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Publicada em 21/08/2012 às 00h00.

Cálculo na vesícula? Entenda o que é Colelitíase ou Litíase Biliar

A gastroenterologista Dr.ª Maria Conceição explica o que é a doença, os sintomas e como ocorre o tratamento.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A coletitíase ou litíase biliar é caracterizada pela presença de cálculos na vesícula, uma das doenças mais comuns, que acomete mais as mulheres que são obesas e multíparas (vários partos). Na maioria dos casos é assintomática (cerca de 80 a 90% dos casos).

"Entre os sintomas estão a dor que pode ocorrer quando há uma inflamação na vesícula ou quando o cálculo se move da vesícula e obstrui o canal que leva a bile ao duodeno chamado colédoco". 

Entre os sintomas estão a dor que pode ocorrer quando há uma inflamação na vesícula ou quando o cálculo se move da vesícula e obstrui o canal que leva a bile ao duodeno chamado colédoco. Nessas situações ocorre dor de forte intensidade localizada no lado direito do abdômen, abaixo da costela e pode ser acompanhada de icterícia (olhos amarelados) e colúria (urina escura). A febre pode aparecer quando há infecção dessa via biliar. A probabilidade de ocorrer sintomas é de 10% em cinco anos. É chamada cólica biliar.

Cálculos em vesícula X Câncer de vesícula

A relação entre câncer e cálculos de vesícula está bem estabelecida. Cerca de 80% dos pacientes com carcinoma (tumor maligno) de vesícula apresentam cálculos, porém essa associação é maior em quem tem cálculos grandes. No entanto, a cirurgia profilática só está indicada naqueles pacientes que são jovens (< 50 anos) e têm cálculos grandes (maiores que 2,5cm). 

"Nos pacientes que já apresentaram episódios de cólica biliar está indicada a colecistectomia..."

 

Nos pacientes que já apresentaram episódios de cólica biliar está indicada a colecistectomia (retirada cirúrgica da vesícula biliar), exceto nos pacientes que tenham elevado risco cirúrgico, como doença cardiovascular grave. Nos pacientes que não têm sintomas, a indicação deve ser feita avaliando os riscos já descritos acima.

Existe uma situação chamada vesícula em porcelana, que é a calcificação da vesícula biliar. Nesses casos, há indicação cirúrgica devido ao maior risco de carcinoma associado.

Nos pacientes diabéticos, a indicação de colecistectomia profilática (se o paciente é assintomático) é controversa. Deverá ser avaliado o risco cirúrgico e a possibilidade de complicações no pós-operatório. Se o paciente tem doenças associadas que aumentam o risco cirúrgico como doenças pulmonares, cardiovasculares e renais, contraindica-se o procedimento mesmo que o paciente seja jovem. 

A complicação maior é a migração desse cálculo para o colédoco, chamado coledocolitíase, que daria o quadro de dor no lado direito do abdômen, icterícia e colúria. Esse cálculo pode também migrar para o canal do pâncreas (o Wirsung), podendo levar a pancreatite aguda, que seria uma situação de maior gravidade.

Pode-se viver bem sem a vesícula. A vesícula armazena a bile que é produzida no fígado e é lançada no duodeno para facilitar a absorção das gorduras. Quando a vesícula é retirada perde-se apenas o reservatório. Logo, o paciente poderá sentir-se pouco desconfortável após a ingestão excessiva de alimentos gordurosos.

Para a prevenção, principalmente deve-se manter no peso ideal e controlar adequadamente os níveis de triglicérides e colesterol. Quanto às doenças que são de origem genética (anemia falciforme e Síndrome de Gilbert, que aumentam os níveis de bilirrubina no sangue), deverão ser acompanhadas por especialistas que estarão atentos a essas possíveis complicações.

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Os cálculos são feitos de colesterol, bilirrubina ou mistos. Logo, situações que levem ao aumento desses constituintes são fatores de risco para a formação de cálculos:

- Obesidade (IMC >30)
- Níveis séricos elevados de colesterol e triglicérides
- Mulheres
- Multíparas (vários partos)
- Nos jovens - indivíduos portadores de anemia falciforme e Síndrome de Gilbert, doenças que aumentam os níveis de bilirrubina no sangue.

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