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Publicada em 02/07/2011 às 13h45. Atualizada em 02/07/2011 às 14h53

DST na adolescência: a maior arma é a informação

Uma boa relação entre pais e filhos, médico e paciente é o primeiro passo para uma boa educação sexual

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Os adolescentes parecem não estar seguindo as orientações, apesar do acesso a informações e a métodos anticoncepcionais de barreira.

A adolescência é uma fase de transição com muitas mudanças biológicas. É o momento de buscar identidade, autonomia, independência, vocação e conduta responsável para encarar a vida adulta. No meio disso tudo, surgem experiências sexuais muitas vezes sem a orientação adequada. Entre os resultados, gravidez não planejada e doenças sexualmente transmissíveis.

As DSTs representam um grave problema de saúde pública por suas repercussões médicas, sociais e econômicas. São também um fator de diminuição da fertilidade e incidência de casos de mães que perdem seus bebês. Os casos de doenças sexualmente transmissíveis vêm aumentando em todo o mundo entre adolescentes e os números divulgados estão bem abaixo das estimativas. Isso porque apenas a aids e a sífilis são de notificação compulsória, ou seja, têm que ser avisadas de que estão acontecendo.

Os adolescentes parecem não estar seguindo as orientações, apesar do acesso a informações e a métodos anticoncepcionais de barreira, distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde. Em 2010, um estudo realizado no serviço de Ginecologia da Infância e Adolescência da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública mostrou que 20% de meninas com idades entre 14 e 19 anos apresentavam frequentemente alguma DST. Em 80% dos casos, tratava-se de candida albicans e, em 40%, de trichomonas vaginallis.

Os estímulos para o sexo estão cada vez mais presentes no dia a dia. São letras de músicas, danças, programas de televisão. Por outro lado, na urgência do cotidiano, os pais encontram cada vez menos tempo para conversar com os filhos. A educação sexual então acaba sobrando para a escola ou para os amigos, quando deveria começar em casa, ser complementada pela escola e encaminhada por um profissional de saúde.

É fundamental que a família preste atenção nas mudanças que acontecem nessa fase do desenvolvimento. Quanto mais próximos estiverem pais e filhos, menores serão os riscos de informações indevidas, além de sempre ser possível perguntar alguma coisa. A internet também é uma boa fonte de consulta. O importante é que as dúvidas sejam sempre esclarecidas e dialogadas. Se necessário, sob intervenção médica.

Nas escolas, os programas disciplinares que envolvem sexualidade geralmente dão o assunto de forma mais ampla e sem espaço para tirar dúvidas. Para ampliar o assunto, fica a necessidade de complementar o que foi ensinado com projetos envolvendo profissionais da área. Participar de oficinas de educação sexual, bem como ter consultas médicas periódicas, dá aos adolescentes um espaço para conversar de forma mais pessoal. Bem-informados, eles podem prevenir as DSTs.


Na urgência do cotidiano, os pais encontram cada vez menos tempo para conversar com os filhos. A educação sexual então acaba sobrando para a escola ou para os amigos

Visão holística do problema

Mas afinal, o que colabora com a alta incidência e a prevalência de DST e de infecção pelo HIV em mulheres jovens? Fatores psíquicos, biológicos e socioeconômicos. Destacamos também como variáveis que parecem estar direta ou indiretamente envolvidas com a ocorrência de DST: renda familiar, grau de escolaridade, situação conjugal, uso de drogas, pessoas com quem mora, relação com os pais e história de violência familiar.

A abordagem deve ser feita por uma equipe multidisciplinar, que inclui psicólogo, assistente social e profissionais da área de saúde. Para o atendimento, algumas estratégias são fundamentais: definir corretamente a categoria de exposição ao agente infeccioso é a primeira delas.

Também é fundamental saber se houve abuso sexual, se a adolescente está grávida e qual grau de envolvimento familiar. Há providências legais que devem ser tomadas, seguindo o Estatuto da Criança e do Adolescente. No que diz respeito a atitudes sanitárias, é preciso fazer a notificação compulsória aos serviços de saúde pública. Isso abre um importante precedente de  natureza ética, que muitas vezes é conflitante com os interesses da adolescente.

Outras variáveis como história menstrual, sexual e obstétrica devem ser investigadas, pois mostram, de alguma forma, o comportamento sexual das adolescentes. A orientação médica deve começar antes mesmo da primeira menstruação. É o momento de falar sobre medidas de higiene e conhecimento do próprio corpo.

Um pouco depois da adolescência, o médico deve falar sobre orientação sexual e contraceptiva e isso fortalece a relação com o paciente. A família deve ser incluída na consulta como colaboradora. Cabe aos pais complementar sempre a relação do médico com o paciente, obviamente respeitando os limites de pudor e sigilo médico. Diante da suspeita de DST, exames devem ser realizados. Eles confirmam o diagnóstico e determinam o tratamento adequado.

A dupla proteção é uma orientação que deve ser frequente em se tratando de pacientes jovens. O uso de camisinha e da pílula anticoncepcional juntos garante maior segurança. Como crítica, fica a necessidade de melhorias nos serviços de saúde especializados no atendimento de pacientes adolescentes. Da mesma maneira, é importante formar mais equipes multidisciplinares para tornar efetivas as medidas de prevenção de DST na adolescência.

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Problema de saúde pública

As DSTs representam um grave problema de saúde pública por suas repercussões médicas, sociais e econômicas. São também um fator de diminuição da fertilidade e incidência de casos de mães que perdem seus bebês.

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    Tel: (71) 3276-8200
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