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Publicada em 18/06/2019 às 10h59. Atualizada em 26/06/2019 às 16h15

Atualidades nas abordagens terapêuticas do líquen plano oral: o que há de novo?

Conhecido por ser uma das doenças dermatológicas da cavidade oral mais comuns, o líquen plano oral é mais comum nas mulheres, ocorrendo, na maioria dos casos, entre os 40 e os 70 anos. Saiba mais.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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O líquen plano oral (LPO) é uma das doenças dermatológicas mais comuns presentes na cavidade oral. É uma doença imunomediada, crônica e idiopática, que afeta a mucosa oral, bem como a pele, mucosa genital e outros sítios. O LPO tem predileção pelo sexo feminino e ocorre entre a quarta e a sétima décadas de vida. Além de acometer a mucosa oral, pode também afetar o assoalho de boca, língua e gengiva.

Das seis apresentações clínicas do LPO descritas na literatura, a forma reticular é a mais frequente, caracterizando-se por aspecto de rendilhado esbranquiçado, que geralmente não produz sintomas e acomete a região posterior da mucosa oral. 

Embora o líquen plano erosivo não seja tão comum quanto o reticular, geralmente é mais significativo, uma vez que suas lesões são sintomáticas, caracterizando-se clinicamente por áreas avermelhadas com graus variados de ulceração central, o que gera desconforto na mucosa oral, sendo, muitas vezes, resistente ao tratamento.

Tratamento

O tratamento do LPO não determina a cura da doença, sendo associado apenas à redução dos sinais e sintomas. É relativamente bem-sucedido, porém com efeitos temporários.

Pela etiologia incerta, o manejo do LPO é desafiador, e as modalidades atuais do tratamento visam ao alívio dos sintomas e a eliminação ou diminuição do vermelhão e das ulcerações da mucosa. Várias são as possibilidades descritas pelos autores que estudam a doença.

Os corticoides são considerados o padrão ouro para o tratamento do LPO. Estes são agentes que possuem ação antipruriginosa, antialérgica e anti-inflamatória, inibindo as manifestações iniciais e tardias da inflamação. Podem ser usados de forma tópica, intralesional ou sistêmica, a depender da gravidade do caso. No entanto, devido à natureza crônica do LPO, o uso prolongado de corticoides está relacionado com possíveis alterações locais e sistêmicas, como atrofia da mucosa, candidíase oral, insuficiência adrenal, desordens gastrointestinais, hipertensão e diabetes. Assim, a busca por outros agentes que possuam ação sobre as lesões e minimizem efeitos colaterais é imperiosa.

Tanto os retinoides, compostos químicos a base de vitamina A, bem como agentes imunossupressores, que, como o nome já diz, visam suprimir a ação do sistema imunológico, têm sido indicados ao longo do tempo, mas nem sempre têm a ação desejada, e o seu uso pode, inclusive, ocasionar efeitos colaterais. 

Tratamentos fitoterápicos

Junto à crescente demanda por agentes naturais, cresce também a utilização de fitoterápicos no manejo das lesões de LPO, como a Aloe vera, a cúrcuma e a camomila. 

A Aloe vera possui efeitos anti-inflamatórios, antibacterianos, antivirais e antifúngicos comprovados, além de apresentar uma boa tolerância e não possuir reações clínicas adversas, mostrando capacidade de reduzir sinais e sintomas consideravelmente, melhorando a qualidade de vida dos pacientes, que, na maioria das vezes, conseguiram reestabelecer a sua rotina alimentar. 

A cúrcuma é um forte agente antioxidante, sendo comparável às vitaminas C e E, com efeitos preventivos e curativos em várias doenças, como câncer, diabetes e aterosclerose, no entanto, sem resultados confirmados sobre as lesões do LPO.

A camomila, por sua vez, é um fitoterápico com ações anti-inflamatórias, diuréticas, sedativas e antissépticas, e vem mostrando bons resultados no controle dos sinais e sintomas das lesões de LPO.

Outras fontes de tratamento

O laser, um outro excelente agente no manejo do LPO, possui efeito positivo no processo de cicatrização da mucosa, modula a produção de citocinas e controla o fluxo de leucócitos e estresse oxidativo, além de possuir uma excelente ação anti-inflamatória, sendo uma opção eficaz, segura e sem efeitos adversos para o tratamento de tal enfermidade. 

Neste mesmo caminho, a utilização da ozonioterapia vem se destacando. Isto porque possui a característica de não ser uma terapia medicamentosa, consistindo na administração e aplicação de oxigênio e ozônio na área afetada. Tal alternativa possui propriedades bactericidas e fungicidas, favorece o fluxo sanguíneo e melhora a resposta imunológica, sendo uma terapia adjuvante segura e eficaz.

Por fim, mais recentemente têm sido descritos como alternativa para o tratamento do LPO os probióticos. Estes são bactérias que produzem efeitos benéficos no hospedeiro e são usados para prevenir e tratar doenças, como promotores de crescimento e como imunoestimulantes.

Dessa forma, o tratamento do LPO é focado na eliminação do vermelhão e das ulcerações da mucosa, proporcionando o alívio dos sintomas. Atualmente, existem diversas abordagens terapêuticas para o tratamento do LPO, e como alternativa ao uso prolongado dos corticoides tópicos e/ou sistêmicos, a literatura tem trazido bons resultados em relação à indicação do laser de baixa potência, da terapia fotodinâmica e da ozonioterapia, além dos bons resultados apresentados pela camomila. 

Contudo, os corticoides ainda são amplamente utilizados e constituem a primeira linha de tratamento para lesões sintomáticas, apresentando relações custo-benefício muito positivas. A consulta com um cirurgião-dentista no caso de manifestações orais do líquen plano é essencial para a melhor escolha do tratamento a ser utilizado.

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