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Publicada em 22/12/2019 às 13h26. Atualizada em 22/12/2019 às 13h41

Cirurgia plástica na adolescência é um risco?

Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica aponta grande crescimento na procura por esses procedimentos por jovens de 13 a 18 anos.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Cada vez mais, adolescentes brasileiros vêm se submetendo a cirurgias plásticas. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), nos últimos dez anos houve um aumento de 141% no número de procedimentos entre jovens de 13 a 18 anos. Em 2016 — ano do último censo realizado pela SBCP—, foram feitas 1.472.435 cirurgias plásticas estéticas ou reparadoras no Brasil, das quais 6,6% foram realizadas em pacientes com até 18 anos, o equivalente a 97 mil procedimentos. Esses números colocam o Brasil na liderança de jovens que passam por esse tipo de cirurgia. Nos Estados Unidos, 4% dos pacientes que se submetem a cirurgia estética são adolescentes. Só no ano passado foram realizadas cerca de 66 mil cirurgias estéticas. No Brasil, esse número já ultrapassou 90 mil. Para entender melhor o aumento da procura do público mais jovem por esse tipo de procedimento, o iSaúde conversou com o médico cirurgião plástico Dr. Luís Felipe Maatz. 

iSaúde – Em quais situações é aceitável a cirurgia plástica em um adolescente?

Luís Felipe Maatz – A cirurgia plástica em adolescentes é aceitável em situações em que a deformidade ou alteração corpórea cause sofrimento significativo para o paciente. A cirurgia plástica deve proporcionar um ganho na qualidade de vida, diminuição do sofrimento emocional e físico e melhora na interação com outras pessoas. Além disso, é necessário levar em conta fatores psicológicos e físicos que são específicos dessa faixa etária. 

iSaúde – No caso de lipoaspiração/lipoescultura em meninas adolescentes, é aconselhável o procedimento, já que essa é uma fase de muitas mudanças no corpo?

Luís Felipe Maatz – Habitualmente, a lipoaspiração é uma cirurgia reservada para adultos, sendo realizada excepcionalmente em adolescentes. 

iSaúde – A lipoaspiração/lipoescultura na adolescência não pode ser prejudicada posteriormente, quando a mulher engravidar?

Luís Felipe Maatz – O fato de a mulher engravidar depois de uma lipoaspiração não modifica ou prejudica o seu resultado desde que não haja ganho de peso em excesso. Porém, como explicado anteriormente, a lipoaspiração é uma cirurgia realizada primordialmente em adultos. 

iSaúde – Em seu consultório, quais são as principais queixas dos adolescentes?

Luís Felipe Maatz – As queixas mais comuns das adolescentes são relativas às mamas (muito grandes ou pequenas, com queda ou flacidez), às orelhas (de abano, também chamadas de proeminentes) e ao nariz. 

iSaúde – Há procedimentos específicos para pacientes nessa faixa etária ou as técnicas são as mesmas? 

Luís Felipe Maatz –Para cada faixa etária, há particularidades em cada tipo de cirurgia, uma vez que os tecidos e resposta fisiológica são diferentes. 

iSaúde – Quais são os cuidados o cirurgião plástico deve ter ao conversar com um adolescente sobre a cirurgia plástica?

Luís Felipe Maatz – O cirurgião plástico deve ter muito bom senso e sensibilidade na consulta com adolescentes. Deve entender quais são as reais expectativas do jovem e diferenciar os reais problemas e deformidades físicas apresentados das frustrações e diminuição da autoestima por outros fatores.

Comentários finais: logicamente que as cirurgias plásticas em adolescentes só podem ser realizadas com a expressa autorização de seus pais ou responsáveis. Muitas vezes, é necessária uma avaliação multiprofissional para o seu preparo, que pode incluir, por exemplo, avaliação psicológica para exclusão de distúrbios de autoimagem, endocrinológica para descartar distúrbios hormonais, entre outras.

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