podcast do isaúde brasil

Publicada em 22/02/2019 às 10h28. Atualizada em 22/02/2019 às 11h06

A homeopatia trata o doente e não a doença

Cada paciente tem um remédio homeopático específico para a sua enfermidade.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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“Para a homeopatia, os sintomas constituem a linguagem característica e individual usada pelo corpo para registrar qual a ordem do seu desequilíbrio”.

É com a máxima de que a homeopatia não trata a doença e, sim, o doente, considerando-o na totalidade de seus aspectos, abrangendo as realidades físicas e psicomentais dos indivíduos em suas interações, que a homeopatia ganha seus adeptos. Esse conceito homeopático de saúde, adotado há mais de 200 anos por essa ciência, está de acordo com a definição moderna de saúde dada pela Organização Mundial de Saúde (OMS): "a saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de afecções ou enfermidades”. 

O criador da homeopatia, Christian Friedrich Samuel Hahnemann, nasceu na Alemanha, em 1755, e formou-se em medicina aos 24 anos, exercendo a profissão por algum tempo, quando a abandonou, por não concordar com as práticas médicas da época, sentindo-se impotente para tratar os doentes. Foi traduzindo um livro de Cullen, médico escocês, que tomou enorme interesse sobre o relato dos quadros clínicos de intoxicação por quinino em operários e observou a semelhança com o quadro clínico da malária. Ele não aceitou as explicações ali contidas, de que a China officinalis, vegetal que cresce em regiões tropicais da América, curaria o quadro sintomático de febre e frio intermitentes, típicos da malária, por ser uma droga adstringente ou amarga. Associou então o Princípio da Semelhança, já identificado por Hipócrates há 460 a.C., como uma lei natural de cura e do poder curador do próprio organismo e decide experimentar a ação dessa substância em si mesmo.

Ao experimentar fortes doses de China officinalis, durante vários dias, observou paroxismos de frio e febre, sintomas idênticos ao das febres que são curadas por essa mesma substância. Em sua prática médica, havia visto quadros semelhantes e os havia curado com a China off. Hahnemann, a partir dessa experimentação, aprofundou seus estudos sobre a Lei dos Semelhantes, Similia Similibus Curantur, que consiste no emprego de uma substância medicamentosa capaz de produzir, em pessoas sadias, sintomas “artificiais” e semelhantes àqueles do doente que se pretende curar. 

A aplicação da Lei dos Semelhantes possibilita:

1. Aproveitar a reação do organismo para o combate às doenças – Ação curativa
2. Aumento ou restauração da capacidade de autodefesa – Ação preventiva

O estímulo à reação do organismo, no sentido de combater a doença, se faz através de medicamentos homeopáticos derivados de substâncias dos reinos vegetal, mineral, animal e preparados segundo a farmacotécnica homeopática, que obedece a critérios definidos de diluições e sucussões das substâncias. Tal processo é denominado dinamização e favorece a liberação da propriedade terapêutica bioenergética das substâncias medicamentosas. Sob a ação dos medicamentos homeopáticos, ocorre, naturalmente, o estímulo à intencionalidade curativa do próprio organismo, conferindo eficiência ao sistema imunológico. 

Diferentemente da homeopatia, a medicina convencional denominada alopatia, baseia-se na Lei dos Contrários, combatendo as enfermidades com remédios que provocam no organismo o oposto aos sintomas da doença. Diante de um quadro de febre, por exemplo, um alopata receitará um antitérmico para qualquer paciente que apresente esse sintoma, sem considerar suas individualidades.

“O medicamento homeopático, como qualquer outro, não fica dispensado  de uma prescrição realizada por profissional habilitado e da atenção farmacêutica, que pode determinar a melhor conduta durante o tratamento”.

Para a homeopatia, os sintomas constituem a linguagem característica e individual usada pelo corpo para registrar qual a ordem do seu desequilíbrio. A terapêutica é individualizada, levando em conta o biótipo, a forma peculiar que cada um tem de reagir diante dos agentes externos, a modalidade do sintoma, a relação dos sintomas mentais com os orgânicos e o temperamento. 

Os remédios homeopáticos apresentam-se em diversas formas farmacêuticas de uso interno e externo. As formas mais comumente prescritas são as gotas e os glóbulos, de uso interno, veiculados em água ou soluções hidroalcoólicas e sacarose (açúcar da cana), respectivamente, porém, existem diversas outras apresentações de medicamentos homeopáticos, desde comprimidos até géis, pomadas e supositórios, entre outras. 

O medicamento homeopático, como qualquer outro, não fica dispensado de uma prescrição realizada por profissional habilitado e da atenção farmacêutica, que pode determinar a melhor conduta durante o tratamento, orientando o paciente quanto aos cuidados que deverão ser tomados na utilização e conservação do medicamento e em relação às demais variáveis que podem contribuir para a melhoria e manutenção de sua saúde. O seu uso inadequado também pode mascarar sintomas ou sugerir interpretações equivocadas quanto à evolução do paciente. 

A homeopatia está se expandindo, constituindo atualmente uma das terapias oferecidas no Sistema Único de Saúde (SUS). A entrada da homeopatia no SUS é resultado da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), criada pela Portaria nº 971, de 3 de maio de 2006. A Portaria nº 3237, de dezembro de 2007, do Ministério da Saúde, inclui os medicamentos homeopáticos que integram a Farmacopéia Homeopática Brasileira na rede SUS, em conformidade com o que recomenda a PNPIC. A oferta do tratamento homeopático na rede pública traz benefícios econômicos, já que, quando comparado a muitos medicamentos alopáticos, seu custo é reduzido. Contudo, o maior benefício está em trazer o sucesso terapêutico homeopático na restauração da saúde do paciente de forma duradoura e numa maior possibilidade de melhoria na qualidade do atendimento à população.

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