podcast do isaúde brasil

Publicada em 18/10/2012 às 00h00.

Entrevista Especial – Dia do Médico

O cardiologista Dr. Luiz Agnaldo Pereira de Souza, em entrevista exclusiva ao iSaúde Bahia, comenta sobre a formação do médico, a função social da profissão, desafios e dificuldades.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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iSaúde Bahia - Qual a função social do médico?
 
Dr. Luiz Agnaldo - A função social do médico no conceito simplista seria a de salvar vidas. Este é o tipo de ação que a sociedade espera de alguém que ocupa dentro dela o Status de Médico. Acredito que a nossa função social seja a de auxiliar em todos os processos de melhora da qualidade de vida, na prevenção de enfermidades, no tratamento desta ou, quando vencidos pelas doenças, aliviar ao máximo o sofrimento dos enfermos.

iSB - Comente sobre a formação do médico.
 
Dr. Luiz Agnaldo - Pelas dificuldades junto ao Ministério da Educação (MEC) de se montar um curso de medicina no Brasil, inclusive pelo seu elevado custo, dificultou-se a proliferação de cursos com baixo nível profissional, mantendo em parte a formação do médico ainda resguardada, com poucos cursos em relação à quantidade de jovens que buscam a carreira de médico.
 
A escolha da medicina ainda representa o sonho de estabilização financeira, status social e facilidade de inserção no mercado de trabalho, principalmente em países em desenvolvimento econômico como o Brasil. Porém, esta carreira impõe ao jovem um elevado grau de responsabilidade e, como professor, tenho percebido que eles sentem este grau de cobrança, seja no processo seletivo altamente competitivo, na longa formação médica de aproximadamente 10 anos ou no “peso” do “ser Médico”, dentro de nossa sociedade.

iSB - Quais as principais dificuldades da categoria?
 
Dr. Luiz Agnaldo - Apesar da tendência a sempre respondermos a esta pergunta com o relato de dificuldade financeira de uma categoria, não acredito ser esta a principal dificuldade dos médicos, os quais podem com múltiplos vínculos trabalhistas, auferir um retorno financeiro satisfatório, quando a atividade médica é comparada a outras profissões. Mesmo para aqueles que trabalham com saúde suplementar, onde os planos de saúde determinam quanto, como e quando eles vão receber, ainda assim, o retorno financeiro pode ser razoável. Acredito que as maiores dificuldades são a elevada carga de trabalho e o alto nível de exigência profissional da sociedade para com o médico e dele consigo mesmo, gerando em muitos a ansiedade, a angústia, e a depressão.

iSB - Como é hoje lidar com o paciente do Dr. Google? Aquele que busca no Google respostas médicas para sintomas, busca remédios etc.
 
Dr. Luiz Agnaldo - Em minha opinião, existem vantagens e desvantagens. As vantagens estão nos pacientes de bom nível cultural que sabem utilizar corretamente o instrumento de pesquisa de maneira mais avançada, sendo capazes de filtrar as respostas, entendendo melhor o seu problema e indo para uma consulta com um maior conhecimento de sua doença, transformando este momento em um ambiente salutar de esclarecimento de dúvidas e elucidações. Por outro lado, se a busca for realizada de forma aleatória, como é na maioria dos casos, o paciente poderá ficar ainda mais perdido no entendimento do seu caso específico. Devemos lembrar que uma mesma doença poderá ter diversos cursos e que cada paciente sempre é único.


iSB - O que acha de um site como o iSaúde Bahia; no que ele pode ajudar o paciente e o médico?

Dr. Luiz Agnaldo - Acho uma importante ferramenta para o processo descrito acima, sendo específico para as buscas na área de saúde, minimizando as desvantagens da busca aleatória na internet. Além disso, pode promover “saúde” através das redes sociais, ampliando ainda mais sua capacidade de ação.

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