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Publicada em 16/04/2020 às 17h41. Atualizada em 23/04/2020 às 06h59

O que você sabe sobre o vírus varicela-zoster?

Entenda como ele atua e sua relação com doenças conhecidas a exemplo da catapora e da varicela.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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O vírus varicela-zoster (VZV) é um agente causador de infecções altamente contagiosas: a varicela e o herpes zoster.  A infecção primária, também conhecida como catapora, tem prevalência na infância. Contudo esse vírus possui um período de permanência oculta nos neurônios dos gânglios da raiz dorsal, podendo ser reativado e desenvolver o herpes zoster, devido à fragilidade imunológica, tratamento com drogas citotóxicas, radiação, presença de neoplasia maligna, senilidade e abuso do álcool.

Os primeiros sintomas da varicela são: o mal-estar, a faringite e a rinite. Em seguida, ocorre a presença do característico e intenso exantema pruriginoso (erupções cutâneas que causam prurido); com o surgimento de vesículas, pústulas, crostas e lesões escoriadas. As primeiras aparições ocorrem em região de tronco e pescoço, que se estendem às extremidades e continuam a surgir entre quatro a sete dias, podendo ser acometidas por infecções bacterianas secundárias. 

O grau de envolvimento cutâneo é variável, sendo frequentemente mais grave em adultos ou em indivíduos infectados secundariamente pelo paciente inicial da mesma casa.

As manifestações bucais são comuns e podem surgir antes das lesões na pele. A borda do vermelhão do lábio, o palato e a mucosa jugal são áreas predispostas para o aparecimento dessas vesículas branco-opacas, ocasionalmente indolores. 

A reativação do vírus pode ocasionar o herpes zoster, o conhecido “cobreiro”, sendo frequente em adultos. O zoster se manifesta como uma erupção cutânea ou na mucosa de forma dolorosa e vesicular na distribuição de um ou alguns derma?tomos, herpes zoster. A erupção cutânea é unilateral, portanto, não cruza a linha média. 

O tronco é significantemente afetado, assim como o nervo trigêmeo, podendo produzir lesões na boca e no olho, gerando perda de visão, cicatrizes e dor contínua. Uma complicação comum do herpes zoster é uma síndrome de dor persistente na região afetada (neuralgia pós-herpética). Além disso, o vírus pode causar artrite granulomatosa, ocasionando infartos teciduais. Nos pacientes imunossuprimidos, pode ocorrer encefalite aguda por herpes zoster.

As lesões na cavidade oral associadas ao herpes zoster têm envolvimento da região do maxilar e/ou mandíbulas do quinto par craniano. Os danos estendem-se até a linha média e ocorrem juntamente com as lesões da pele do lado afetado. Apresentam-se como vesículas (bolhas) branco-opacas com 1 a 4mm e são capazes de formar ulcerações de pequena profundidade. 

Transmissão

A transmissão do vírus ocorre por meio da inalação das micropartículas do VZV presentes nas gotículas de saliva que são lançadas no ambiente, onde se aerossolizam e ficam suspensas no ar. Ademais, o contato direto com as vesículas e bolhas da pele e da cavidade bucal é fonte de transmissão dos vírus. 

Prevenção

A vacina tetravalente produzida a partir do vírus VZV atenuado e da combinação com os vírus do sarampo, da caxumba e da rubéola encontra-se presente no calendário de vacinação brasileiro desde 2013. Uma única dose é indicada aos 15 meses e, para crianças neonatas, aos 12 meses de vida. Apesar disso, pacientes vacinados podem se contagiar com o vírus e apresentar a infecção de forma branda. Portanto, o inestimável valor da vacinação é determinante para a promoção da profilaxia e atenuação da atividade viral associada ao vírus varicela-zoster. Contudo, é necessário o acompanhamento da caderneta de vacinação pelos pais no período da infância dos seus filhos.

Anteriormente ao desenvolvimento dos medicamentos antivirais atuais, o tratamento para o zóster era direcionado para medidas de suporte e objetivavam a diminuição dos sintomas. Atualmente, o tratamento é conduzido com antivirais e analgésicos, devendo ser iniciado em até 72 horas após o aparecimento da primeira vesícula, com o objetivo de reduzir a duração e intensidade da dor. A febre deve ser tratada com antipiréticos que não possuam aspirina. As lesões cutâneas devem ser mantidas secas e limpas, com a finalidade de prevenir infecções secundárias.

Na maioria dos casos, a doença tem um período limitado, e a terapia com analgésicos é eficaz. O tratamento inicial com medicações antivirais adequadas tem acelerado o processo de cicatrização das lesões cutâneas e mucosas, reduzindo a severidade da dor aguda e da neuralgia pós-herpética. Esses agentes inibem a polimerização e interrompem a síntese e replicação do DNA viral, tendo apenas um efeito mínimo no DNA celular do hospedeiro. Os agentes antivirais mais comumente utilizados no tratamento das infecções orais causadas pelo VZV são o aciclovir, valaciclovir, fanciclovir e penciclovir.

As formulações antivirais mais recentes, fanciclovir e valaciclovir, podem ser mais eficazes do que aciclovir, devido a sua maior biodisponibilidade, quando ingeridos por via oral. No entanto, como a eficácia do aciclovir é semelhante à desses medicamentos, ele é o agente antiviral mais frequentemente prescrito, por ser substancialmente mais barato.

Para aliviar a sintomatologia causada pelo vírus envolvendo a cavidade bucal, medidas não específicas e de suporte são adotadas, como a utilização de enxaguatórios bucais antimicrobianos (clorexidina, por exemplo), dieta pastosa e a ingestão adequada de líquidos. Creme de aciclovir 5% ou creme de penciclovir 1%, quando aplicado topicamente, se possível oito vezes ao dia, reduz a morbidade e promove a recessão das lesões.

Referências:

MOTA, A.M.; CARVALHO-COSTA F.A. Varicella zoster virus related deaths and hospitalizations before the introduction of universal vaccination with the tetraviral vaccine. J Pediatr, Rio J, v.92, p.361-366, Out, 2016.

LOBO, I.M.; et al. Vírus varicela zoster. Moreira Jr Editora: RBM Revista Brasileira de Medicina. Sergipe, v.72, n.6, p.231-238, Jun. 2014.

KENNEDY, P.G.E.; GERSHON, A.A. Clinical Features of Varicella-Zoster Virus Infection. Viruses, v. 10, n.609, p.1-11, Nov. 2018. 

NEVILLE, B.W.; et al. Infecções Virais. In: NEVILLE, B.W.; et al. Patologia Oral e Maxilofacial. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. p. 241-255.

SUGAYA, N.N. Lesões Ulcerativas e Vesicobolhosas. In: TOMASSI, M.H.M. Diagnóstico em Patologia Bucal. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.

FROSH, M.P. Sistema Nervoso Central. In: KUMAR, V.; et al. Robbins-Patologia Básica. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. p. 828.

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