podcast do isaúde brasil

Publicada em 12/05/2020 às 14h39. Atualizada em 15/05/2020 às 12h56

Uma força avassaladora

A pandemia pelo coronavírus transformará a nossa forma de estar no mundo?

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Há alguns dias estava em casa quando trovões começaram a fazer barulhos intensos e o clarão dos relâmpagos invadiu o apartamento sem pedir licença. Foi um desses dias em que o céu cinzento e sombrio nos convida a ficarmos em casa, recolhidos, protegidos. 

Esse fenômeno me fez pensar na força da Natureza. Os fenômenos naturais chegam de forma inesperada, imponentemente, sem nos perguntar se são bem-vindos e, não raro, são devastadores. Ficamos impotentes e perplexos diante deles, torcendo para que cessem e tudo volte à normalidade. Nesses momentos, nos damos conta da força da Natureza e da nossa pequenez diante dela. Ela nos mostra que não temos o controle sobre tudo. Um terremoto destrói edificações belíssimas e bem construídas em poucos segundos.

Pensando no momento que estamos vivendo, podemos fazer uma analogia entre os fenômenos da Natureza e a COVID-19 que tanto tem ceifado vidas e causado dores de diferentes ordens a todos nós. Um vírus que sofreu uma mutação está desafiando a ciência.

Que força tem este vírus! Uma força devastadora! Ele chegou como um tsunami!! Assim como os fenômenos da Natureza, ele invadiu nossas casas, nos obrigando a reinventarmos a nossa forma de viver. E o quanto ele tem nos mostrado a nossa vulnerabilidade. O coronavírus nos coloca diante do medo, da solidão, da dependência e da incerteza. Quantas coisas valorizávamos antes desta pandemia e tornaram-se insignificantes diante do medo de sermos infectados ou de perdermos aqueles  que amamos. Ele nos obriga a mantermos o distanciamento físico, mesmo daqueles que queremos por perto.

"Milhares de pessoas estão sem dinheiro para pagar suas contas e para alimentar-se. Outros estão chorando a perda de quem amavam, outros tantos, estão isolados em hospitais."

Milhares de pessoas estão sem dinheiro para pagar suas contas e para alimentar-se. Outros estão chorando a perda de quem amavam, outros tantos, estão isolados em hospitais. Inúmeros profissionais não estão em quarentena porque o trabalho exige a sua presença e eles retornam todos os dias às suas casas temerosos de infectarem às suas famílias. A propósito, os profissionais da Saúde, que são aqueles que estão mais expostos e vulneráveis, tiveram o seu o seu trabalho enaltecido. Justíssimo! E o que dizer dos idosos, com os seus corpos fragilizados que agora, mais do que nunca, precisam ficar recolhidos em suas casas?

Certamente, cada um está vivenciando esta experiência de uma forma singular, a partir das suas idiossincrasias, porém, seja qual for a forma de entender e sentir a existência, espera-se que esta pandemia nos torne mais atentos e cuidados quanto aos nossos valores e escolhas, pois a forma de estar no mundo terá que ser repensada e ressignificada. 

Concluo a minha pergunta com uma música de Gilberto Gil, na qual ele faz um pedido ao Tempo:

                                                       “Tempo rei, ó Tempo Rei, ó Tempo Rei,

                                                        transformai as velhas formas do viver.”

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