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Publicada em 29/10/2019 às 00h00. Atualizada em 29/10/2019 às 15h26

Febre reumática, uma doença que põe o coração em perigo

A cardiologista Dra. Marta Silva Menezes nos explica qual é a relação da ocorrência dessa doença com as condições socioeconômicas dos infectados, quais são os principais sintomas e os tipos de tratamento.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A febre reumática, também conhecida como reumatismo cardíaco, é uma doença inflamatória, consequente à infecção por uma bactéria, o Streptococus beta hemolítico, que determina reação autoimune em pessoas susceptíveis. É uma doença que pode atingir indivíduos de qualquer idade, sendo porém, mais frequente na infância. 

"Embora possa ter manifestação branda, muitas vezes passando despercebida, em geral a pessoa inicialmente tem uma dor de garganta e febre".

 

Embora possa ter manifestação branda, muitas vezes passando despercebida e, em geral a pessoa inicialmente tem uma dor de garganta e febre. Após cerca de duas semanas, passa a apresentar dor e inchação migratória nas grandes articulações, ou seja, uma inchação que melhora em uma articulação e aparece em outra. Na fase aguda, além das articulações, também o coração pode ser comprometido, muitas vezes, de forma grave. Esta primeira crise, que pode se repetir quando ocorre nova exposição à bactéria, compromete as válvulas do coração, podendo levar a lesões graves. A válvula comprometida e o tipo de lesão determinam sintomas como falta de ar, dor no peito, tontura, palpitações, podendo levar inclusive à morte.

“A válvula comprometida e o tipo de lesão determinam sintomas como falta de ar, dor no peito, tontura, palpitações, podendo levar inclusive à morte”.

A cirurgia cardíaca para troca das válvulas pode ser necessária e é, muitas vezes, salvadora. Infelizmente, porém, a cirurgia cardíaca não resolve definitivamente o problema, pois, ao trocar a válvula natural pela artificial, o paciente adquire outra doença. Isso ocorre porque, caso seja escolhida uma válvula metálica, existe a necessidade de uso de medicações para que o sangue não coagule, para evitar a ocorrência de formação de trombos, o que pode determinar complicações hemorrágicas. Caso a opção seja por valva (que é a estrutura anatômica que permite o escoamento de um líquido em um único sentido) biológica, por outro lado, existe a necessidade de nova cirurgia para nova troca, em média, a cada 10 anos.

Caso o paciente tenha lesão valvar reumática crônica, tendo sido ou não submetido à troca da válvula, a cada nova infecção existe a possibilidade de agravamento ou comprometimento de outra válvula, sendo necessário o uso continuado e rigoroso daquilo que chamamos de profilaxia, que é o uso de medicamento que previne nova infecção. A profilaxia é realizada com uso de antibiótico, a penicilina benzatina, que é aplicada a cada 21 dias, de forma continuada. Essa é uma medida eficaz para o controle dessa doença, porém, vários motivos têm sido descritos como determinantes na baixa adesão a esse tratamento, como a falta de entendimento do paciente sobre a importância da realização da profilaxia, a dificuldade para acesso ou mesmo a aplicação da injeção.

A ocorrência da febre reumática está relacionada a condições socioeconômicas desfavoráveis, podendo ser explicada pelo maior aglomerado de pessoas residindo em um mesmo ambiente, o que facilita a contaminação, e agravada pela dificuldade de acesso ao tratamento adequado para erradicação da bactéria. É uma doença que está em declínio em todo o mundo, especialmente em países desenvolvidos, porém, ainda é muito presente no Brasil. É necessário que haja atenção especial aos seus aspectos diagnósticos e preventivos, uma vez que ela compromete de forma grave a vida de pessoas jovens e produtivas e que pode ser evitada.

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