmente.

Trata-se de um processo gradual e constante e sobre o qual não há práticas milagrosas. É importante ressaltar ainda a escassez de evidências científicas convincentes sobre o uso de ozonioterapia e polivitamínico. Além disso e não menos importante, para o indivíduo ter uma mente saudável é valioso construir uma rede de amigos. Cuide de sua mente, tenha bom humor.

Para quem faz parte do grupo de risco para Covid-19, a recomendação é manter as medidas de isolamento social e a higiene com maior rigor, principalmente por conta do risco de doença com maior gravidade. Por isso, é preciso realizar as medidas preventivas rigorosamente, como higienizar as mãos com frequência com água e sabão ou álcool em gel 70%; evitar tocar em olhos, boca e nariz; evitar abraços, beijos e apertos de mãos; manter uma distância mínima de pelo menos 1 metro; usar lenços descartáveis ao tossir e/ou espirrar ou cobrir com a dobra do braço; evitar aglomerações. Na presença de qualquer sintoma, é muito importante manter contato com o médico para avaliação.

Os pacientes imunodeprimidos devem manter as medidas preventivas de orientações gerais sobre higiene e distanciamento social já mencionadas. Além disso, também é importante buscar avaliação médica cuidadosa e seguir as orientações recomendadas por profissional de saúde.

"Os pacientes imunodeprimidos devem manter as medidas preventivas de orientações gerais sobre higiene e distanciamento social já mencionadas."

Cuidar da imunidade é fundamental porque ainda não existe medicação que tenha consenso no meio científico sobre o coronavírus. São necessários mais estudos para haver uma droga com evidência científica estatisticamente importante que comprove benefícios em redução de mortalidade e/ou gravidade da doença. Vale destacar que estamos em pandemia na medida em que não temos ainda uma vacina efetiva. Não há nenhuma droga ou medicamento efetivo contra o coronavírus, e temos no isolamento social a medida preventiva mais eficiente atualmente, com o objetivo de evitar o aumento fulminante do número de casos e o colapso do sistema de saúde público

A imunidade é um fator de extrema importância para os indivíduos, visto que a grande maioria dos casos em pacientes imunocompetentes resume-se a sintomas mais brandos, ou mesmo pacientes assintomáticos. Além disso, alguns estudos já demonstraram que uma imunidade baixa pode se constituir em um fator de risco para uma doença mais grave. Todavia, ainda não se sabe o real efeito da imunidade da doença, já que ela não é um fator determinante, seja para um quadro mais grave seja para sintomatologia branda.

Em relação aos pacientes que já entraram em contato com o coronavírus, de acordo com os estudos mais atuais, a maioria dos casos tende a evoluir para a cura e, apesar de ainda não haver uma comprovação científica consensual, com o conhecimento técnico obtido no presente momento, os pacientes infectados que evoluem para cura tendem a ter imunidade, pelo menos de curto prazo. Porém, é digno de nota a necessidade de mais estudos. Vale apontar ainda que até o momento não há documentação científica a respeito de reinfecção por Sars-Cov-2.

A deficiência do sistema imune é sempre comprovada por um profissional de saúde. Porém, apesar da necessidade de avaliação complementar, o indivíduo pode suspeitar de uma imunidade baixa pela recorrência de infecções, muitas vezes com necessidade de internamento hospitalar para tratamento. Obviamente, uma imunossupressão deve seguir com uma investigação médica laboriosa. Importante destacar que a desnutrição e a deficiência alimentar, o uso de drogas e medicamentos, a baixa qualidade de sono entre outros diversos fatores podem influenciar na qualidade e competência do sistema imune.

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