podcast do isaúde brasil

Publicada em 30/09/2019 às 12h03. Atualizada em 01/10/2019 às 08h40

Aleitamento Materno: benefícios nutricionais, imunológicos, afetivos

Saiba mais sobre o assunto e muitos outros ganhos proporcionados ao bebê e à mãe, pelo simples ato da amamentação.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Comemorada no Brasil desde 1999 e, neste ano, realizada de 1 a 7 de agosto, essa semana de conscientização sobre a importância da amamentação traz o tema “Trabalhar juntos para o bem comum” e integra, no Brasil, a campanha Agosto Dourado, instituída pela Lei Federal nº 13.435, de 12 de abril de 2017. Confira, nesta entrevista com o pediatra e neuropediatra Clay Brites, tudo sobre a importância da amamentação para o desenvolvimento do bebê e também para a recuperação da mãe.

iSaúde Bahia – Existe um limite de idade da criança até o qual a mãe deva amamentá-la? Pode comentar algo sobre isso? A partir de quantos meses a amamentação deve ser complementada com outros alimentos?

Clay Brites – Não existe limite de idade. Independentemente do perfil ou tipo da família, ela deve ser sempre incentivada devido às vantagens tanto para mãe quanto para a criança. A partir do sexto mês, entretanto, ela deve ser complementada com outros alimentos amassados (frutas, legumes e vegetais) e líquidos (sucos).

iSB – Quais são os benefícios proporcionados ao bebê pela amamentação? E para a mãe?

Clay Brites – Ao bebê: 1) recebe passivamente anticorpos da mãe, que são essenciais para protegê-lo numa fase em que ainda se encontra muito imaturo para se defender de infecções; 2) nutricionalmente, recebe proteínas mais leves e adequadas para seu ambiente interno e sem levar sobrecarga aos  seus rins; 3) proporciona uma melhor e maior estimulação da musculatura oral e facial, prevenindo, assim, disfunções e atrasos na aquisição de habilidades de coordenação motora da boca e da língua; 4) reduz a necessidade de o bebê ter que receber água do ambiente; 5)  pode diminuir o risco de alergias; 6) o bebê recebe um alimento limpo e livre de bactérias, na temperatura certa e a qualquer hora; 7) o bebê se sente mais seguro e afetivamente querido.

Para a mãe:  1) ajuda a diminuir o edema e o inchaço que normalmente permanece após o término da gestação; 2) reduz custos da família – o leite materno é gratuito; 3) reduz sangramento vaginal pós-parto; 4) é um anticoncepcional natural, pois a estimulação da mama pelo bebê inibe o retorno precoce da menstruação e inibe por mais tempo uma nova ovulação; e 5) reduz risco de câncer de ovários e de mama. Segundo artigos científicos, esse ato é fundamental para a manutenção da saúde da mulher que amamenta, confirmando-se o menor risco de câncer de mama e ovário, a rápida recuperação corporal, o método de planejamento familiar, o combate de hemorragias e anemias, além do risco reduzido de osteoporose aos 65 anos.

iSB – E afetivamente/psicologicamente, pode comentar algo sobre os ganhos para ambos? 

Clay Brites – O aleitamento contribui para aumentar o contato afetivo entre mãe e bebê e iniciar, assim, os processos de apego, tão necessários ao bebê.  O momento do aleitamento permite o contato visual e a interação tão necessária entre mãe e bebê e a observação dos primeiros sinais de seu desenvolvimento social. Além disso, desestimula a família a comprar objetos como chupetas, mamadeiras e chucas. Aumenta a presença dos pais e da família em volta da criança.

iSB – Quais cuidados a mulher deve tomar com seus próprios seios durante o período de amamentação? A ideia de que as mamas “caem” (ficam mais flácidas) por causa da amamentação é verdadeira ou falsa? 

Clay Brites – A mulher não precisa limpar o peito antes e depois das mamadas;  deve retirar um pouco de leite antes de iniciar a mamada para deixar a aréola mais macia e flexível para o bebê;  deve fazer ordenhas periódicas quando sentir o peito muito cheio, para evitar empedramentos e mastite;  deve deixar o bebê mamar à vontade, até que ele solte o peito e, após isso, a mãe deve oferecer o outro;  deve-se sempre recomeçar a amamentação pelo último peito que foi oferecido para aproveitar um leite mais enriquecido em gorduras; no fim da amamentação, para retirar a boca do bebê do bico da mama, deve-se introduzir o dedo mindinho (quinto dedo) no canto da boca da criança, até ele “pegar” o dedo e largar espontaneamente o bico, o que permite à mãe evitar fissuras e outras lesões em sua mama.

iSB – Sabemos que tem aumentado o número de gestantes com mais de 40 anos, no Brasil. Há alguma informação sobre a produção de leite nessa faixa etária, se há algum prejuízo em relação às mulheres mais jovens? 

Clay Brites – Há poucas informações sobre isso, mas, até este momento, não há indícios de prejuízos com o avanço da idade.

iSB – É muito raro que uma gestante não consiga produzir leite? Caso isso ocorra, a quais opções ele pode recorrer?

Clay Brites – Sim, é raro. Nesses casos, ela pode recorrer ao leite de outras mães em bancos de leite, onde essa reserva é armazenada em estado de maior segurança.

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