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Publicada em 22/09/2020 às 05h53. Atualizada em 29/09/2020 às 09h00

A importância do acolhimento da família na unidade de terapia intensiva

Qual a importância do acolhimento aos familiares de pacientes internados na unidade de terapia intensiva?

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A família é definida em um conjunto de normas, práticas e valores que têm seu lugar, tempo e história. As relações familiares podem ser modificadas pela doença, porque a hospitalização tende a ser uma situação complicada e delicada na vida de qualquer ser humano, pois implica na mudança brusca de rotina, distanciamento do convívio social e familiar.

"A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é um ambiente destinado ao atendimento de pacientes graves, com potencial risco de morte que necessitam de uma assistência médica e de enfermagem ininterrupta para o reestabelecimento da sua saúde. "

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é um ambiente destinado ao atendimento de pacientes graves, com potencial risco de morte que necessitam de uma assistência médica e de enfermagem ininterrupta para o reestabelecimento da sua saúde. Devido sua estrutura física e as atividades da equipe de saúde, algumas pessoas consideram a UTI um lugar hostil e tomado de sentimentos negativos a familiares e pacientes.

A hospitalização na UTI ocorre muitas vezes de forma inesperada e aguda, gerando na família o estresse, tensão em relação a evolução e prognóstico da pessoa que está internada. As visitas ocorrem em horários restritos, fundamentada na diminuição do prejuízo à organização do cuidado ao doente, bem como do risco de complicações infecciosas.

Apesar da visita ser assegurada por lei, o familiar é visto, muitas vezes, como intruso no serviço de saúde, quando deveria ser vista como uma companhia para o doente e aliada no trabalho da equipe, bem como facilitadora do processo de adesão e colaboração no tratamento.

Nesse contexto, algumas UTI’s estão adotando a visitação ampliada, com o objetivo de incluir a família junto ao paciente fortalecendo esse elo e contribuindo na melhor adaptação do doente, isso porque o contato entre família e equipe favorece a qualidade da assistência prestada.

O papel de cada profissional da saúde no cuidado ao paciente hospitalizado deve ser sistematizado e proposto pelas instituições no que se refere à relação com o paciente e familiar. Estudos estão sendo feitos a fim de dar subsídios para a identificação e planejamento de medidas que possam intervir nos possíveis pontos frágeis acerca desta questão. Outrossim, é necessário que os profissionais estejam preparados para acolher a família, mostrando-se dispostos a conversar e esclarecer dúvidas.

A hospitalização de um ente querido em uma Unidade de Terapia Intensiva

Geralmente a chegada do paciente na unidade exige intervenções rápidas diante do seu quadro de instabilidade, e a família, muitas das vezes, não tem a oportunidade de esclarecer dúvidas devido à sobrecarga de trabalho e responsabilidades assistências e administrativas que a enfermeira está envolvida.

Sendo a família vista como um sistema dinâmico, na qual, cada componente é responsável por desempenhar uma função, quando um destes que compõe esse sistema é atingido, afetado e afastado, como acontece na internação, ocasiona um total desequilíbrio para todos.

Um estudo realizado numa UTI neonatal com mães de recém-nascidos pré-termo (RNPT) mostrou que a hospitalização é uma vivência materna de sofrimento e tristeza, incluindo também depressão, ansiedade e estresse pós-traumático.

Além da tensão vivida pelos familiares em terem seu ente querido hospitalizado, os mesmos ainda vivenciam as incertezas acerca da evolução e prognóstico do doente internado numa unidade destinada a pacientes graves, o que causa ainda mais estigmas.

Separar-se de seu filho/familiar é citado como um sentimento terrível e permeado no forte desejo em levá-lo para casa e do estigma que usuários internados em uma UTI estão sentenciados à morte, o que gera insegurança e medo, somados a sentimentos de impotência e dependência.

Com isso, utilizar estratégias para amenizar o sofrimento da família com seu ente querido hospitalizado é vital. Pois, muitos deles, na grande maioria, apresentam-se perdidos por não conhecerem a complexidade da UTI e não terem recebido esclarecimentos dos profissionais de saúde.

O ambiente impactante da UTI, a carência de informações sobre o familiar, os procedimentos invasivos, aparelhos ou até mesmo sobre a razão da paramentação exigida para adentrar o setor, fazem parte das informações que compõem um processo educativo que cabe ao enfermeiro e equipe, e visa o compartilhamento de saberes com o familiar.

Na maioria das vezes, a situação da internação torna- se mais agravada pela maneira repentina que acontece, não permitindo aos familiares se prepararem emocionalmente e, também, pela separação entre eles, imposta pelo serviço.

Portanto, é imprescindível que os profissionais tenham empatia, compromisso ético esclarecendo dúvidas, orientando questões relacionadas à internação e evolução do quadro clínico, salientando aos familiares que o paciente na UTI ainda tem chances de viver.

Entretanto, entende-se que a promoção do conforto extrapola a esfera ambiental, pois decorre da interação dos familiares com as práticas de saúde, a racionalidade médico-científica que as fundamentam e os objetos institucionais, os quais poderão ser fonte de conforto ou desconforto.

Leia a segunda parte do artigo: O que propõe a Política Nacional de Humanização (PNH)  sobre o acolhimento da família de pacientes em UTI?

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