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Publicada em 05/08/2020 às 17h46. Atualizada em 07/08/2020 às 14h49

Respiração bucal: um mau hábito para a saúde da sua boca

Conheça as causas, consequências e como tratar a respiração bucal.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Você sabia que respirar pela boca, além de não ser natural, traz diversos prejuízos à saúde no geral? Comprometimentos de ordem postural, funcional, de fala, de deglutição e até de aprendizagem estão entre os danos causados pela respiração bucal.

A respiração é uma das funções vitais do organismo e ocorre naturalmente pelo nariz, proporcionando uma ação muscular que estimula o correto crescimento facial, dentário e influencia no desenvolvimento ósseo. Os dentes ocupam uma posição de equilíbrio no corpo humano e o contato dos dentes superiores com os inferiores causa o desenvolvimento normal do esqueleto facial. Quando a respiração oral se faz presente, há o rompimento deste equilíbrio e modificação da morfologia da região bucal, podendo causar uma má oclusão.

Causas da respiração bucal

Existem diversas causas que podem levar à respiração bucal, desde as mais comuns como amígdalas e adenoides hipertrofiadas, desvio de septo nasal, alergias respiratórias, asma, sinusite, rinite alérgica e cornetos nasais hipertrofiados, até as mais incomuns, como a presença de tumores, pólipos nasais e/ou deformidades congênitas da cavidade nasal. Pode ainda existir respiração bucal por hábito, pelo uso de chupeta e pela sucção de dedo, que podem conduzir a deformação da arcada dentária de forma a impossibilitar a exclusividade da respiração nasal. 

Consequências

A respiração pela boca pode ser considerada uma adaptação patológica e isso acaba favorecendo a inspiração de um ar mais seco, sem ser filtrado e com temperatura mais fria ou mais quente do que o esperado. Isso acarreta uma sobrecarga para as amígdalas e a laringe, causando inflamações crônicas e consequentemente obstrução das vias aéreas superiores (ouvido, nariz e garganta) de graus variados. 

A mudança no modo de respirar obriga o paciente a manter a boca aberta quase que constantemente, no intuito de suprir a deficiência do ar respirado. Isso leva a uma mudança de postura em relação à coluna cervical, o que causa distúrbios ósseos durante o crescimento. 

A arcada dentária será considerada ideal se houver harmonia entre todas as estruturas e funções do sistema, relação favorável entre as bases ósseas, bem como a perfeita adaptação entre as superfícies oclusais e a presença de dentes em intercuspidação. Caso exista qualquer deslocamento da mandíbula, há uma adaptação de toda a musculatura facial, que provoca modificação na arcada dentária e no posicionamento dos dentes, levando à desarmonia estrutural na parte óssea da face como um todo, e consequente desequilíbrio de estruturas como a língua, os lábios, o palato e a mandíbula, que se deslocam para baixo e para trás, para adaptarem-se a nova forma de respiração.

Características de quem respira pela boca

A pessoa que respira pela boca tem características faciais típicas, como a face alongada, selamento labial incompetente, arcada dentária superior estreita ou em forma de “V”, ângulo excessivo do plano mandibular e mandíbula retrognática. O palato torna-se profundo pela ausência de vedamento labial. Podem apesentar também mordida aberta, que é justificada pela interposição da língua. Além disso, o paciente que não respira pelo nariz, apresenta alterações ou deficiências nos mecanismos de defesa dos tecidos da boca, que são permeados pela saliva, resultando em um risco maior ao desenvolvimento de cáries e doenças periodontais. 

Pode ter também sobremordida, com os dentes superiores muito à frente dos inferiores, e mordida cruzada posterior. Ainda, podem apresentar problemas na fala e problemas na qualidade da voz, pelo ar seco que é inspirado. Más oclusões também são observadas nesses indivíduos, que irão interferir também na eficiência mastigatória, e como consequência da má mastigação, a deglutição será alterada.

O fato de precisar abrir a boca durante a mastigação para poder respirar pode causar falta de apetite e digestão dificultada. O paladar e o olfato também ficam alterados, pois estão intimamente ligados e o mecanismo do olfato excita os receptores do paladar, portanto estes pacientes não percebem o sabor dos alimentos na sua integridade, assim a opção do alimento não é feita pelo apetite, e sim pela consistência e facilidade de ingeri-lo. 

Tratamento

O tratamento para a síndrome da respiração bucal é multiprofissional e deve ser estabelecido o mais cedo possível, assim a utilização de métodos mais invasivos provavelmente não será necessária. Faz-se indispensável a avaliação e acompanhamento do paciente, para que seja corrigido o fator da obstrução e não só o mal posicionamento dental, trazendo assim, melhora para a qualidade de vida do paciente.

Referências:

Dos santos, CAL. et al. Síndrome do respirador bucal: prevalência das alterações no sistema estomatognático em crianças respiradoras bucais. Revista de Odontologia da Universidade Cidade de São Paulo 2019;30(3):265-74.

Cunha, DA; Silva, GAP; Silva, HJ. Repercussões da respiração oral no estado nutricional: por que acontece? Arquivos Internacionais de Otorrinolaringologia 2011;15(2):223-30.

Berwig, LC. et al. Alterações no modo respiratório, na oclusão e na fala em escolares: ocorrências e relações. Rev. CEFAC 2010; 12(5): 795-802.

Passos MM, Frias-Bulhosa J. Hábitos de Sucção Não Nutritivos, Respiração Bucal, Deglutição Atípica - Impactos na Oclusão Dentária. Rev Port Estomatol Med Dent Cir Maxilofac 2010;51:121-127.

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