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Publicada em 10/04/2019 às 22h01. Atualizada em 10/04/2019 às 22h05

Crianças podem fazer cirurgia ortognática?

Quedas e acidentes podem ser indicativos para a realização do procedimento cirúrgico. Saiba mais.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Muito se fala de cirurgias de face e maxilares. As famosas cirurgias ortognáticas hoje já são do conhecimento de muitas pessoas que escolhem esse caminho a fim de corrigir disfunções mastigatórias e até desarmonizações estéticas da face. Porém, o que pouca gente sabe é que elas também podem ser realizadas em casos de acidentes e traumas com crianças. Para saber mais sobre esses casos, o iSaúde Brasil conversou com o cirurgião bucomaxilofacial, Dr. Eduardo Andrade. Fique por dentro!

iSaúde Brasil – As quedas são fatores muito comuns que causam traumas faciais em crianças, devido ao alto índice de brincadeiras e prática de atividades físicas. Qual é o primeiro procedimento a ser realizado quando uma criança sofre uma queda e quebra algum osso da face?

Dr. Eduardo Andrade – Qualquer queda em pacientes jovens ou idosos pode gerar fraturas na face. No momento do traumatismo, o mais indicado é que o atendimento seja rápido e, mesmo não havendo algum sinal de que houve fratura na face, conduzir o paciente ao pronto-socorro mais próximo, para ser feita avaliação pelo especialista e afastar possíveis lesões que não geram deformidades. 

iSaúde Brasil – Existem cuidados extras que precisam ser tomados no momento da realização de cirurgia ortognática em crianças?

Dr. Eduardo Andrade – A cirurgia ortognática tem sua maior indicação em pacientes que já terminaram o período de desenvolvimento. Porém, alguns casos em especial podem ser submetidos ao procedimento antes do término do crescimento ósseo. Os cuidados são os mesmos associados ao procedimento em pacientes adultos, portanto a técnica não sofrerá mudanças. 

iSaúde Brasil – Muitas crianças começam a desenvolver problemas de desequilíbrio entre maxilar e mandíbula logo cedo. Algumas aos 2 anos de idade. Nesses casos, a cirurgia já pode ser considerada ou há uma idade mínima adequada para realizar o procedimento? 

Dr. Eduardo Andrade – Se for identificada a evolução de um caso de discrepância facial em pacientes jovens, existem meios não cirúrgicos para tentar reduzir, ou até mesmo resolver, a discrepância. Como, durante o desenvolvimento, há crescimento ósseo, o mesmo pode ser capaz de ser modulado para evitar a progressão de uma discrepância.

iSaúde Brasil – A cirurgia ortognática pode corrigir deformidades dentofaciais? E quais hábitos ou situações podem levar ao desenvolvimento dessas deformidades?

Dr. Eduardo Andrade – O desenvolvimento de uma discrepância é multifatorial. Pode ser genético ou sofrer fatores ambientais que levam a mudanças no crescimento ósseo. A cirurgia ortognática atua justamente na correção de qualquer tipo de deformidade adquirida ou presente no paciente.

iSaúde Brasil – Além de possibilitar a simetria facial, a cirurgia ortognática previne quais problemas?

Dr. Eduardo Andrade – O principal objetivo cirúrgico é devolver função mastigatória, fonatória e respiratória ao paciente, assimetria e estética são consequências do procedimento. Além dessas repercussões, alguns pacientes apresentam a apneia do sono grave e problemas da articulação temporomandibular, que podem também ser resolvidos via cirurgia ortognática. 

iSaúde Brasil – Quais as recomendações necessárias para o paciente no período do pós-operatório? Quando se trata de crianças, há maiores restrições sobre o que não fazer?

Dr. Eduardo Andrade – O pós-operatório deve ser bastante reservado, como serão feitas fraturas nos ossos da face, mesmo estando fixadas com placas e parafusos, são necessários repouso e diversos cuidados para que o pós-operatório seja confortável e previsível. Portanto, o repouso, a alimentação pastosa, a medicação, a fisioterapia e a fonoterapia estão no pacote de cuidados necessários ao paciente que sofrerá esse procedimento

iSaúde Brasil – A anestesia geral aplicada no momento da cirurgia é a mesma para crianças e adultos?

Dr. Eduardo Andrade – É um procedimento feito sob anestesia geral, independentemente de o paciente ser adulto ou criança. 

iSaúde Brasil – Existem situações em que a criança não pode fazer a cirurgia ortognática?

Dr. Eduardo Andrade – Como havia falado, geralmente, essa é uma cirurgia feita em pacientes que já cessaram o crescimento ósseo ou estão no fim desse período. Porém, como toda cirurgia, temos contraindicações relativas. Por ser um procedimento eletivo, devemos avaliar totalmente os riscos de submeter um paciente a esse procedimento, portanto os riscos devem ser minimizados.

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