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Publicada em 30/06/2011 às 21h53. Atualizada em 14/12/2011 às 23h09

Conheça o HTLV-1 e saiba como evitá-lo

Vírus que ataca sistema imunológico pode ser prevenido facilmente.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Embora menos largamente conhecido, o HTLV-1 é um problema de saúde pública na Bahia, aonde chegou nos tempos do tráfico negreiro e onde a estimativa de infecção entre a população é hoje alta: calcula-se que há cerca de 50 mil indivíduos infectados somente em Salvador.

A semelhança dos nomes do vírus HTLV-1, HIV (aids) e HCV (hepatite C) não é à toa. Todos comprometem a imunidade humana, são transmissíveis por relações sexuais desprotegidas com pessoa infectada ou compartilhamento de seringas, agulhas e outros objetos semelhantes, da mãe infectada para o filho recém-nascido (especialmente pelo aleitamento), mas podem ser prevenidos com o uso de preservativos. A principal via de transmissão é a heterossexual.

Embora menos largamente conhecido, o HTLV-1 é um problema de saúde pública na Bahia, aonde chegou nos tempos do tráfico negreiro e onde a estimativa de infecção entre a população é hoje alta: calcula-se que há cerca de 50 mil indivíduos infectados somente em Salvador.

Um trabalho realizado na população geral da capital baiana demonstrou taxas de prevalência de 9,0% e 6,0% em mulheres e homens, respectivamente, com idade superior a 50 anos, atingindo principalmente a camada da população que tem renda igual ou menor do que um salário mínimo e menos de sete anos de escolaridade.

Vida sexual promíscua, uso de drogas intravenosas, recebimento de múltiplas transfusões de sangue e infecções por doenças sexualmente transmissíveis são fatores comuns entre muitos dos indivíduos infectados. Mães portadoras do vírus e origem familiar de áreas de alta endemicidade como, por exemplo, das ilhas do sudoeste do Japão, também estão entre os aspectos comuns à doença.

Em inglês, a sigla que dá nome ao vírus HTLV indica que ele infecta células T humanas (“vírus infotrópico para células T humanas” – HTLV-1). As células T são responsáveis pela produção de anticorpos que ficam no sangue e pela imunidade celular.

O HTLV é um retrovírus, isolado em 1980, a partir de um paciente com um tipo raro de leucemia de células T, e aparece em duas formas: o HTLV-1, ligado à doença neurológica e leucemia, e HTLV-II, o tipo 2, pouco apontado como causa de doença.

A notícia boa é que cerca de 95% das pessoas portadoras do HTLV-1 nunca desenvolverão qualquer problema de saúde relacionado ao vírus, por isso não existe atualmente indicação de tratamento nos casos assintomáticos.

Ainda assim, alguns pacientes correm risco de desenvolver problemas neurológicos, com queixas de dores nos membros inferiores (panturrilhas), na região lombar (parte inferior da coluna lombar) ou dificuldade em defecar ou urinar.
 
Há testes sorológicos para triagem dos pacientes positivos. O mais usado é o teste de ELISA e testes confirmatórios, que sempre devem ser feitos, entre eles o Western Blot (a confirmação sempre deve ser feita a partir de uma amostra diferente de sangue). Em caso de resultado sorológico duvidoso, o procedimento comum é recorrer à reação em cadeia da polimerase, método conhecido como PCR.

Em Salvador, desde o ano 2000, foi implantado o Centro de Atendimento Integral e Multidisciplinar ao Portador de HTLV, com o objetivo de suprir uma lacuna existente em relação a esse que é um sério problema de saúde no Estado da Bahia, por iniciativa da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, com a colaboração da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado da Bahia (Fapesb) e Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz).

O centro atende gratuitamente aos portadores do HLTV 1 e 2, além de seus familiares, de uma maneira integrada e interdisciplinar, levando em consideração os aspectos biopsicossociais, desde o diagnóstico laboratorial, clínica médica, neurologia, hematologia, oftalmologia, fisioterapia, terapia ocupacional, apoio psicológico aos pacientes e aconselhamento aos familiares e cônjuges. Atualmente, 1.803 pacientes estão matriculados, sendo 1.072 portadores de HTLV e 731 pacientes de hepatite viral. Dentre os portadores de HTLV, 30% apresentam mielopatia associada ao HTLV-1. A população atendida é de baixa renda e baixa escolaridade.

Trata-se de um centro de referência da Secretaria Municipal de Saúde de Salvador, reconhecido como um Centro de Referência no Brasil durante o IX Simpósio Internacional sobre HTLV no Brasil, realizado em setembro de 2006, em Belo Horizonte (MG).

Ainda não existe um tratamento para curar a infecção. Por isso, o paciente só é tratado quando há alguma doença associada – daí a importância de se conhecer esse vírus e as possíveis complicações que ele pode causar ou viabilizar no organismo humano.

O controle da transmissão vertical (de mãe para filho) ainda é um grande desafio no Brasil. A triagem sorológica para HTLV-1 no exame pré-natal é o principal instrumento para se diminuir essa modalidade da infecção. O Japão reduziu em cerca de 80%, selecionando as gestantes soropositivas para o HTLV-I no pré-natal e recomendando que não amamentassem.

Palavras Chave:

htlv vírus
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Ao procurar atendimento médico de qualquer natureza, homens e mulheres portadoras do HTLV-I devem observar as seguintes orientações:

Não doar sangue, sêmen, órgãos ou tecidos; Não compartilhar agulhas ou seringas; Não amamentar Usar sempre preservativos (camisinha) nas relações sexuais, especialmente se a parceira ou parceiro forem sorologicamente negativos.

Serviços Gratuitos
  • Centro Integrativo e Multidisciplinar de Atendimento ao Portador de HTLV e Hepatites Virais
    Ambulatório Docente Assistencial da Bahiana (ADAB)
    Tel: (71) 3276 8200
    Av. Dom João VI, nº 275, Brotas, CEP: 40290-000, Salvador, Bahia
  • Serviço de Imunologia
    Hospital Universitário Professor Edgard Santos
    Tel: (71) 3283-8392
    Rua Augusto Viana S/N, Canela, Cep 40.110-060, Salvador, Bahia