podcast do isaúde brasil

Publicada em 25/10/2011 às 14h01. Atualizada em 10/11/2014 às 11h33

Doença Falciforme: um problema de todos!

Saiba mais sobre a realidade do paciente de anemia falciforme na Bahia e no Brasil.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A doença falciforme é umas das doenças genéticas mais comuns no Brasil. Ela altera a hemoglobina, molécula responsável por transportar o oxigênio dos pulmões para os tecidos. Essa alteração induz uma mudança no formato das hemácias (forma de meia lua ou foice, daí o nome falciforme) e provoca a anemia crônica e a dificuldade dessas células para circularem pelos vasos sanguíneos, podendo causar dores no corpo, infecções, comprometimento crônico de múltiplos órgãos. 

Essas alterações genéticas surgiram em locais como a África, Ásia e parte da Europa. No Brasil, trazida pelo tráfico de africanos escravizados, a doença falciforme é distribuída diferentemente entre as regiões, sendo mais frequente em locais com maior número de pessoas com descendência negra.

Calcula-se que a cada ano nasça de 700 a 1.000 indivíduos com doenças falciformes no Brasil. Na Bahia é o lugar onde tem a maior concentração da população negra do país, portanto é o estado que tem maior prevalência da doença falciforme. Para cada 650 crianças nascidas vivas, uma tem anemia falciforme. Os números sobre a incidência da doença indicam que ela deve ser considerada um problema de saúde pública.

Anemia falciforme é uma doença de maior prevalência entre os negros, dentre eles, aqueles inseridos nos segmentos sociais mais pobres da sociedade estão mais expostos às piores condições de vida, trazendo consequências à saúde.

A maioria das pessoas com a doença não tem acesso a um serviço de saúde de qualidade que acaba prejudicando o tratamento. Elas ainda enfrentam o desconhecimento sobre a doença por parte de alguns profissionais da saúde. A maior parte dos adultos portadores da doença teve o diagnóstico tardio o que compromete sua qualidade de vida, pois a descoberta precoce facilita o tratamento e acompanhamento da doença.  

A falta de tratamento implica em uma série de complicações na vida do portador. Tais sintomas podem comprometer a capacidade de trabalho e expectativa de vida dos portadores da doença, por isso é de grande importância promover programas que atendam às suas necessidades.

Na década de 1990, movimentos sociais reivindicaram a construção de políticas públicas de saúde que atendessem a necessidade da população negra. Em 2005, o Ministério da Saúde implantou a Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme e outras Hemoglobinopatias e, no mesmo ano, a prefeitura de Salvador estabeleceu o Programa de Atenção às Pessoas com Doença Falciforme.

O Programa do município de Salvador tem como objetivo a identificação da realidade epidemiológica de doença; definir serviços de referência para o diagnóstico e tratamento; garantir atendimento integral; ampliar o acesso das pessoas aos serviços; melhorar a qualidade do diagnóstico e disponibilizar kit básico de medicamentos específicos para o tratamento. Salvador possui hoje 12 centros de referência para tratamento da doença.  Os locais para atendimento são: 

15º Centro de Saúde Eduardo Araújo (Vale das Pedrinhas);

14º Centro de Saúde Mário Andréa (Sete Portas);

6º Centro de Saúde Dr. Rodrigo Argolo IV (Beirú/ Tancredo Neves);

Centro de Saúde Nelson Piauí Dourado (Águas Claras);

Centro de Saúde Carlos Gomes;

Unidade de Saúde Ministro Alkimim (Massaranduba);

Unidade de Saúde Marechal Rondon;

Centro de Saúde Adroaldo Albergaria (Periperi);

7º Centro de Saúde Prof. José Mariani (Itapuã);

3º Centro de Saúde Prof. Bezerra Lopes (Liberdade);

Centro de Saúde 7 de Abril;

12º Centro de Saúde Cecy Andrade (Imbuí).

 O Programa estadual, implantado em 2009, visa organizar a rede de assistência. Tais redes têm o APAE de Salvador que atende crianças até os 7 anos de idade, o Hospital das Clínicas e o HEMOBA que, além de atender crianças e adultos de Salvador, recebe pacientes do interior do estado.

 Depois de cem anos do primeiro diagnóstico, só em 2005 foi implantado o programa municipal. Sendo um programa recente, a maioria da população (principalmente os portadores da doença) ainda não sabe da sua existência. A falta de informação dificulta o acesso das pessoas com doença falciforme, gerando uma baixa adesão ao tratamento e consequentemente implicando em uma má qualidade de vida.

Diferentemente de outros estados, como São Paulo, a Bahia ainda não tem um hospital de referência em doença falciforme. A qualquer intercorrência mais grave, o paciente poderá ser encaminhado às unidades de referência (listadas acima) que atendam emergência ou hospitais do estado.

Podendo ser diagnosticada através do Teste do Pezinho, a assistência deve ser iniciada logo nos primeiros meses de vida. Para o adulto, sem  o diagnóstico precoce, existe o exame chamado eletroforese de hemoglobina que vai identificar se a pessoa tem o traço ou é portadora da doença.

 É de suma importância que o portador e os familiares se preparem para o autocuidado, assumindo medidas preventivas como: estar com vacinas em dia; hidratação adequada; exercício físico moderado; boa alimentação (incluir vegetais verdes). O autocuidado e o acesso ao tratamento de qualidade levarão às pessoas com doença falciforme, uma melhoria na qualidade de vida e na longevidade. 

Fonte: SMS, ABADFAL, SESAB E MS. 

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