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Publicada em 03/08/2020 às 10h04. Atualizada em 03/08/2020 às 10h13

Tecnologias assistivas na odontologia para pacientes com necessidades especiais

Entenda como funcionam e quais os benefícios oferecidos pelo atendimento personalizado a pacientes com necessidades especiais.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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"A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência conserva o direito de acesso de forma integral à saúde e reitera que pacientes com necessidades especiais devem ter acesso a todos os níveis de complexidade..."

Pacientes com necessidades especiais (PNE) são indivíduos que apresentam alguma limitação física, mental, social e/ou comportamental temporária ou permanente, congênita ou desenvolvida, que os impedem de realizar determinadas tarefas. Por essa razão, necessitam de atendimento médico/odontológico diferenciado a fim de maximizar a qualidade e longevidade dos procedimentos realizados. Ainda que indivíduos com deficiência se enquadrem no grupo de PNE, deve-se avaliar seu grau de limitação, pois essa condição nem sempre requer um atendimento individualizado. 

A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência conserva o direito de acesso de forma integral à saúde e reitera que pacientes com necessidades especiais devem ter acesso a todos os níveis de complexidade, mediante o SUS, tendo acesso universal e igualitário sem qualquer tipo de discriminação. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2012, 23,9% (45 milhões) da população brasileira possuía algum tipo de incapacidade ou deficiência. Diante disso, fica evidente a importância do profissional da saúde no auxílio desses indivíduos, no qual lança-se mão de tecnologias assistivas (TA), recursos tecnológicos inovadores, que visam promover a autonomia, assistência as atividades diárias, inclusão e  participação social, com intuito de promover melhorias na qualidade de vida de pacientes com necessidades especiais.  

A cárie, a gengivite e as periodontopatias são problemas bucais prevalentes em pacientes com necessidades especiais, decorrentes do nível de comprometimento neuropsicomotor associados à dificuldade de abertura de boca, diminuição de fluxo salivar, má oclusão, respiração bucal, além da falta de informação por parte dos indivíduos e cuidadores responsáveis, os quais estão intimamente relacionados à difícil execução da higiene bucal e o uso do fio dental.

Com o intuito de minimizar as limitações de pessoas com deficiência no gerenciamento de sua higiene bucal, são desenvolvidos diversos equipamentos auxiliadores, ou adaptações simples e econômicas, que estão presentes no manejo odontológico e/ou no âmbito domiciliar, permitindo a essas pessoas a obtenção de independência no autocuidado oral.

A escova dental é o instrumento mais utilizado para a higienização oral, porém devido o comprometimento motor de PNE, faz-se necessário adaptações caseiras para o engrossamento do cabo, que incluem palhetas afastadoras de língua, bolas de fisioterapia para as mãos, escovas de unha e borrachas protetoras de guidão, que proporcionam a melhoria da empunhadura durante a escovação.

  

Outra tecnologia assistiva auxiliadora são os abridores de boca, comumente encontrados em consultórios odontológicos para facilitar ou possibilitar o atendimento desses pacientes. Utilizam-se materiais odontológicos rotineiros como afastador de língua, sugador odontológico, resina acrílica, além de utensílios recicláveis de baixo custo. 

  

Diante das dificuldades enfrentadas pelos pacientes com necessidades especiais, tais como exclusão e discriminação social, dificuldade em realizar atividades cotidianas, inacessibilidade e escassez de cuidados de saúde, é indispensável a interação do cirurgião dentista com tais indivíduos a fim de minimizar as barreiras e limitações que dificultam sua a participação na sociedade, tendo em vista que o acesso ao serviço de saúde é um direito de todo cidadão.

As tecnologias assistivas na Odontologia podem ser empregadas como facilitadores do dia a dia do tratamento odontológico ambulatorial e da higiene bucal dos PNE, contribuindo para uma maior segurança e prevenção de acidentes, tanto da pessoa quanto do profissional durante a intervenção. Cabe à equipe odontológica realizar promoção de saúde, tratamento individualizado e manutenção, respeitando os limites de cada indivíduo. 

Referências:

1. Ferreira RC, Ribeiro MTF, Vargas-Ferreira F, Sampaio AA, Pereira ACM, Vargas AMD et al. Assistivetechnologies for improvingthe oral hygieneofleprosypatientsresiding in a formerleprosycolony in Betim, Minas Gerais, Brazil. PLoSOne. 2018;13(7).

2. Dougall A, Fiske J. Access tospecialcaredentistry, part 4. Education. Br Dent J. 2008;205(3):119-30.

3. Levy H, R Lena R. Tools andEquipment for ManagingSpecialCarePatientsAnywhere. DentClin North Am. 2016;60(3):567-91

4. Caldas Jr AFC, Machiavelli JL. Atenção e cuidado da saúde bucal da pessoa com deficiência: Protocolos, diretrizes e condutas para Cirurgiões Dentistas. Recife: Ed. Universitária da UFPE.2013.231p.

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