podcast do isaúde brasil

Publicada em 21/11/2014 às 00h00. Atualizada em 21/11/2014 às 11h14

Nova Lei do Silêncio gera polêmica!

Será que devemos nos preocupar com os novos índices de tolerância aos decibéis estabelecidos pela legislação atual?

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
Compartilhe

Baiano gosta de festa, dança e, principalmente, música. Entre os principais atrativos da capital baiana, estão as festas populares. Durante o carnaval, shows, lavagens e São João, a tolerância aos níveis de decibéis aumentou. Mas será que essa superexposição à música alta pode trazer danos para a nossa saúde? Confira a entrevista com a otorrinolaringologista Dra. Clarice Saba e fique atento às dicas de como se prevenir daquele zumbido insuportável que trazemos conosco depois de um dia de trio elétrico.

 

iSaúde Bahia -  Acaba de entrar em vigor em Salvador a nova Lei do Silêncio que estabelece novos limites de decibéis em determinadas áreas da cidade e em períodos de festa como carnaval e São João, aumentando o nível sonoro máximo de 60 decibéis (dB) para 85 dB - das 22h às 7h - e de 70 dB para 110 dB - das 7h às 22h. Além das zonas autorizadas, a norma aceita os 110 dB em toda a cidade 25 dias antes e 10 depois do carnaval e, também, nos 15 dias que antecedem o São João e nos dez dias posteriores. Qual o limite saudável de decibéis e como ele foi estabelecido?

Dra. Clarice Saba - Calculando o limite de som permitido para manter sua “SAÚDE AUDITIVA”:  considera-se um volume de 85 decibéis suportável por até oito horas consecutivas. Para cada cinco decibéis além disso, o limite cai pela metade. Explico, para um barulho de 90 decibéis, o limite seguro é de quatro horas de exposição contínua. Um barulho de 95 decibéis só pode ser ouvido por duas horas, 100 decibéis por uma hora e, assim, sucessivamente.

 

iSB - Quais os principais problemas que a exposição aos novos limites pode gerar para a saúde de um indivíduo adulto? E para as crianças?

Dra. Clarice Saba – Ruído, além de lesar a audição e causar irritabilidade, a depender do tempo e intensidade da exposição, pode agravar problemas como ansiedade, depressão, hipertensão, diabetes. Pesquisa americana revela que 31% de crianças de 5 a 12 anos de idade sofrem de zumbido, que é considerado o primeiro sinal de PERIGO, em relação à exposição sonora x perda auditiva.

iSB -  Como participar da festa sem prejudicar a saúde dos ouvidos? 

Dra. Clarice Saba - Na teoria, uma medida inteligente seria usar protetor de ouvido, o que já é uma realidade em alguns países europeus. Outra medida seria “descansar” os ouvidos respeitando o tempo de exposição, de acordo com a intensidade. Vide  “tabela”.

iSB -  Caso surjam problemas após um período de exposição - a exemplo de dores de ouvido ou zumbido - como o indivíduo deve proceder?

Dra. Clarice Saba - Se houver dor, procurar um médico otorrinolaringologista, o mais rápido possível. Se o sintoma for o zumbido e persistir por 24 horas, deve-se, também, buscar a consulta, o mais breve possível, pois, quanto mais precoce se diagnosticar a perda auditiva e iniciar o tratamento, melhor será o resultado. LEMBRAR que o ZUMBIDO é sinal de sofrimento da cóclea (o “computador do ouvido”).

iSB -  Após a exposição contínua a um som muito alto é comum surgir o zumbido? Ele pode tornar-se permanente por conta dessa exposição?

Dra. Clarice Saba - Sim, a depender da extensão dessa lesão ao ouvido.

iSB -  Por que podemos ter tonturas após uma exposição contínua a altos níveis de decibéis?

Dra. Clarice Saba - Porque a cóclea (“computador do ouvido”) e labirinto (também responsável pelo equilíbrio) ficam na orelha interna e podem ser afetados de maneira similar.

Compartilhe
Serviços Gratuitos
  • Ambulatório Docente-Assistencial da Bahiana - ADAB
    Tel.: (71) 3276 8200
    Av. D. João VI, 275, Brotas, Salvador, Bahia, CEP. 40.290-000
  • Centro de Otorrinolaringologia - Otoneuro
    Hospital Universitário Prof. Edgard Santos - HUPES
    Tel.: (71) 3283-8376
    Rua Augusto Viana S/N, Canela, Salvador, Bahia, Cep. 40.110-060