podcast do isaúde brasil

Publicada em 24/06/2020 às 00h00. Atualizada em 24/06/2020 às 06h39

Onde há fumaça, há fogo: os perigos do período junino para a sua saúde

O São João chegando e você precisa ficar atento às doenças respiratórias desencadeadas pela exposição à fumaça, aprenda a se prevenir!

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Discutir os perigos do período junino imediatamente nos remete aos inúmeros relatos que conhecemos acerca dos acidentes com fogueiras e fogos de artifícios, resultando, muitos deles, em consequências desastrosas, como explosões e queimaduras, muitas vezes mutilantes e até fatais. Mas não podemos esquecer de outro aspecto importantíssimo: a exposição das nossas vias aéreas à fumaça representa um perigo real, tanto para as pessoas que já apresentam algum tipo de doença pulmonar como para as pessoas saudáveis. 

A fumaça liberada por qualquer tipo de fogo (florestal, fogos de artifício, pneus, resíduos ou queima de madeira) é uma mistura de partículas e de produtos químicos produzidos pela combustão incompleta de materiais contendo carbono. A fumaça contém quantidades variáveis de monóxido de carbono, dióxido de carbono e material particulado (PM, na sigla em inglês), podendo ainda conter muitas outras substâncias químicas, incluindo aldeídos, gases ácidos, dióxido de enxofre, óxidos de nitrogênio, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs), benzeno, tolueno, estireno, metais e dioxinas. O tipo e a quantidade de partículas e produtos químicos presentes varia dependendo do que está em combustão, o quanto  há de oxigênio disponível e da temperatura do processo.

Inalar fumaça por um curto período de tempo pode causar efeitos imediatos (agudos). A fumaça é irritante para os olhos, nariz e garganta e seu odor pode ser nauseante. Estudos têm mostrado que algumas pessoas expostas à fumaça intensa podem apresentar  alterações temporárias na função pulmonar, o que torna a respiração mais difícil, especialmente em portadores de distúrbios pulmonares prévios. Dois dos principais agentes da fumaça  que podem causar efeitos na saúde são o gás monóxido de carbono e o material particulado (especialmente as chamadas PM 2,5, as quais medem menos de 2,5 microns – o que as torna altamente inaláveis – e individualmente são demasiadamente pequenas para serem vistas a olho nu).

Inalar o monóxido de carbono diminui o suprimento de oxigênio do corpo. Isso pode causar dores de cabeça, reduzir o estado de alerta e agravar uma condição cardíaca conhecida como angina (dor no peito decorrente da doença cardiaca isquêmica).  As PM, além de irritar as vias aéreas superiores, provocando desconforto em garganta, seios de face, coriza e tosse, são capazes de penetrar profundamente no trato respiratório, atingindo os pulmões.  

O aparecimento de sintomas pode ocorrer  de 24 a 48 horas após a exposição à fumaça e, após sua interrupção, geralmente diminuem, mas podem perdurar por muitos dias.

As pessoas com problemas respiratórios, como asma, enfisema, bronquite e também aqueles com doença cardíaca crônica, quando expostos à fumaça, podem apresentar uma piora da sua respiração e agravamento do quadro já existente. Nestes casos, se os sintomas pulmonares não são aliviados pelos medicamentos habituais, deve-se  procurar o  atendimento médico imediato. Os sintomas a serem observados são: chiado no peito, falta de ar, dificuldade de respirar de forma completa, peso no peito, tonturas e vertigens, desenvolvimento de  uma tosse persistente ou respiração difícil ou dolorosa. 

Tenha sempre em mente que a exposição à fumaça, especialmente em ambientes fechados, pode causar problemas respiratórios graves e até a morte.

Dicas para minimizar a exposição à fumaça e seus efeitos deletérios no período junino:

Ficar em casa, de preferência em um ambiente ventilado, longe de lugares esfumaçados.

Não fumar. 

Beber muito líquido.

Ao andar de  carro em áreas esfumaçadas, manter as janelas fechadas. Ar condicionado só deve ser operado na configuração de "recirculação".

Evitar montar fogueiras e usar fogos de artifício. Se for essencial, fazê-lo longe das áreas residenciais e dos pontos de aglomeração de pessoas. 

Se for necessário transitar em áreas ao ar livre esfumaçadas, respire através de um pano úmido (ou de uma máscara cirúrgica descartável), para filtrar parte das partículas suspensas no ar.

Mantenha o uso de suas medicações como prescritas pelo seu médico.

Pacientes com asma podem ter crises desencadeadas pela exposição à fumaça, especialmente as crianças. Neste momento devem seguir o plano de ação desenvolvido com o seu médico-assistente (uso de broncodilatadores – através dos dispositivos de dose-medida, a “bombinha”, ou dos aparelhos de nebulização -  e, algumas vezes, lançar mão do uso de corticoides). Se o paciente estiver piorando, não melhorar dentro de meia hora após o uso das medicações ou se não estiver sob orientação médica, o mais prudente é recorrer a uma unidade de pronto-atendimento.  

Pacientes com DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica: enfisema/bronquite) devem seguir  as instruções do seu médico quanto ao uso de medicação de resgate, assim como os pacientes asmáticos podem se beneficiar dos seguintes exercícios respiratórios que facilitam a ventilação:

Respiração com lábios semicerrados: inspire  através do nariz e expire pela boca enquanto permanece com os lábios quase fechados.

Uso da  respiração diafragmática: é a respiração profunda em que você usa seus movimentos da barriga, mas não os do peito.

Dobrar-se para a  frente, inclinando o tronco à frente da cintura.

Inverno

O período junino corresponde ao inverno na Bahia, o que significa uma queda da temperatura, especialmente sentido em algumas cidades do interior do estado. Isto, associado ao alto fluxo de turistas para as festas interioranas, proporciona a aglomeração de indivíduos e consequente difusão de micro-organismos causadores de doenças – especialmente os vírus, causadores de resfriados e gripes, cuja gravidade é variável e depende do micro-organismo em questão, da presença de doenças prévias e da possibilidade de infecção bacteriana secundária. Para se proteger, fique de olho nas dicas abaixo:

Se você faz parte do grupo de indivíduos com maior propensão ao desenvolvimento de complicações da gripe (idosos com mais de 60 anos; crianças de 6 meses a 2 anos de idade; trabalhadores de saúde; gestantes; puérperas - até 45 dias após o parto; portadores de comorbidades como doença respiratória crônica, doença cardíaca crônica, doença renal crônica, doença hepática crônica, diabetes, imunossupressão, obesos e transplantados) fique atento aos períodos da campanha nacional anual de vacinação contra o vírus Influenza, e receba sua vacina gratuitamente. Se não for o caso, você ainda poderá adquiri-la em unidades de vacinação privadas.

 Lave suas mãos com frequência. Gripe e resfriados podem ser transmitidos através da tosse, espirros e superfícies contaminadas – inclusive as mãos.

Evite expor bebês, especialmente no primeiro ano de vida, a aglomerações humanas.

Pratique hábitos saudáveis: tenha uma dieta balanceada, durma o suficiente e exercite-se!

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