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Publicada em 18/11/2011 às 13h04. Atualizada em 08/04/2014 às 22h48

Parkinson: o que causa essa doença?

Neurologista fala ao iSaúde Bahia sobre a Doença de Parkinson, seus sintomas, tratamentos e causas. Saiba mais.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Hoje é o Dia Internacional do Mal de Parkinson. Para marcar a data, o iSaúde Bahia entrevistou o neurologista baiano, Humberto de Castro Lima Filho. Aprenda um pouco mais sobre essa doença.


iSaúde Bahia - O que é a doença de Parkinson?

Humberto de Castro Lima Filho - A doença de Parkinson (DP) é uma doença degenerativa do sistema nervoso central, caracterizada pela perda progressiva dos neurônios de uma região do encéfalo chamada substância negra, localizada no mesencéfalo. Esses neurônios produzem um neurotransmissor chamado  dopamina, que facilita a movimentação do corpo. Na doença de Parkinson existe um déficit de dopamina no cérebro dos pacientes, levando a um distúrbio de movimento conhecido como parkinsonismo. 

iSB - Como ela se manifesta?

HCLF - A DP é a principal causa de parkinsonismo, uma síndrome que é caracterizada pela tétrade:
1-    Tremor de repouso. A maioria dos pacientes começa com essa manifestação, que é caracterizada por um tremor mais acentuado quando o membro (braço, perna) está parado. Em geral é assimétrico, ou seja, é mais evidente em um lado do corpo.
2-    Bradicinesia quer dizer: lentidão do movimento. Isso atrapalha bastante o paciente, pois dificulta a movimentação e impede que o paciente realize movimentos rápidos.
3-    Rigidez, também conhecida como hipertonia plástica: também prejudica muito a mobilidade do paciente e é caracterizado por um aumento do tônus muscular. É como se ele ficasse com os músculos tensos o tempo todo, como se estivesse “travado”.
4-    Instabilidade postural, uma espécie de desequilíbrio no qual o paciente tem dificuldade de corrigir a postura, o que pode levá-lo a cair mais frequentemente. Somadas, bradicinesia e rigidez à instabilidade postural, levam à dificuldade da marcha (a forma de andar) 

Além desses sintomas os pacientes com Parkinson podem apresentar também transtornos do humor (depressão), do sono e alterações cognitivas.

iSB - Quais são suas causas? Acomete mais homens ou mulheres?

HCLF - A doença de Parkinson é dita idiopática, pois não sabemos exatamente o que desencadeia o processo de morte dos neurônios da substância negra mesencefálica. Muito estudo tem sido feito na tentativa de fazer o diagnóstico mais precoce, até mesmo antes de a doença se manifestar, pois sabemos que o paciente só começa a ter sintomas quando mais de 80% dos neurônios da substância negra já morreram. As mulheres são tão acometidas quanto os homens. É mais comum em idosos, atingindo aproximadamente 1% da população acima dos 55 anos, mas também pode ocorrer em pacientes mais jovens (lembrar do ator americano Michael Jay Fox). Também existem formas genéticas de DP bem mais raras. 
É bom saber que nem todo parkinsonismo é causado pela doença de Parkinson Idiopática. Existem causas de parkinsonismo secundário, sendo a mais comum delas o uso de determinadas medicações que podem causar parkinsonismo como efeito colateral como, por exemplo, medicamentos neurolépticos como o haloperidol, ou medicações para tontura como a cinarizina e flunarizina ou ainda medicações para enjoo com o a metoclopramida.
 
iSB -
 Quais os tratamentos? Existe cura?

HCLF - Infelizmente ainda não há cura para DP, mas existe um vasto arsenal terapêutico para o tratamento e controle da doença. Do ponto de vista fisiopatológico, como já foi dito, há uma falta de dopamina no cérebro dos pacientes com DP. Logo, a base do tratamento é tentar repor a dopamina que está faltando. Nesse sentido, a medicação mais eficaz é a levodopa que, ministrada via oral, é absorvida pelo intestino, cai na corrente sanguínea e vai para o cérebro onde é transformada em dopamina. Outros exemplos de medicação são: selegelina, rasagilina, pramipexol, biperideno, entacapone, amantadina. O neurologista, particularmente aquele especialista em distúrbios do movimento, é quem sabe manejar melhor essas medicações e decidir qual melhor tratamento para cada paciente. 

Conforme a doença vai evoluindo, o paciente passa a não responder tão bem ao tratamento medicamentoso e, nesse momento, deve-se considerar o tratamento cirúrgico com neurocirurgia-funcional, sendo o DBS (Deep Brain Stimulation) a modalidade mais usada atualmente.

iSB - Quais cuidados o paciente deve ter para melhor conviver com a enfermidade?

HCLF - Ter hábitos de vida saudáveis é o mais importante. Vários estudos têm apontado que a prática de atividade física, esportes e dança ajudam muito a controlar os sintomas o que deve ser estimulado em todos os pacientes. É claro que o acompanhamento regular de um neurologista também é importante.

Saiba mais sobre saúde no iSaúde Bahia

Palavras Chave:

parkinson neurologia cérebro
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Alguns sintomas

* Tremor de repouso
* Lentidão nos movimentos
* Rigidez
* Instabilidade postural