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Publicada em 14/10/2019 às 09h20. Atualizada em 14/10/2019 às 09h37

A assistência e o cuidado humanizado a pacientes oncológicos

Médicos e profissionais de saúde devem estar atentos ao cuidado de forma integral. Confira o artigo.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Humanizar os cuidados em saúde pressupõe cuidar do indivíduo como um todo, prestando uma assistência com respeito à sua individualidade e atendendo às demandas necessárias para garantir o seu conforto e bem-estar. Para isso, o grande desafio da equipe de saúde no processo do atendimento humanizado é favorecer um cuidado integral ao paciente e aos seus familiares. Humanizar o atendimento é, dentre inúmeras ações, fazer com que todos da equipe possam oferecer uma escuta ativa, como forma de tecnologia para a resolubilidade das demandas que surgem no contexto do atendimento.

"O atendimento e o cuidado com o paciente oncológico representam importantes fatores no atendimento integral e humanizado aos indivíduos com câncer"

O atendimento e o cuidado com o paciente oncológico representam importantes fatores no atendimento integral e humanizado aos indivíduos com câncer. A família e o profissional de saúde desempenham um papel-chave nesse processo. Isso porque, apesar dos muitos avanços no seu tratamento, o câncer, ainda hoje, está inserido no imaginário popular coletivo como uma doença ligada à morte. Além do mais, o mito dos tratamentos, antes bem mais invasivos e danosos, corrobora para o temor pela enfermidade. Outro fator que impacta no cuidado ao paciente oncológico é que o paciente desenvolve a partir do conhecimento de que é o portador da doença: sentimento de ansiedade, raiva, receio, medo, culpa, entre outros. Essas emoções tendem a comprometer as relações familiares, o que pode resultar tanto em isolamento e solidão por parte do indivíduo acometido pela doença, quanto em sobrecarga física e emocional dos familiares e/ou cuidadores. Para isso, é necessário que a equipe esteja atenta aos sintomas apresentados e possa encaminhar para um suporte do profissional da área de saúde mental para que o devido cuidado seja prontamente efetivado e não gere repercussão o tratamento.

Algumas estratégias podem funcionar no combate a esses sentimentos, como o reforço positivo, o vínculo estabelecido entre os profissionais, familiares e paciente, a interação multiprofissional, visualizando o cliente nos seus aspectos biopsicossocioespiritual, assim como incentivar no indivíduo ações de autocuidado e independência na tomada de decisões. A família e os profissionais devem se comunicar com o paciente utilizando todos os sentimentos positivos, levando em consideração os vínculos e os laços construídos por eles. O bom-humor, com destaque para a comunicação, a alegria e o otimismo, utilizados com cautela, são fundamentais para o reforço positivo e são importantes para animar e elevar a autoestima do paciente, aproximando pessoas e diminuindo a impessoalidade. Estudos têm mostrado que o estabelecimento de um diálogo positivo e acolhedor com o paciente oncológico traz conforto, acalma, alivia o estresse e os sintomas, reduz o medo, a ansiedade e afasta outros sentimentos negativos.

Salienta-se que o paciente oncológico, além de se sentir fragilizado com as situações acarretadas pela doença, apresenta diversas dúvidas e expectativas acerca do tratamento empregado. Neste contexto, é de extrema importância a presença de uma equipe multiprofissional vinculada ao paciente, que favoreça uma escuta acolhedora, origine espaços que promovam a fala dos sentimentos e percepções do indivíduo e que possam proporcionar esclarecimentos, com o objetivo de minimizar o sofrimento do paciente e instrumentalizá-lo para as tomadas de decisões sobre o tratamento. Essas ações demonstram o respeito aos direitos dos pacientes em exercer a sua autonomia de forma consciente, devido a um adequado nível de esclarecimento, fazendo com que o mesmo se sinta mais esperançoso e seguro quanto à evolução e prognóstico de sua doença.

A autoimagem também é um importante fator no cuidado ao paciente oncológico. Muitas vezes, a terapia estabelecida para tratar a doença causa perda de peso, associada pela mudança nos hábitos alimentares, e pode causar queda de cabelo. Esses dois fatores, juntos ou isolados, corroboram para a piora da qualidade de vida do paciente. Para a autoimagem, diversos centros de referência contam com oficinas de beleza e bem-estar, que promovem atividades voltadas para autocuidado e para a habilidade de cuidar de si mesmo. Além disso, a família também pode contribuir, incentivando a promoção do cuidado com o corpo e da higiene corporal.  

Assim, a humanização da assistência ao paciente oncológico tem o intuito de resgatar o respeito à vida humana, levando em consideração a complexidade e a singularidade de cada indivíduo, respeitando os seus sentimentos, suas crenças, suas percepções e valores, acolhendo suas dores e inseguranças, orientando e promovendo cuidado. Essa assistência está centrada principalmente na utilização de tecnologias leves, que são tecnologias de relações, voltadas para a vinculação e o acolhimento, sendo imprescindível a sua utilização por toda a equipe multiprofissional como ferramenta na promoção do cuidado, sem que isso elimine o caráter particular de cada profissão.

Referências:

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RENNÓ, C. S. N.; CAMPOS, C. J. G. Interpersonal communication research: valorization of the oncological patient in a high complexity oncology unit. Reme Rev Min Enferm.,v.18, n.1, p.116-125, Janeiro/ Março, 2014.

BENARROZ, M. O.; FAILLACE, G. B. D.; BARBOSA, L. A. Bioética e nutrição em cuidados paliativos oncológicos em adultos: Bioethicsandnutrition in adultpatientswithcancer in palliativecare. Cadernos de Saúde Pública, v.9, n.25, p.1875-1882, Setembro, 2009.

NASCIMENTO, P. T. A.; TESSER, C. D.; POLI NETO, P. Implantação do acolhimento em uma unidade local de saúde de Florianópolis. ACM Arq. Catarin. Med. v.37, n.4, p.32-34, 2008.

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