podcast do isaúde brasil

Publicada em 15/07/2011 às 16h29. Atualizada em 30/03/2012 às 11h08

Tuberculose já foi mais temida no passado, mas continua fazendo vítimas pelo mundo

Sintoma mais conhecido é o da tosse que dura três semanas ou mais: tratamento é simples, desde que se mantenha disciplina e continuidade.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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“Hoje, quando já existe tratamento simples e eficaz, as pessoas parecem estar esquecidas dela (tuberculose)”.

Sempre que se fala em tuberculose, o que nos vem à mente? Para muitas pessoas, a ideia de uma doença já distante no tempo, que matou artistas, poetas e escritores famosos mundo afora, como o compositor e pianista polonês Chopin (1810-1849) e o magnífico escritor russo Anton Tchekhov (1860-1904). No século 19, era grande o terror em torno da doença – que o diga o brasileiro Augusto dos Anjos (1884-1914), que retratou bem esse pânico em alguns de seus poemas. 

Hoje, quando já existe tratamento simples e eficaz, as pessoas parecem estar esquecidas dela. Temem a AIDS, o câncer, mas não tanto a enfermidade que todos aprendem na escola como causada pelo bacilo de Koch (também conhecido por Mycobacterium Tuberculosi) – talvez porque ignorem que um bilhão e setecentos milhões de pessoas estejam infectadas, ainda que, não necessariamente cheguem a desenvolver a doença. A proximidade com pessoas infectadas, ambientes fechados e pouco ventilados favorecem o contágio. 

O recado das autoridades de saúde é sempre bem direto e cabe à população ficar de olho: tosse com mais de três semanas pode indicar a existência da infecção. Ir ao médico, fazer os exames necessários e começar a se tratar – gratuitamente, é bom lembrar - é só parte do processo: o grande desafio em curar alguém de tuberculose é fazer com que a pessoa doente não abandone o tratamento antes de ele terminar.

O problema é que o processo de cura leva seis meses e, muito antes de esse período terminar, grande parte dos pacientes começa a se sentir melhor, vê que a tosse e a febre desaparecem, e, por ignorância, acaba deixando de tomar os remédios necessários. Se todo mundo levar o tratamento assim, a chamada “recidiva” (quando a doença volta, ou o estado do paciente piora) é certa: uma contribuição para que a tuberculose passe mais 6 mil anos passeando pelo planeta.

Atitude é tudo

“O processo de cura leva seis meses e, muito antes de esse período terminar, grande parte dos pacientes começa a se sentir melhor, vê que a tosse e a febre desaparecem, e, por ignorância, acaba deixando de tomar os remédios necessários”.



Exceto pela necessidade de se manter firme no propósito da cura, o paciente tuberculoso tem grande facilidade de atingir seu objetivo – quem dera fosse assim com as outras doenças graves, não? O tratamento prevê o uso dos antibióticos isoniazida, rifaminicina e pirazinamida e, em determinada fase, pode ser feito apenas com duas doses semanais. É tão difícil assim?

É bom deixar claro, no entanto, que o germe que causa a tuberculose é bastante perigoso: ele tem a capacidade de se multiplicar e se tornar resistente aos antibióticos muito rapidamente quando está fora das células de defesa do organismo. Dentro delas, seu crescimento é um pouco mais lento. Por isso são usadas três drogas e o período de tratamento é tão longo.

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Lembra quando a AIDS começou a fazer mais e mais vítimas mundo afora, na maioria, os homossexuais, e ela começou a ser conhecida como “peste gay” ou “câncer gay”? Isso estigmatizou a doença e os doentes, o que contribuiu para grande desinformação e aumento das vítimas entre heterossexuais. E isso não acabou: recentemente o vencedor de um reality show da Rede Globo disse com todas as letras que a AIDS não atingia o heterossexual. A emissora foi notificada por esse desserviço.

O fato é que, também na época em que a tuberculose apresentava números mais preocupantes, as pessoas sofriam discriminação. Ela era considerada uma doença de “pobres”, porque, de fato, seu agente causador se prolifera melhor em ambientes insalubres e menos saudáveis, como as zonas habitadas pelas camadas mais carentes da sociedade.

Isso de ser uma doença de pobres, no entanto, é um engano completo. Assim como a AIDS, a tuberculose atinge pessoas de todas as camadas sociais. As duas doenças, aliás, estão profundamente associadas, já que o HIV, ao comprometer a imunidade humana, abre caminho para que o Mycobacterium Tuberculosi debilite ainda mais a saúde do paciente. Uma dupla perigosa.

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