podcast do isaúde brasil

Publicada em 02/07/2011 às 15h47. Atualizada em 15/07/2011 às 18h51

Algumas coisas que talvez você não saiba sobre a nicotina

Substância ativa dos cigarros, ela vicia tanto quanto a cocaína e a heroína. Dia 31 de maio é data mundial para redução do tabagismo.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A nicotina ativa o sistema dopaminérgico do circuito de recompensa e prazer igualzinho às outras drogas ilícitas

A ansiedade é o carma eterno de todos fumantes. Tem gente que diz que fuma porque é ansiosa. Tem quem diga que fica ansioso justamente porque está sem fumar. O fato é que o estado de ansiedade é a experiência mais marcante de quem adere ao chamado “tabagismo”: está presente na síndrome de abstinência da nicotina e é uma das sensações produzidas pelo seu consumo.
 
O problema do consumo de tabaco tomou proporções tão grandes mundo afora – por conta do alto número de pessoas que se estima que morrerão ou sofrerão gravemente de doenças correlatas – que a Organização Mundial de Saúde (OMS) instituiu o 31 de maio como Dia Internacional Sem Tabaco. Todos os países que assinaram a proposta de controlar o tabagismo no mundo mobilizam-se nesse sentido.

O senso comum diz que contra fatos não há argumentos. Pois bem: pesquisas científicas de diferentes países comprovam que a expectativa de vida de quem fuma é ¼ menor do que a de um não fumante. Naturalmente, não se está tratando de números exatos, mas de uma probabilidade bem embasada.

Como acontece com outras drogas, para muitas pessoas o início do consumo inicia-se entre os 13 e 14 anos.  Como se trata de uma substância de consumo legalizado, ainda que a legislação brasileira faça restrições de idade para a compra, o que ocorre de fato é que das pessoas que começam a fumar, entre 30% e 50% imediatamente iniciam uma relação problemática com o cigarro.

Nos Estados Unidos, onde o problema do tabagismo é muito grave, o Serviço Nacional de Saúde revelou que, entre os 70% dos adolescentes que começam a fumar, 25% passam a fumar todos os dias. E que, diferente do que ocorre com outras drogas (cujo consumo, por essa população, tende a declinar com a idade), o tabaco só faz piorar o estado de adição ou vício.

O barato da nicotina – que seria o correspondente à viagem da maconha ou do álcool – inclui, além do estado permanente de ansiedade, a euforia. São fatores como esse que determinam a dependência de outras drogas, como a heroína e a cocaína. A nicotina ativa o sistema dopaminérgico do circuito de recompensa e prazer igualzinho às outras drogas ilícitas.

Os dados mais recentes do Ministério da Saúde indicam que, no Brasil, cerca de 200 mil pessoas morrem por ano devido ao tabagismo. O consumo de cigarros e afins concentra-se nas grandes capitais, em regiões mais industrializadas e está difundido, de maneira notável, entre a população de menor escolaridade e renda.
Outro fator que chama a atenção e preocupa as autoridades é que justamente nessas famílias em que a renda total às vezes é menor que um salário mínimo, os membros que são fumantes – em geral os responsáveis por prover a família – gastam duas vezes mais dinheiro com fumo do que com educação.

Nos Estados Unidos, menor de 21 anos não pode comprar nem cigarros, nem bebidas alcoólicas. No Brasil, a legislação é clara quanto ao consumo de álcool por menores de 18 anos, mas a venda e o preço do cigarro são praticamente um estímulo: aqui o tabaco é o sexto mais barato do planeta.


Charme na tosse e rouquidão?

Se, para além das glamourosas imagens de artistas como Marlene Dietrich e James Dean, fumando aparentemente deliciosos cigarros, pudéssemos ver o caminho e o estrago daquela fumaça tão charmosa por dentro do organismo humano, certamente os números relativos ao vício seriam menores.

O consumo de tabaco promove uma série de malefícios à saúde e, dentre os mais comuns, temos: diminuição da capacidade respiratória (a elasticidade dos pulmões, órgãos delicados, fica comprometida); doenças degenerativas com destruição de diversos tecidos, conduzindo as pessoas ao câncer (das 4.600 substâncias contidas na fumaça dos cigarros, pelo menos 30 são comprovadamente cancerígenas); doenças cardiovasculares, pela diminuição do calibre dos vasos sanguíneos e um aumento da pressão arterial, elevando bastante os riscos de acidente vascular.

Isso sem falar na diminuição do apetite, mau hálito e complicações periodontais conduzindo à perda de tecido ósseo na cavidade oral e consequente perda de dentes. Existem outros níveis de prejuízos: é comum filhos de fumantes terem relações afetivas comprometidas com esse pai ou mãe por conta do cheiro do cigarro.

De tudo isso, no entanto, o que vem sendo mais divulgado é o risco de câncer. O uso prolongado de cigarros promove a degeneração dos tecidos da boca, laringe, pulmão, esôfago, estômago, intestino. É motivo bastante para não enveredar pelos caminhos obscuros do tabagismo, não?

Palavras Chave:

cigarro nicotina tabagismo
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Tabagismo nos EUA

Nos Estados Unidos, onde o problema do tabagismo é muito grave, o Serviço Nacional de Saúde revelou que, entre os 70% dos adolescentes que começam a fumar, 25% passam a fumar todos os dias.

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