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Publicada em 04/08/2020 às 16h53. Atualizada em 04/08/2020 às 16h59

Tratamento para Covid-19: mito ou solução?

O impacto da Covid-19 na população mundial é enorme. Além dos quadros graves que algumas pessoas apresentam, existe o impacto do isolamento e da falta de acompanhamento e visita dos familiares e amigos.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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O tratamento específico e a vacina para a Covid-19 são ansiosamente aguardados. Nunca uma doença teve tantos medicamentos e vacinas testados em tão pouco tempo. Precisamos lembrar que a Covid-19 foi identificada no final de dezembro de 2019 e temos, portanto, oito meses convivendo dolorosamente com ela. 

Coisa semelhante foi vista com o surgimento da Aids. O desespero por um tratamento acometeu os pacientes que recebiam o diagnóstico da doença, que usavam tudo para tentar a cura – de vacina de cavalo a chá de unha de gato, passando por várias drogas. Uma grande diferença chama a atenção: naquela época, os próprios pacientes utilizavam esses tratamentos.  Hoje, médicos indicam tratamentos sem evidência científica alguma!

" Hoje, médicos indicam tratamentos sem evidência científica alguma!"

Estamos no século 21 e a ciência nasceu e se desenvolveu, dentre outras coisas, para ajudar a medicina. Basta fazermos uma consulta às agências e órgãos nacionais e internacionais, a exemplo da OMS (Organização Mundial da Saúde), CDC (Centers for Disease Control and Prevention), FDA (Food and Drug Administration), Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e o próprio Ministério da Saúde do Brasil para nos deparamos com a frase: “Não há evidências científicas para qualquer tratamento específico ou profilático para o SARS-CoV-2”, vírus que causa a Covid-19. 

As sociedades de especialidades afeitas à doença, como a SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), a AMIB (Associação de Medicina Intensiva Brasileira) e a SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia) divulgaram uma nota conjunta contra indicando os usos de cloroquina, ivermectina, oseltamivir e outros, por falta de evidências. Existem outros tratamentos farmacológicos com boas evidências, como o uso da dexametasona em pacientes internados que necessitam uso de oxigênio e da anticoagulação profilática ou plena para pacientes internados com a doença e comorbidades.

Os tratamentos para doenças causadas por vírus são raros, alguns da família herpesviridae (herpes simples, varicela zoster, citomegalovírus), influenza H1N1 e o HIV podem ser tratados com medicamentos antivirais e, no caso do HIV, com combinação de drogas. Inúmeros outros vírus não podem ser tratados com medicações específicas. Esperamos que não seja o caso do SARS-CoV-2 .

No contexto de uma doença em que oito de cada dez pessoas evoluem para cura espontaneamente, provar que alguma medicação é eficaz não é fácil. Os estudos para demonstrar que alguma medicação evita a evolução para quadros mais graves precisam ter metodologia adequada, com grupos de controles e um número de participantes muito grande. O uso indiscriminado de qualquer droga só impossibilita a realização desses estudos.

A ciência já comprovou que a prevenção da Covid-19 se faz com distanciamento social, uso de máscaras, lavagem regular das mãos e de superfícies que nossas mãos fazem contato com frequência. Usar medicações preventivas e por conta própria pode, além de ter riscos de efeitos adversos, por mais inócuas que pareçam suas indicações de bula, dar uma falsa sensação de segurança e fazer com que as pessoas se descuidem das medidas realmente eficazes.

Um tratamento eficaz contra a Covid-19 com base em medicações que tenham um efeito contra o vírus será uma solução, sem dúvida. Mas, ao menos por enquanto, ainda é um mito.

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