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Publicada em 20/07/2012 às 12h56. Atualizada em 06/08/2012 às 14h38

A fibromialgia, a dor e eu

Quem tem fibromialgia, além de enfrentar os incômodos das dores pelo corpo, precisa travar uma enorme batalha para encontrar o diagnóstico correto. Conheça a história de Mariana Carvalho, que convive com as dificuldades da síndrome diariamente

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Por Mariana Carvalho Rocha

Sou Mariana Carvalho Rocha, tenho 18 anos e sofro da síndrome de fibromialgia, um problema que provoca dor generalizada por todo o corpo. Os primeiros sinais começaram aos 12 anos, quando passei a sentir fortes dores na coluna. Procurei por vários ortopedistas e com eles realizei exames para saber o que estava acontecendo comigo, mas os resultados sempre mostravam que eu tinha uma leve escoliose, algo que não justificava a quantidade e intensidade de incômodos que eu sentia.

"Segundo os resultados, estava tudo bem comigo, mas eu ficava sem entender o porquê de tanta dor no corpo". 



Sem um diagnóstico preciso, procurei ainda por médicos clínicos. Com eles, também realizei diversos exames que não acusaram nada. Segundo os resultados, estava tudo bem comigo, mas eu ficava sem entender o porquê de tanta dor no corpo. Sentia um peso enorme, como se estivesse carregando sacos de cimento. 

Lutei muito para descobrir o diagnóstico e, enquanto não sabia o que eu, de fato, tinha, iniciei alguns tratamentos sugeridos pelos médicos. Fiz RPG, pilates acupuntura, massagem com ventosa e, por último, cromoterapia.  Mesmo com tudo isso, não sentia muito resultado, então, tomava vários remédios para poder ter algum alívio. Quando as crises vinham, eram muito fortes, tomava banho a pulso, não conseguia nem pentear o cabelo.



2011 foi um ano muito difícil. Não tenho nem palavras para descrever o que passei. Era crise por cima de crise. Ia ao médico quase todos os dias. Sentia uma tristeza profunda dentro de mim, me trancava no banheiro para chorar, pois não queria que ninguém me visse. Ficava a noite quase toda acordada, não sentia vontade de fazer nada. Às vezes, quando chegava na escola onde estudei, sentia vontade de voltar para casa imediatamente. Ia para os lugares só por ir, porque não queria me entregar às dores, mas meu desejo, mesmo, era estar deitada. Pedia a Deus, todos os dias por “socorro”, que ele me desse uma luz para continuar vivendo.

"Às vezes, quando chegava na escola onde estudei, sentia vontade de voltar para casa imediatamente. Ia para os lugares só por ir, porque não queria me entregar às dores, mas meu desejo, mesmo, era estar deitada". 

Quando voltei para o ortopedista que me acompanhou durante anos, este sugeriu que eu procurasse por um especialista em dor, pois, suspeitava que eu tivesse fibromialgia. Chegando ao médico, apresentei  11 pontos dolorosos dos 18 da fibromialgia, pontos estes, como a nuca, o quadril, a coluna, os ombros, os cotovelos, os joelhos, condrocostal (referente a costelas), o glúteo...  Foi a parti daí que fui diagnosticada com a síndrome. 

Como a doença ainda não tem cura ou tratamento definitivo, é importante haver um acompanhamento multidisciplinar, com vários especialistas. Comecei a tomar alguns medicamentos, como antidepressivos, mas não surtiram efeitos e mudei para Lyrica, um remédio que ajuda a amenizar os sintomas da fibromialgia e do qual faço uso atualmente. Também estou sendo acompanhada por um psicólogo para me sentir melhor.

Até os dias de hoje, ainda enfrento alguns problemas: não durmo direito, tenho dificuldade para me concentrar, não consigo fazer muitas coisas por um longo tempo na mesma posição e fico mal- humorada. Aonde vou, a dor vai junto. É muito difícil entender tudo isso. Ainda não me acostumei. Chego a ficar muito para baixo. Mas, sou persistente e vou continuar a correr atrás de melhora.

Mariana Carvalho Rocha tem 18 anos e mora na cidade de Inhambupe, Bahia.

Para saber mais sobre a fibromialgia, leia: 
Dor pelo corpo e sensação de cansaço? Pode ser fibromialgia

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