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Publicada em 26/06/2019 às 15h36.

Conheça a cintimamografia, as terapias-alvo e os outros avanços no tratamento do câncer de mama

Tipos e classificações desse câncer, fatores de risco, tratamentos. Confira isso e muito mais sobre esse grave problema de saúde que afeta principalmente as mulheres.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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iSaúde Bahia – O que é o carcinoma ductal in situ? Para quem desenvolve esse problema, há dilemas sobre qual o tratamento mais adequado a ser escolhido?

Clarissa Mathias, Maria Cecília Mathias Machado e Roberto Mathias Machado – O carcinoma ductal in situ é uma proliferação neoplásica em que a proliferação celular está restrita ao epitélio dos ductos das glândulas mamárias.

O tratamento mais adequado para o carcinoma ductal in situ é a cirurgia, e o grande debate atual é a necessidade de tratamento radioterápico adjuvante que, no momento, continua sendo o estado da arte, mas encontra-se em estudos se existe necessidade dessa complementação em todos os casos. Se a paciente expressar receptores hormonais, existe indicação em conjunto com tamoxifeno por cinco anos, objetivando, assim, reduzir o risco de nova neoplasia no parênquima mamário remanescente.

Uma das perguntas que podem ocorrer é se o carcinoma ductal in situ pode se espalhar? Ele pode metastisar? A resposta é que não existe possibilidade de metástase se o carcinoma for apenas in situ. O que pode acontecer é a existência de áreas de invasão não detectadas em um exame inicial.

Outra questão é se há alguma classificação para esse tipo de câncer, alguma escala. Sim, existe a classificação do carcinoma ductal in situ em cribriforme, micropapilar, apócrino, comedo, com comedonecrose, papilar e sólido, assim como a classificação, de acordo com a diferenciação, em baixo grau, grau intermediário ou alto grau; em grau nuclear 1, 2 ou 3; ou, ainda, em taxa mitática alta, intermediária ou baixa.

Por fim, outra dúvida é se pode ter algum outro tratamento depois do procedimento cirúrgico. Se o paciente expressar receptores hormonais, existe, sim, indicação de tratamento adjuvante, com tamoxifeno, para reduzir a recidiva no parênquima mamário.

iSB – Quais são os fatores de risco que podem contribuir para que uma mulher desenvolva o câncer de mama?

Clarissa Mathias, Maria Cecília Mathias Machado e Roberto Mathias Machado – Muitas vezes, quando falamos de câncer de mama, as pessoas pensam apenas na predisposição genética como fator de risco. Entretanto, apesar de ser uma variável importante, não podemos nos esquecer de outras questões como, por exemplo: tabagismo, obesidade, consumo de bebida alcoólica, menopausa tardia, menarca precoce, nunca ter amamentado e nunca ter engravidado. 

iSB – Os estudos tratam da relação desses fatores com as causas genéticas, sobre o quanto eles são necessários para que alguém, nascido com a predisposição genética para esse câncer, de fato, venha a desenvolvê-lo?

Clarissa Mathias, Maria Cecília Mathias Machado e Roberto Mathias Machado – A predisposição genética relacionada ao desenvolvimento do câncer de mama está, prioritariamente, ligada a dois genes bastante conhecidos: o BRCA 1 e BRCA 2. Pacientes que possuem mutações genéticas nesses genes podem chegar a apresentar até 80% de risco de desenvolver câncer de mama e, em menor proporção, câncer de ovário ao longo da vida. Entretanto, é muito importante destacar que os hábitos de vida também podem ter uma contribuição muito importante no desenvolvimento de câncer. Deve-se suspeitar desses tipos de mutações genéticas quando há história familiar de câncer de mama precoce na família, principalmente em parentes de primeiro grau.

iSB – Qual a importância do diagnóstico precoce? Há medicamentos ou tratamentos que podem ser usados para a prevenção do desenvolvimento do câncer em quem tem a predisposição genética? Há algum risco de efeitos colaterais com o uso desses medicamentos?

"descobrir a existência do câncer em sua fase inicial é importante para uma melhor resposta ao tratamento com uma redução do risco para a transformação metastática da doença."

Clarissa Mathias, Maria Cecília Mathias Machado e Roberto Mathias Machado – Pode-se afirmar que o diagnóstico precoce é um verdadeiro aliado no combate ao câncer de mama. Afinal, descobrir a existência do câncer em sua fase inicial é importante para uma melhor resposta ao tratamento com uma redução do risco para a transformação metastática da doença.

