podcast do isaúde brasil

Publicada em 03/09/2020 às 06h46. Atualizada em 03/09/2020 às 06h56

Você sabe o que é Hipomineralização Molar-Incisivo também conhecida como HMI?

Causas, diagnóstico e tratamento. Saiba mais sobre esse problema.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
Compartilhe

A hipomineralização molar-incisivo (HMI) é um defeito de desenvolvimento do esmalte dentário de origem sistêmica, podendo envolver um ou até mesmo todos primeiros molares permanentes, frequentemente associada aos incisivos permanentes. Esta alteração qualitativa resulta na formação de um esmalte mais poroso e frágil, devido a um aumento significativo de seu conteúdo proteico, tornando o dente mais susceptível a fraturas e a lesões cariosas, o que pode gerar sensibilidade dentária. Clinicamente apresenta-se como uma anormalidade na translucidez do esmalte, com áreas superficiais lisas de espessura irregular, de coloração variando de branco ou creme a marrom ou amarelo. 

Sua etiologia ainda permanece desconhecida, entretanto foi observada sua relação com fatores externos associados a condições sistêmicas do indivíduo durante o período pré-natal, perinatal e pós-natal. Dentre estes, o baixo peso ao nascer aliado à falta de oxigênio, pode causar uma hipóxia nas células formadoras de esmalte, os ameloblastos, afetando a maturação ou calcificação deste tecido. Outros fatores como desordens metabólicas de cálcio e fosfato, doenças cardíacas congênitas, gastrointestinais e das vias respiratórias superiores - asma, otite, amigdalite, com quadros de hipertermia durante os três primeiros anos de vida - desnutrição, varicela, sarampo, rubéola, além do uso de algumas medicações também foram associadas à HMI. Vale ressaltar que o primeiro ano de vida é um período fundamental para a formação dos dentes, inclusive a coroa dos primeiros molares e incisivos permanentes, logo também fase determinante para o desenvolvimento desta patologia. 

O diagnóstico da doença é fundamental para determinar o tratamento adequado e deve basear-se na realização de uma anamnese detalhada, que inclui a pesquisa de doenças sistêmicas na infância e um exame clínico criterioso. Alguns estudos afirmam que a melhor idade para seu diagnóstico é aos oito anos, pois a criança já tem os dentes envolvidos irrompidos. O exame bucal deve ser realizado após a profilaxia dentária. Devido ao problema da hipersensibilidade causada pela HMI, os pacientes podem realizar uma escovação deficiente e consequentemente apresentar um maior risco de desenvolver cárie, o que pode levar a perdas dentárias futuras.

Para determinar o tratamento deve-se avaliar a idade do paciente, suas condições socioeconômicas e grau de severidade do dente afetado. Os métodos preventivos devem ser sempre adotados com a finalidade de promover a remineralização das áreas hipomineralizadas do dente, através  de uma boa higiene bucal diária com o uso de dentifrício fluoretado na concentração de no mínimo 1000 ppm, associado a uma dieta não cariogênica. Além disso, pode-se indicar a aplicação tópica de flúor, tanto na forma de gel como verniz, em intervalos variados, a depender da situação clínica dos dentes. Selante de fóssulas e fissuras, resinas infiltrantes e o uso de materiais restauradores que liberam flúor como Cimento de Ionômero de Vidro, devem ser indicados onde já existe perda estrutural ou sensibilidade dentária. Em situações mais severas, quando há grande destruição dos molares, pode-se usar a Técnica de Hall com coroas de aço, porém nos casos em que a reabilitação do dente não é mais possível, torna-se necessário considerar a sua exodontia, sendo essencial avaliar previamente a possibilidade de ocorrer problemas ortodônticos.

O conhecimento sobre a HMI permitirá um melhor manejo desta condição através do diagnóstico precoce, favorecendo um tratamento mais conservador, o que minimiza os danos funcionais, estéticos e psicológicos para a criança, e assim possibilitando um melhor prognóstico, o que repercute diretamente na sua qualidade de vida.

Referências:

1. Cardoso M, Moreira KMS, Cardoso AA, Rontani RMP. CPP-ACP complexe as na alternative to tratment of incisor molar hypomineralization: case repot. Rev Gaúch Odontol. 2019; 67: 1-5

2.  Silva-Junior MF, Assis RIF, Pazinatto FB. Molar incisor hypomineralization: an aesthetic conservative restorative approach. Rev Gaúch Odontol. 2016; 64(2): 186-92.

3. Resende PF, Favretto CO. Clinical challenges in the treatment of incisive molar hypomineralization. JOI. 2019; 8(2): 73-83.

4. Dhareula A, Goyal A, Gauba K, Bhatia SK, Kapur A, Bhandari S. A clinical and radiographic investigation comparing the efficacy of cast metal and indirect resin onlays in rehabilitation of permanent first molars affected with severe molar incisor hypomineralisation (MIH): a 36-month randomised controlled clinical trial. Eur Arch Paediatr Dent.2019;20(5):489-500. 

5. Cademartori MG, Cara G, Pinto GS, Costa VPP. Validity of the brazilian version of the dental subscale of children’s fear survey fear survey schedule. Int J Paediatr Dent. 2019; 29(6):736-47. 

6. Cabral RN, Nyvad B, Soviero VLVM, Freitas E, Leal SC. Reliability and validity of a new classification of MIH based on severity. Clin Oral Investig. 2019;24(2):727-34. 

 

Imagem - Fonte: https://neoclin.com.br/hmi/

Compartilhe

Saiba Mais