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Publicada em 09/09/2020 às 11h43. Atualizada em 09/09/2020 às 11h51

Setembro - mês de conscientização sobre a síndrome dos ovários policísticos

Dificuldade para engravidar, queda de cabelos, hipertensão arterial são alguns dos problemas causados pela Síndrome dos Ovários Policísticos (SPO).

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma das desordens endocrinológicas mais comuns nas mulheres em idade reprodutiva, afetando entre 8% e 13% dessa população. A síndrome apresenta repercussões reprodutivas, metabólicas e psicológicas.

A SOP é considerada uma das principais causas de infertilidade feminina por fator ovulatório, sendo as principais características a presença de hiperandrogenismo (aumento dos hormônios masculinos) e a anovulação/ oligovulação crônica. O problema possui relação com alterações metabólicas, resultando em acne, queda de cabelos (alopecia), aumento de pelos em áreas incomuns (hirsutismo), resistência à ação da insulina (50-70% das pacientes), diabetes, hipertensão arterial, entre outros.

 A obesidade também tem relação direta com a SOP, acometendo cerca de 50% das pacientes. Diante do quadro de resistência insulínica, há maior chance de ganho de peso e maior dificuldade para emagrecer. Sendo assim, a SOP é entendida hoje como uma doença metabólica, com todas as suas implicações. O foco deixou de ser exclusivamente o sistema reprodutivo, englobando o organismo como um todo.

Síndrome pode dificultar gravidez

Mulheres portadoras de SOP podem ter desde a diminuição até a parada dos ciclos ovulatórios e, consequentemente, da menstruação. Quem menstrua a cada 3 meses, por exemplo, ovula somente a cada 3 meses. Ou seja, a mulher tem apenas 4 ovulações ao ano, dificultando as chances de engravidar.

No entanto, a paciente com SOP só é considerada infértil caso não menstrue (ciclos amenorreicos, o que quer dizer que ela não ovula) ou que esteja tentando gestar há mais de um ano e não tenha conseguido. As mulheres que desejam engravidar e possuem ciclos não ovulatórios, precisam do uso de medicamentos para induzir a ovulação. O mais indicado hoje é o Letrozol, seguido do citrato de clomifeno. Ambos devem ser utilizados com indicação e acompanhamento médico.

Diagnóstico

As causas da SOP é multifatorial e não completamente conhecida e há várias outras doenças que cursam com a presença de hiperandrogenismo e podem mimetizar o mesmo quadro clínico da SOP. O ginecologista ou endocrinologista precisa descartar essas doenças com quadros semelhantes, pois a SOP é um diagnóstico de exclusão.

É importante ressaltar que somente a presença das características ultrassonográficas da SOP, isoladamente, não fecha o diagnóstico da síndrome, assim como também não é obrigatória a sua presença. O diagnóstico é realizado a partir da presença de, ao menos, dois dos três critérios diagnósticos: oligo-amenorreia, hiperandrogenismo clínico e/ou laboratorial e alterações ultrassonográficas.

O que caracteriza os “ovários policísticos” no ultrassom transvaginal é a presença de um número de folículos por ovário, maior do que 20 e/ou um volume ovariano maior do que 10ml, garantindo a ausência de corpos lúteos, cistos ou folículos dominantes.

Tratamento

A primeira linha de tratamento para SOP inclui dieta e exercícios. Vale frisar que, mesmo que as portadoras da síndrome tenham dificuldade para perder peso, o emagrecimento auxilia muito no tratamento.

Os tratamentos farmacológicos abrangem desde o uso de anticoncepcionais orais, antiandrogênios (medicações contra hormônio masculino), sensibilizadores como a insulina (metformina) e indutores ovulatórios, para as mulheres que desejam gestar.

Os anticoncepcionais hormonais combinados são o manejo farmacológico de primeira linha para o tratamento de irregularidade menstrual e hiperandrogenismo, sem recomendação específica de preparações.

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