podcast do isaúde brasil

Publicada em 22/09/2020 às 06h00. Atualizada em 29/09/2020 às 09h02

As estratégias para aplicabilidade da humanização do cuidado em UTIs

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
Compartilhe

Leia a primeira parte do artigo: A importância do acolhimento da família na unidade de terapia intensiva 

Leia a segunda parte do artigo: O que propõe a Política Nacional de Humanização (PNH)  sobre o acolhimento da família de pacientes em UTI?

Questionaram a equipe de Enfermagem de uma UTI pediátrica sobre as principais dificuldades para realização de ações humanizadas e foram levantadas questões como a redução no quadro de funcionários, tempo, alta demanda de pacientes e falta de informação teórico-prática.

A Política Nacional de Humanização (PNH) destaca a importância dos familiares como sujeitos do processo de cuidado em UTI, tornando imperativa a realização de medidas direcionadas a esse grupo em especial, particularmente no que tange à promoção do conforto.

As práticas de cuidado direcionadas às demandas da humanização podem ajudar a minimizar o impacto da ruptura com a vida familiar e cotidiana em decorrência da internação de um ente na UTI, e assim corroborar para uma assistência de qualidade.

Pesquisadores acreditam que a humanização deve ser compreendida como uma política transversal que perpassa e se traduz nas ações das demais políticas públicas de atenção à saúde. Porque, não é uma técnica, uma arte ou muito menos um artifício, é um processo vivencial que permeia toda a atividade do local e das pessoas que ali trabalham, ofertando ao paciente e sua família o tratamento que merecem.

Humanizar é inserir o acompanhante no cuidado, conferindo autonomia na realização dos cuidados mais simples, e incentivar e motivar a sua presença junto ao paciente hospitalizado são ações que deveriam ser incorporadas na prática do cuidado.

Porém, quando o enfoque do cuidado é voltado para a maquinária, o procedimento, a patologia, o ambiente, os cuidados se tornam despersonalizados e pouco acolhedores, pois as dimensões humanas não ganham o devido destaque.

Nesse cenário, as práticas de cuidado direcionadas às demandas de conforto podem ajudar a minimizar o impacto da ruptura com a vida familiar e cotidiana em decorrência da internação de um ente na UTI, compreendendo que a família também adoece e necessita, da mesma maneira, de cuidados individualizados.

Além disso, para estimular o protagonismo e preparar os familiares para a alta, é necessário vigilância  e cooperação profissional durante o cuidado, de modo a proporcionar momentos para a identificação de dificuldades e realização da promoção adequada da saúde. Nesse aspecto, a escuta qualificada ajuda a sanar as necessidades expressas, gerando mais autonomia num ambiente de alta complexidade onde a comunicação não se torna exatamente uma prioridade.

Logo, quando a comunicação se faz ativa, presente e eficiente, é possível amenizar a ansiedade diante da doença e da hospitalização, contribuindo para a melhor aceitação e envolvimento dos familiares no processo de cuidar e, também, maior adesão ao tratamento, favorecendo o processo de lidar com essa nova situação e necessidades inerentes a ela.

Referências:

1. Biroli, F. Família Novos Conceitos. Coleção Quero Saber. São Paulo: Perseu Abramo; 2014.

2. Valadares GV, Paiva RS. Estudos sobre O Cuidado à Família do Cliente Hospitalizado: Contribuições para Enfermagem. Rev. Rene. Fortaleza. 2010;11(3):180-88.

3. Luiz FF, Caregnato RCA, Costa MR. Humanização na Terapia Intensiva: Percepção do familiar e do profissional de saúde. Rev Bras Enferm. 2017;70(5):1095-103. doi:10.1590/0034-7167-2016- 0281

4. da Silva Ramos FJ, Fumis RR, Azevedo LC, Schettino G. Políticas de visitação em unidades de terapia intensiva no Brasil: um levantamento multicêntrico. Rev Bras Ter Intensiva. 2014;26(4):339-346. doi: 10.5935/0103-507X.20140052

5. Tomás SMC, Santiago LMM, Andrade AP, Moraes KM, Cavalcante ASP, Maciel GP. Internação em Unidade de Terapia Intensiva: percepções de familiares de pessoas gravemente enfermas. Tempus, actas de saúde colet. 2018;11(2):239-251. doi: 10.18569/tempus.v11i2.2397

6. Gerritsen RT, Hartog CS, Curtis JR. New developments in the provision of family-centered care in the intensive care unit. Intensive Care Med. 2017; 43(4):550-3. doi: 10.1007/s00134-017- 4684-5

