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Publicada em 23/07/2019 às 16h57. Atualizada em 26/07/2019 às 12h45

Doenças Renais: como enfrentar o problema que é comum entre os brasileiros?

Saiba quais doenças acometem mais os rins e os principais cuidados que devemos ter para a boa saúde desses órgãos.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Com certeza você já ouviu falar em diálise e falência dos rins. Conversando com a médica nefrologista e professora do curso de Medicina da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Marília Bahiense Oliveira, passamos a saber mais sobre a saúde renal, cuidados e tratamentos. Confira a entrevista.

iSaúde Brasil - Quais são as doenças que mais acometem os rins?

Marília Bahiense Oliveira - Muitas condições, de diversas causas, podem acometer os rins. Diabetes mellitus, como doença única, é a mais comum. Hipertensão arterial, doenças autoimunes, doenças relacionadas a neoplasias (e seus tratamentos), complicações de cirurgias e gestação, infecções agudas ou crônicas, obstruções do trato urinário, são outras situações de risco de acometimento renal. 

iSaúde Brasil - Quais são as causas da insuficiência renal? E qual a diferença entre insuficiência renal aguda e crônica?

Marília Bahiense Oliveira - A insuficiência renal ocorre quando os rins não funcionam bem, seja agudamente, quando o problema potencialmente poderá ser revertido, ou cronicamente, quando não há recuperação no nível de função anterior. As causas da lesão renal aguda são diversas: infecções graves, generalizadas ou não, complicações cirúrgicas, complicações clínicas como piora das doenças que o paciente já tem (lúpus, insuficiência cardíaca, por exemplo), toxicidade por medicamentos (antibióticos, anti-inflamatórios, suplementos vitamínicos), glomerulonefrites. São inúmeras, portanto. A doença renal crônica pode-se desenvolver depois de um episódio agudo como os referidos acima ou pode ser uma condição de lenta progressão derivada das evoluções de diabetes, glomerulonefrites, doenças autoimunes, sejam elas hereditárias ou neoplásicas. 

iSaúde Brasil - Como identificar alterações nos rins a partir do exame de sangue?

Marília Bahiense Oliveira - Um exame de sangue muito simples e amplamente disponível, tanto na rede privada quanto pública, é o da creatinina no sangue. Há outros, mas eu diria que, para o conhecimento das pessoas em geral, é a creatinina. Na urina, o exame indispensável é o sumário de urina, também disponível com facilidade. 

"Na maior parte das vezes, a doença renal é assintomática. O paciente descobre em exames de rotina, quando uma hipertensão é identificada e o médico procura uma causa ou uma complicação que a justifique, por exemplo."

iSaúde Brasil - Quais outras formas de observar alterações sugestivas de doença renal? Quais os principais sintomas clínicos?

Marília Bahiense Oliveira - Na maior parte das vezes, a doença renal é assintomática. O paciente descobre em exames de rotina, quando uma hipertensão é identificada e o médico procura uma causa ou uma complicação que a justifique, por exemplo. O acompanhamento de rotina do urologista, do ginecologista e do médico clínico também pode ser um caminho para detectar. Seria interessante que todos os médicos, nas avaliações dos seus pacientes, incluíssem o exame de creatinina, porque os sintomas podem ser vagos, mesmo em casos já avançados, tais como náusea, cansaço, desânimo, inchaço nas pernas ou no corpo, alterações do sono e no ritmo urinário. 

iSaúde Brasil - Como funciona o tratamento de diálise? Em quais casos é necessário?

Marília Bahiense Oliveira - Diálise é uma forma de filtragem.  Toxinas que se acumulam quando os rins não são capazes de filtrá-las, são retiradas nesse processo. O líquido que se acumula no organismo, quando não mais são excretados, também é retirado. O tratamento dialítico, no entanto, envolve outras coisas além desse processo em si, como medicamentos para controlar as outras complicações, dieta, hábitos de vida, controle das doenças de base.

iSaúde Brasil - O que determina o paciente que faz diálise a entrar na fila de espera por um transplante?

Marília Bahiense Oliveira - Todos os pacientes que são admitidos no programa dialítico devem ser avaliados para o encaminhamento ao transplante. Não poderão ser encaminhados à avaliação para o programa aqueles que se recusarem ao procedimento ou aquele sem condições clínicas no momento (por exemplo, um paciente que está em tratamento para um câncer). Feito o encaminhamento, a equipe transplantadora fará as avaliações clínicas e pré-cirúrgicas, como por exemplo, se há dificuldade de compatibilidade do sangue do paciente com sangue de doadores, se o paciente tem condições cardíacas para enfrentar uma cirurgia, entre outros. Analisados esses critérios, é possível dar prosseguimento ao processo.

iSaúde Brasil - Quais principais cuidados o paciente com doença renal deve ter?

Marília Bahiense Oliveira - Primeiro, conhecer bem a doença. Conversar muito com o seu médico. Compreender os comportamentos que podem ajudá-lo, no seu caso específico, porque haverá casos em que o paciente deve se hidratar e, em outros, deverá restringir o uso de líquidos. As dietas e os tratamentos serão diferentes, caso a caso. Então, eu diria que a indicação é se informar bem sobre o seu caso, não somente com o médico, mas com o nutricionista, o enfermeiro, o psicólogo, o educador físico, os profissionais que cuidam dele. Quanto mais ele souber sobre a sua condição, mais poderá ser beneficiado e se ajudar também.

iSaúde Brasil - É possível reverter um quadro de doença renal?

Marília Bahiense Oliveira - Nos quadros de lesão renal aguda, é possível. Poderá ficar uma sequela, no entanto. Na doença renal crônica, a reversão não é mais possível. Isso não quer dizer que não haja tratamento.  

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