podcast do isaúde brasil

Publicada em 04/05/2020 às 15h27. Atualizada em 04/05/2020 às 15h41

Quais os prós e os contras do uso da Cloroquina?

Reumatologista aponta como pequena a evidência de eficácia da substância no combate ao coronavírus.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A pandemia do coronavírus tem convocado o universo científico a realizar novas pesquisas na busca de vacinas, tratamentos, causas e até formas de prevenção. No que tange o tratamento dos pacientes acometidos pela enfermidade, uma polêmica tem sido a “bola da vez” nas últimas semanas: o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina. Porém, esse não é um tratamento unânime no meio médico. Por isso, o iSaúde ouviu o reumatologista baiano Jozélio Freire de Carvalho.

iSaúde - Quais os usos indicados da cloroquina atualmente?

Jozélio Freire de Carvalho - A Cloroquina é indicada no tratamento da condição infecciosa provocada pela malária e em segundo lugar, em reumatologia, que é a especialidade que mais usa o medicamento atualmente. Então, utilizamos a substância em muitos pacientes com Lúpus, artrite reumatoide, artrite reumatoide juvenil, artrose e miosite. Usamos a Clorofina ou a hidroxicloroquina.

iSaúde - A droga foi produzida para qual fim?

Jozélio Freire de Carvalho - Ela foi desenvolvida em 1946, depois da Segunda Guerra Mundial, para tratar, especificamente, a malária.

iSaúde - Quais as evidências que indicam que ela pode ser usada no tratamento do Coronavírus?

Jozélio Freire de Carvalho - A evidência, por enquanto, é pequena e incipiente. Existe evidência em um estudo in vitro, ou seja, por meio de cultura, na qual foram infectadas com o vírus 20 células. Após a infecção, inseriram um pouco de cloroquina e foi observado que houve uma diminuição da quantidade do vírus. Assim, conclui-se que o coronavírus não se replica com a presença da cloroquina. Os estudos ainda estão em progresso e são fracos em relação ao poder estatístico quanto à efetividade do tratamento em humanos.

iSaúde - Já que a cloroquina e a hidroxicloroquina são usadas no tratamento de doenças reumatológicas, a venda é liberada? Quais são os riscos de usar essas substâncias sem orientação médica?

Jozélio Freire de Carvalho - Os riscos de usar essa medicação sem orientação médica são muitos. O paciente pode ter uma reação alérgica leve, que irrite a pele, por exemplo, a reações graves, levando ao quadro de choque anafilático e até a morte.

Além disso, o efeito mais agudo pode levar a doenças do sangue, baixar os níveis de plaquetas e outras células e aumentar os níveis de enzimas hepáticas. A arritmia também é um dos efeitos colaterais, sendo o mais temido entre eles.

Antes da pandemia era possível comprar o medicamento na farmácia sem prescrição, mas após a busca desenfreada vivenciada por conta do surto, hoje ele só é obtido através de receita médica.

iSaúde - O SUS disponibiliza o medicamento?

Jozélio Freire de Carvalho - Sim, o SUS disponibiliza a hidroxicloroquina e somente com receita médica. Inclusive, é um medicamento de alto custo para o Sistema Único de Saúde que já disponibilizava antes, principalmente, para doenças reumáticas e malária.

iSaúde - Quais os riscos do otimismo exagerado com a cloroquina?

Jozélio Freire de Carvalho - O risco do otimismo exagerado é no futuro a cloroquina se mostrar ineficaz.  O fato das pessoas estarem tomando remédios que possuem efeitos colaterais e que não funcionam ou funcionam muito pouco é frustrante. Esse otimismo exagerado ainda tem um agravante: A pessoa pode fazer uso por conta própria, por achar que está infectada, sem acompanhamento médico e sem o diagnóstico correto. Há um protocolo adequado para a administração da cloroquina e essas orientações só podem ser conduzidas por um médico. O autotratamento representa um risco à saúde.

iSaúde - Quais são as outras opções terapêuticas estudadas hoje para a Covid-19?

Jozélio Freire de Carvalho - Existem outras opções terapêuticas. Todas em curso. O site da Biblioteca Americana de Ciências já tem registrado 478 estudos só em Covid-19. Hoje é preciso recrutar profissionais para dar prosseguimento a essas pesquisas. Entretanto, as medidas de prevenção convencionais como a lavagem das mãos e o uso de máscaras são as mais eficazes e importantes que dispomos no momento.

Há também a possibilidade em análise de recolher o plasma sanguíneo convalescente de pessoas que tiveram convid-19 e ficaram curadas.

A partir da doação de sangue, o plasma é separado em uma porção e injetado em pacientes graves. Dois hospitais em São Paulo estão liderando esse experimento, uma vez que a literatura aponta para o funcionamento desse método em pacientes graves. Contudo, a fase ainda é de espera por medicações especificas e pela vacina.

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