Em pacientes portadores de BRCA 1 e 2, existe indicação de mastectomia profilática bilateral. Não há nenhum tratamento medicamentoso aprovado para a prevenção do câncer de mama. Entretanto, sabe-se que a prática de exercícios físicos e um estilo de vida saudável contribuem muito para uma redução nos riscos de desenvolvimento da doença. Além disso, deve-se realizar exames de rastreio nos momentos e nas situações adequadas. 

iSB – Quais exames de laboratório podem ser usados para fazer esse diagnóstico?

Clarissa Mathias, Maria Cecília Mathias Machado e Roberto Mathias Machado – Não existem exames laboratoriais que detectam precocemente o câncer de mama.

iSB – O que é a cintimamografia? Sua eficácia já está comprovada?

Clarissa Mathias, Maria Cecília Mathias Machado e Roberto Mathias Machado – A cintimamografia é um método de exame não invasivo capaz de detectar lesões, principalmente em casos de uma mamografia questionável. Esse método baseia-se na absorção pelas células de um radiofármaco e essa absorção é detectada e transformada em imagem. Células de tumores malignos tendem a absorver maiores quantidades desses radiofármacos, devido à sua maior vascularização, se comparadas a células saudáveis. Portanto, é possível diferenciar, em um primeiro momento, lesões malignas e benignas.

A eficácia da cintimamografia já está comprovada? Sim, a eficácia é comprovada, mas, atualmente, existem outros métodos mais recentes, como a ressonância magnética da mama, que é mais sensível e mais específica.

iSB – O que são e qual a relação entre cirurgia conservadora, mastectomia e cirurgia oncoplástica?

Clarissa Mathias, Maria Cecília Mathias Machado e Roberto Mathias Machado – A cirúrgica conservadora visa a conservar a maior quantidade de tecido mamário possível, retirando apenas a porção da glândula que está acometida por doença neoplásica. A mastectomia visa retirar toda a glândula mamária e é usada para casos de invasão tumoral de glândula mamária ou como medida preventiva em pacientes de alto risco. Já a cirurgia oncoplástica baseia-se na reconstrução mamária durante ou pós-cirurgia de caráter terapêutico. Portanto, todas essas variações cirúrgicas devem ser analisadas de acordo com cada caso.

iSB – Pode mencionar e explicar algumas das terapias-alvo consolidadas e recentes no tratamento ao câncer de mama?

Clarissa Mathias, Maria Cecília Mathias Machado e Roberto Mathias Machado – As principais terapias-alvo para o câncer de mama baseiam-se principalmente no desenvolvimento de anticorpos monoclonais contra receptores no tecido tumoral. Exemplos desses anticorpos são o transtuzumabe e o pertuzumabe, que visam à inibição de receptores HER2. Esses receptores, que estão nas células tumorais, ao serem inibidos, impedem o crescimento e a proliferação das células malignas. 

Além disso, temos o anti-TDM1, que é constituído de um anti-HER2 associado a um componente quimioterápico. Desse modo, além de agir nos receptores HER2, esse medicamento atinge outras células, gerando um maior espectro de defesa contra o câncer.

iSB – Sobre a disseminação do câncer de mama para os ossos, a medicina tem alcançado algum avanço contra isso?

Clarissa Mathias, Maria Cecília Mathias Machado e Roberto Mathias Machado – No momento, existe o controle de eventos ósseos em pacientes com risco de desenvolvimento de metástases ósseas ou em pacientes que já possuem esse tipo de metástase. A exemplo desses tratamentos, tem-se o ácido zoledrônico e o inibidor de RANK-L (denuzumabe) que, de forma resumida, estimulam os osteoblastos (células encontradas na matriz óssea) para a manutenção da integridade óssea.

iSB – O câncer de mama em homens é muito raro?

Clarissa Mathias, Maria Cecília Mathias Machado e Roberto Mathias Machado – O câncer de mama em homens é muito mais incomum quando comparado à incidência em mulheres. Isso ocorre, principalmente, pela maior exposição feminina ao estrógeno, que acaba aumentando a probabilidade de crescimento celular neoplásico no tecido mamário. Portanto, esse tipo de câncer não deve ser ignorado pelos homens. 

Existe autoexame para câncer de mama em homem? Não há recomendação formal para realização de autoexame para homens, mas eles devem procurar atenção médica.

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Saiba Mais

    Fatores de risco do câncer de mama

    Tabagismo, obesidade, consumo de bebida alcoólica, menopausa tardia, menarca precoce, nunca ter amamentado e nunca ter engravidado.