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Publicada em 05/08/2019 às 15h43. Atualizada em 05/08/2019 às 17h05

Auriculoterapia: uma terapia de microssistema

De origem chinesa, essa terapia é hoje integrante do rol de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) do SUS. Saiba mais.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Ela integra o rol das Praticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) e, apesar de ter origem em outro país, é bem difundida no Brasil. A auriculoterapia consiste em uma terapia de origem chinesa e que busca o equilíbrio energético para promoção da saúde e qualidade de vida, por meio da acupressão de pontos específicos do pavilhão auricular (orelha). Para entender melhor o assunto, o iSaúde conversou com o psicólogo com formação em Medicina Tradicional Chinesa, Gerfson Moreira Oliveira .

iSaúde Brasil – O que é a auriculoterapia? 

Gerfson Moreira Oliveira – Trata-se de uma terapia de microssistema que utiliza o pavilhão auricular para restabelecer o equilíbrio energético e promover saúde e qualidade de vida. É útil também para diagnosticar e tratar disfunções de origem orgânica, nervosa ou somática pautadas em diferentes racionalidades em saúde. Podemos considerá-la como parte integrante da medicina tradicional chinesa (MTC), mas também é tida como uma prática autônoma, com fundamentos e metodologias próprias. 

Atualmente, compõe o rol das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) do Ministério da Saúde e reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde.

iSaúde Brasil – O que trata e qual o objetivo dessa terapia alternativa?

Gerfson Moreira Oliveira – As PICS, de modo geral, buscam trabalhar com o equilíbrio energético para promoção da saúde e qualidade de vida. Embora já existam muitos estudos científicos que avaliam positivamente os efeitos terapêuticos da auriculoterapia no tratamento de doenças, no Brasil, elas devem ser utilizadas como terapia complementar e integrativa e não alternativa aos métodos diagnósticos e de tratamento com maiores níveis de evidência científica. Os benefícios para a qualidade de vida e promoção do bem-estar físico e emocional são variados e não, necessariamente, a pessoa precisa apresentar um sintoma para se beneficiar delas, já que a utilização das diversas técnicas visa o cuidado às pessoas de forma integral e não, especificamente, o tratamento da doença. 

iSaúde Brasil – Quais as diferenças entre a auriculoterapia e a acupuntura?

Gerfson Moreira Oliveira – Tanto a acupuntura, quanto a auriculoterapia são  consideradas técnicas oriundas da medicina tradicional chinesa (MTC), sendo que a auriculoterapia utiliza pontos de acupressão específicos apenas no pavilhão auricular (orelha) e a acupuntura é um sistema de tratamento mais complexo que trabalha com aplicação de agulhas de forma sistêmica, ou seja, em pontos específicos por todo o corpo.

iSaúde Brasil – Quais as diferenças entre a auriculoterapia francesa e a auriculoterapia chinesa?

Gerfson Moreira Oliveira – A auriculoterapia francesa foi desenvolvida com base em estudos neurológicos pautados na teoria do reflexo, pelo médico francês Paul Nogier, na década de 1950. Fundamenta-se na racionalidade biomédica, formula protocolos e utiliza um número menor de pontos de acupressão.  A auriculoterapia chinesa segue os princípios milenares da MTC, que busca, a partir da técnica e de estilos de vida, a harmonização energética e o equilíbrio físico-emocional.

"...a Teoria dos Canais de Energia ou Meridianos, que serve de comunicação entre diversas partes do corpo, é o principal fundamento da auriculoterapia."

iSaúde Brasil – Por que a orelha é o ponto do corpo utilizado?

Gerfson Moreira Oliveira – Para a MTC, a Teoria dos Canais de Energia ou Meridianos, que serve de comunicação entre diversas partes do corpo, é o principal fundamento da auriculoterapia. Segundo ela, os 12 canais de energia ou meridianos têm próxima relação com a região da orelha. A orelha também é uma das principais zonas onde as energias Yang e Yin inter-relacionam-se. Além disso, estudos da MTC e da teoria reflexa demonstraram que o pavilhão auricular guarda estreita relação com a anatomia do corpo, nossos órgãos e suas respectivas funções energéticas, principalmente o rim.

iSaúde Brasil – Como é feita a identificação dos pontos que representam cada parte do corpo humano e das alterações nos órgãos afetados?

Gerfson Moreira Oliveira – Utilizando-se os princípios de avaliação da MTC, da auriculoterapia francesa ou de ambas. De modo geral, quando algum meridiano é obstruído e a circulação do sangue e da energia perde seu fluxo, aparecem pontos dolorosos na orelha, como uma reação reflexa do local obstruído.

iSaúde Brasil – Quais tipos de instrumentos são utilizados no tratamento?

Gerfson Moreira Oliveira – Agulhas específicas de acupuntura auricular, sementes, esferas ou magnetos, apalpadores ou outros recursos da eletroacupuntura ou laseracupuntura.

iSaúde Brasil – Qual profissional está capacitado para realizar esse procedimento?

Gerfson Moreira Oliveira – A prática é multiprofissional. Geralmente são realizados por acupunturistas, profissionais e trabalhadores da saúde de nível médio ou superior, capacitados em auriculoterapia.

iSaúde Brasil – Quais patologias e desordens podem ser tratadas e/ou amenizadas? 

Gerfson Moreira Oliveira – Muitas pesquisas demonstram benefícios físicos e emocionais em condições crônicas como dores osteoarticulares, ansiedade, estresse, tabagismo, tensão pré-menstrual, insônia, constipação, entre outras.

iSaúde Brasil – Quem pode fazer auriculoterapia?

Gerfson Moreira Oliveira – Qualquer pessoa interessada no seu bem-estar físico e emocional. Você não precisa estar doente para cuidar da saúde. Um dos objetivos das PICS é estimular o autocuidado e promover a qualidade de vida.

Mas existem alguns cuidados importantes, principalmente porque algumas técnicas da auriculoterapia podem requerer a utilização de materiais perfurocortantes, o que exige qualificação técnica e condições adequadas de biossegurança. Existem, ainda, algumas restrições na utilização de auriculoterapia com crianças, gestantes, idosos e determinadas condições clínicas, mas isso depende da avaliação específica. As PICS não substituem os cuidados médicos, são terapias complementares. Por isso, é importante que, diante de qualquer problema de saúde, as pessoas busquem os profissionais da saúde.

Embora muitas PICS sejam técnicas milenares, só recentemente elas ganharam expressividade no Brasil, depois da implantação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde. São recursos aliados no cuidado integral à saúde e podem estar inseridos na atenção básica e especializada, nas escolas e creches, instituições sociais, empresas e nas comunidades em geral. 

Na Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP) oferecemos cursos de capacitação e especialização em PICS e temos o Centro de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (CEPICS – BAHIANA), coordenado pela professora Renata Roseghuini que promove atendimento de diversas PICS (incluindo auriculoterapia) para o público interno e externo.

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