7. Santos ES, Gastaldi AB, Garanhani ML, Montezeli JH. Acolhimento e processo educativo em saúde a familiares de pacientes internados em UTI adulto. Cienc Cuid Saude. 2016;15(4): 639-646. doi: 10.4025/cienccuidsaude.V15i4.33903

8. Puggina AC, Ienne A, Carbonari KFBSF, Parejo LS, Sapatini TF, Silva MJP. Percepção da comunicação, satisfação e necessidades dos familiares em Unidade de Terapia Intensiva. Esc Anna Nery. 2014;18(2):277-283. doi: 10.5935/1414-8145.20140040 

9. Galvão TF, Pereira, MG. Revisões sistemáticas da literatura: passos para sua elaboração. Epidemiol. Serv. Saúde. 2014; 23(1):183-184. doi:10.5123/S1679-49742014000100018

10. Fernandes SM, Rodriguez CMT, Bornia AC, Trierweille AC, Silva SM, Freire PS. Revisão sistemática da literatura sobre as formas de mensuração do desempenho da logística reversa. Gest. Prod. 2018;25(1):175-190. doi: 10.1590/0104-530X3177-16

11. Lopes ALM, Fracolli LA. Revisão sistemática de literatura e metassíntese qualitativa: considerações sobre sua aplicação na pesquisa em enfermagem. Texto Contexto Enferm. 2008;17(4):771-8. doi: 10.1590/S0104-07072008000400020

12. Bardin L. Análise de Conteúdo. 5 ed. Lisboa/Portugal: Edições 70; 2011.

13. Passos SSS, Silva JO, Santana VS, Santos VMN, Pereira A, Santos LM. O acolhimento no cuidado à família numa unidade de terapia intensiva. Rev. Enferm. UERJ.2015;23(3): 368-74. doi: 10.12957/reuerj.2015.6259

14. Lelis BDB, Sousa MI, Mello DF, Wernet M, Velozo ABF, Leite AM. Acolhimento materno no contexto da prematuridade. Rev enferm UFPE. 2018;12(6):1563-9. doi: 10.5205/1981-8963-v12i6a2 30763p1563-1569-2018

 15. Silva FD, Chernicharo IM, Silva RC, Ferreira MA. Discursos de enfermeiros sobre humanização na unidade de terapia intensiva. Esc Anna Nery. 2012; 16(4):719-727. doi: 10.1590/S1414- 81452012000400011

16. Nascimento ERP, Gulini JEHMB, Minuzzi AP, Rasia MA, Danczuk RFT, Souza BC. As relações da enfermagem na unidade de terapia intensiva no olhar de Paterson e Zderad. Rev enferm UERJ. 2016;24(2):e5817. doi: 10.12957/reuerj.2016.5817

17. Bertinelli LA, Erdmann AL. Internação em unidade de terapia intensiva e a família: perspectivas de cuidado. Av enferm. 2009; 27(1):15-21.

18. Rodrigues AC, Calegari T. Humanização da assistência autores na unidade de terapia intensiva pediátrica: perspectiva da equipe de enfermagem. Rev Min Enferm. 2016; 20:e933. doi: 10.5935/1415-2762.20160003

19. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. HumanizaSUS: documento base para gestores e trabalhadores do SUS. 3.ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2006.

20. Meneguin S, Nobukuni MC, Bravin SHM, Benichel CR, Matos TDS. O significado de conforto na perspectiva de familiares de pacientes internados em UTI. Rev. Nursing. 2019; 22(252): 2882- 2886.

21. Silva LJ, Silva LR, Christoffel MM. Tecnologia e humanização na unidade de terapia intensiva neonatal: reflexões no contexto do processo saúde-doença. Rev Esc Enferm USP. 2009; 43(3):684-9. doi: 10.1590/S0080-62342009000300026

22. Nascimento FGP, Silva VR. Importância da visita à criança em unidade de terapia intensiva pediátrica: opinião dos acompanhantes. Rev. Enferm UFPE. 2017;11(10):3920-7. doi: 10.5205/reuol.12834-30982-1-SM.1110201729

23. Soares LG, Soares LG, Decesaro MN, Higarasho IH. Percepção das famílias sobre o acolhimento no contexto neonatal durante um processo de intervenção. J res fundam care. 2019;11(1):147- 153. doi: 10.9789/2175-5361.2019.v11i1.147-153

Compartilhe

Saiba Mais