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Publicada em 19/02/2020 às 13h01. Atualizada em 24/02/2020 às 18h33

Tabagismo: um grande vilão do implante dentário

Saiba como o fumo impacta a qualidade da saúde oral de quem tem implante dentário

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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"A implantodontia, uma especialidade odontológica, traz amplas possibilidades de reabilitação oral para pacientes desdentados totais ou parciais."

Estudos evidenciam o fumo como uma ação negativa de condições sistêmicas e locais, em relação à cicatrização do osso e a conservação do implante dentário. O número de fumantes nos países em desenvolvimento tem aumentado substancialmente, bem como a demanda por implantes osseointegrados. O fumante que necessita de tratamento está sujeito às diversas ações maléficas do hábito de fumar. 

O cigarro apresenta diversas ações negativas na cavidade bucal. Os maiores problemas ocasionados são: alteração do ambiente oral e tecidos gengivais, peri-implantite (inflamação dos tecidos que circundam o implante), sangramento, além de alterações tanto no metabolismo ósseo quanto na resposta inflamatória e imunológica. O tabaco pode estar relacionado inclusive ao câncer bucal.

Como o fumo prejudica o implante dentário?

O cigarro apresenta mais de quatro mil substâncias tóxicas conhecidas, incluindo monóxido de carbono, cianeto de hidrogênio, radicais oxidantes reativos, nicotina e um grande número de carcinógenos. Além de possuir efeito psicoativo e levar ao vício, o consumo de cigarros afeta a cicatrização e pode colocar em risco o sucesso de procedimentos como enxertos e implantes.

"A ação negativa do fumo sobre implantes dentários se dá pela capacidade que o cigarro possui de provocar alterações no tecido ósseo que circunda o implante..."

A ação negativa do fumo sobre implantes dentários se dá pela capacidade que o cigarro possui de provocar alterações no tecido ósseo que circunda o implante, ou seja, o osso alveolar. Dentre essas alterações, pode-se citar a vasoconstrição, que compreende a diminuição do calibre dos vasos sanguíneos, com consequente redução do fluxo de sangue para a região. Essa redução limita a chegada de nutrientes para o osso, comprometendo a capacidade de cicatrização, sobretudo após a colocação de um implante, podendo resultar na necrose óssea.

O tabaco é ainda capaz de acelerar a perda de tecido ósseo. Acredita-se que a taxa de perda óssea marginal ao redor dos implantes é cerca de três vezes maior em indivíduos fumantes e que esse grupo apresenta maior incidência de complicações pós-cirúrgicas. Além disso, a inalação da sua fumaça influencia negativamente a densidade do osso preexistente e a qualidade do novo osso formado ao redor de implantes. Acrescenta-se ainda o dano que o tabaco causa ao sistema imunológico, comprometendo os mecanismos de defesa do organismo e o prejuízo na resposta inflamatória, o que afeta diretamente a cicatrização.

Pacientes fumantes costumam ter ainda pior higienização bucal, propiciando o desenvolvimento da peri-implantite. Essa doença resulta em um processo inflamatório destrutivo que afeta tanto o tecido mole quanto o tecido duro ao redor de um implante dentário, levando à perda de osso. Dessa forma, pacientes que receberão implantes devem estar cientes do comprometimento que o fumo gera aos processos biológicos que envolvem a osseointegração e manutenção do implante, bem como dos efeitos adversos que o hábito de fumar causa à saúde em geral.

Cabe ao cirurgião-dentista orientar o paciente que será submetido ao procedimento cirúrgico para a colocação de implantes, a fim de que abandone o hábito de fumar, evitando complicações e o insucesso deste procedimento. Deve-se mencionar inclusive, que as substâncias presentes no cigarro podem coibir a ação dos possíveis antibióticos prescritos no tratamento e dos riscos para a recuperação pós-cirúrgica. 

É recomendado que o profissional solicite ao paciente que o mesmo assine um termo de consentimento, afirmando estar ciente dos riscos que a persistência do hábito de fumar possa trazer ao tratamento e da importância de seguir o protocolo de atendimento. Adicionalmente, deve-se realizar instruções de higiene oral e aconselhar o paciente quanto às consequências desse hábito deletério não só para a saúde bucal, mas também para a saúde geral do indivíduo. O cirurgião-dentista tem, portanto, relevante papel na intervenção da interrupção do tabagismo, por meio de diferentes abordagens e estratégias, uma vez que se trata de um profissional da saúde que precisa olhar para o paciente como um ser integrado à sua cavidade oral.

Referências:

1. Oliveira AD, Vermudt A, Ghizoni JS, Pereira JR, Pamato S. Consequências do fumo na osseointegração de implantes dentários. Journal of Research in Dentistry. 2018;6(3):69-79.

2. Miranda TAC, Oliveira PC, Egas LS, Ponzoni D, Naves RC. A influência do fumo na reabilitação com implantes osseointegrados: revisão de literatura. Rev. Odontol. Univ. Cid. 2018;30(2):169-76.

3. Farias LSF, Oliveira RA, Gomes TN. Prevalência de peri-implantite: revisão de literatura. Rev Interfaces. 2016;3(9):65-73.

4. Chambrone L, Preshaw PM, Ferreira JD, Rodrigues JA, Cassoni A, Shibli JA. Effects of tobacco smoking on the survival rate of dental implants placed in areas of maxillary sinus floor augmentation: a systematic review. Clin Oral Implants Res. 2014;25(4):408-16. 

5. Carvalho JP, Rossi V. Influência do tabagismo em doenças Peri-implantares. Stomatos. 2017;23(44):42-7.

6. Almeida JM et al. Influência do fumo na osseointegração dos implantes de titânio. Braz J Periodontol. 2015;25(3):35-40.

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