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Publicada em 21/07/2020 às 14h42. Atualizada em 22/07/2020 às 16h46

É possível acelerar uma recuperação pós-operatória?

Conheça algumas técnicas atuais que promovem melhor regeneração tecidual e atuam sobre a dor inflamatória.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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"...um fator que todos os procedimentos cirúrgicos possuem em comum é a necessidade de um reparo tecidual pós-operatório..."

Procedimentos cirúrgicos possuem aspectos amplamente variados que dependem da técnica empregada, sítio de operação, profissional e condição fisiológica do paciente. Entretanto, um fator que todos os procedimentos cirúrgicos possuem em comum é a necessidade de um reparo tecidual pós-operatório. Tal processo demanda tempo e gera desconforto considerável ao paciente devido ao processo inflamatório e suas manifestações, dentre as mais perceptíveis, o edema e a hiperalgesia (aumento da sensibilidade à dor). Atualmente, procedimentos cirúrgicos contam com técnicas que auxiliam no processo de reparo tecidual, dentre tais, encontram-se a laserterapia de baixa potência a ozonioterapia e o uso de membranas autógenas de fibrinas ricas em plaquetas e leucócitos (L-PRF). 

Laserterapia de Baixa Potência

Sua primeira aparição em estudos ocorreu no ano de 1971 por  Endre Mester, o qual verificou o efeito fotobiomodulador do laser em ratos. Trata-se de uma terapia que possibilita ao organismo uma melhor resposta infamatória, proporcionando com isso a redução do edema e da sintomatologia dolorosa promovida pelo processo inflamatório. Por tais características benéficas, o laser de baixa potência é amplamente empregado não somente em procedimentos cirúrgicos para acelerar o reparo tecidual, mas também em diversos processos inflamatórios e dolorosos, a exemplo de aftas, úlceras traumáticas, mucosites, dores articulares (ATM), dentre outros. Segundo algumas descrições científicas, esses laseres não estimulam termicamente os tecidos, mas sim, quando aplicado em doses e condições adequadas, a terapia pode atuar estimulando o aumento da produção de células de defesa, além de modular a resposta inflamatória. O aparelho apresenta-se em dois comprimentos de onda, que correspondem a luz vermelha e infravermelha, o que amplia a capacidade terapêutica. O laser de luz vermelha é usado em tratamentos de tecidos mais superficiais, enquanto que a luz infravermelha atua sobre tecidos mais profundos. Desta maneira, o laser age positivamente no reparo tecidual tanto em procedimentos cirúrgicos bucais superficiais, quanto em cirurgiais de tecidos mais profundos.

Na prática odontológica, o laser pode ser empregado em diversos procedimentos, à saber: alveolites, bioestimulação óssea, quadros de sintomatologia dolorosa, disfunções temporomandibulares, redução de edema, lesões não neoplásicas intra e extra orais, além de acelerar o reparo em extrações e diversos outros procedimentos cirúrgicos. 

A dada técnica teve início a partir dos estudos de Choukroun, em 2006, a qual consiste na coleta de um material sanguíneo do próprio paciente, que passa por um processo de centrifugação onde ocorre a separação das células do sangue, isto é; hemácias, leucócitos e plaquetas. Por meio desta técnica, o profissional pode então fazer uso das células plaquetárias e leucocitárias no sítio cirúrgico em questão, com o objetivo de promover aos tecidos lesionados, uma maior quantidade de células que atuam no reparo tecidual, acelerando assim este processo. Seu uso é amplamente empregado em diversos procedimentos odontológicos, que variam desde o preenchimento alveolar pós-extrações até elevações de seios maxilares.

Ozonioterapia

Para muitos o uso do ozônio medicinal é algo novo, entretanto, durante a Primeira Guerra Mundial foi aplicado em soldados feridos. A terapia tem por base o uso de um gás composto por três átomos de oxigênio, com ação analgésica, anti-inflamatória e antimicrobiana, além de auxiliar no processo de reparo tecidual. Sua aplicação pode ser feita na forma gasosa ou incorporada a água e óleos. 

Na prática odontológica teve sua primeira aparição no ano de 1930 através do Dr. E.A. Fisch. Na odontologia possui ampla indicação, que abrange desde a antissepssia do paciente até tratamentos periodontais e cirúrgicos. Sua ação reparadora merece destaque, pois estudos evidenciam sua eficácia no aceleramento do reparo tecidual em cavidade oral. Seu uso raramente traz consigo complicações ou efeitos colaterais, todavia, vale destacar que o professional precisa ser devidamente habilitado para poder aplicar essa técnica.

Cabe ao cirurgião dentista fazer a escolha da técnica mais adequada, levando em consideração alguns fatores como: disponibilidade dos equipamentos e materiais necessários para realização das intervenções. A associação de técnicas também já é uma realidade na prática odontológica, no entanto, a literatura ainda carece de dados sobre tal associação e seus reais benefícios ao paciente. Desta maneira, novos estudos precisam ser realizados com o objetivo de promover um melhor quadro pós-operatório aos pacientes expostos à procedimentos invasivos, além de reforçar a importância dos profissionais se aprofundarem nos conhecimentos e protocolos que pretendem empregar em seus procedimentos, dado ao fato de que o sucesso do tratamento está intimamente relacionado com sua correta realização.

Referências:

1. Rorigues G, Fabris V, Mallmann F, Rech CA, de Carvalho RV, Ruschel GH. Fibrinas ricas em plaquetas, uma alternativa para regeneração tecidual: revisão de literatura. J Oral Invest 2015; 4(2):57-62.

2. Andrade FSSD, Clark RMO, Ferreira ML. Effects of low-level laser therapy on wound healing. Rev Col Bras Cir 2014; 41(2):129-133. 

3. Ross G, Ross A. Photobiomodulation: An Invaluable Tool for All Dental Specialties. J Laser Dent 2009;17(3):117-124.

4. Hamblin MR, Demidova TN. Mechanisms of Low Level Light Therapy. Proc SPIE 2006; 6140:1-12.

5. Nuelen Larissa Silvestre da Silva, Victor Paranaíba Almeida Drummond. Ozônioterapia na odontologia: revisão de literatura. Universidade de Uberaba. dspace.uniube.br/jspui/handle/123456789/987

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