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Publicada em 02/09/2019 às 12h12. Atualizada em 03/09/2019 às 11h24

Herpes labial: causas, sintomas e tratamentos

Muito mais popular do que se imagina, o herpes labial costuma se manifestar com lesões bolhosas na região dos lábios, órgãos genitais e áreas próximas.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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O herpes simples representa a doença viral mais comumente encontrada na sociedade, perdendo apenas para as infecções respiratórias. Seu nome provém da palavra latina “herpein”, que significa “aquilo que irrompe de surpresa”, o que remete ao característico aparecimento de lesões bolhosas e vesiculares em região dos lábios, órgãos genitais e áreas próximas. O agente causador do herpes simples é o vírus HSV (herpes-vírus simples), que é classificado em HSV-1 e HSV-2. Desses, o HSV-1 está mais associado às manifestações herpéticas em região orofacial, enquanto o HSV-2 está relacionado às áreas genitais. Contudo, devido ao comportamento sexual, o vírus tipo 1 pode invadir quadros genitais e o tipo 2, quadros orais e periorais.

- Mas como adquirimos o herpes labial? Como a doença se manifesta? 

O HSV é adquirido no contato direto com secreções (saliva, prurido) ou regiões infectadas, e essa transmissão pode ocorrer tanto nos períodos de maior risco, em que a doença está ativa, quanto em períodos assintomáticos. Ou seja, um indivíduo pode ser infectado por uma pessoa que possui ou não os sinais prodrômicos do herpes labial. Comumente, o primeiro contato com o vírus se dá na infância, quando uma criança, por exemplo, é beijada por pais portadores do vírus, com consequente desenvolvimento da gengivoestomatite herpética primária.

Uma vez dentro do corpo humano, o HSV-1 leva cerca de 4 a 5 dias para incubação e, em 90% dos casos, a inoculação inicial ocasiona uma infecção assintomática que pode ser detectada apenas por meio da presença de anticorpos. Uma das grandes façanhas desse vírus, que justifica a sua recorrência, é a capacidade de penetrar a região subcutânea e migrar através dos nervos sensitivos para o nervo trigêmeo, permanecendo em estado de latência até ser reativado por fatores desencadeantes. Alguns desses fatores podem ser caracterizados como outras infecções, excesso de radiação solar, estresse, trauma local, alterações hormonais no período menstrual e quadros de imunossupressão. Sendo assim, medidas simples, como o uso de protetor solar labial pode auxiliar na prevenção da reinfecção.

Conhecer cada um dos estágios de manifestação do herpes simples labial pode auxiliar o portador quanto a medidas positivas durante o tratamento e, até mesmo, quanto à prevenção de infecções secundárias e agravamentos do quadro. Esses estágios são divididos em três: o primeiro é o prodrômico, em que surgem os primeiros sinais e sintomas da doença. Normalmente, a região do lábio, na qual irá surgir as bolhas e vesículas, fica dolorida e avermelhada, acompanhada de edema, ardência e queimação. Durante esse período, o portador pode ser capaz de prever em até 24h o aparecimento das lesões iniciais, sendo extremamente interessante que medidas terapêuticas adequadas sejam rapidamente iniciadas nesse estágio com o objetivo de evitar o surgimento dessas lesões clinicamente ativas; no segundo estágio, também chamado de clínico ativo, surgem as primeiras pápulas que, rapidamente, evoluem para vesículas e bolhas, que contêm líquido de exsudato inflamatório seroso em seu interior. Essas vesículas são acompanhadas por prurido e sensação dolorosa, especialmente durante o toque, movimentação ou trauma local. Além disso, esse estágio é extremamente contagioso em virtude da quantidade de vírus presente na região afetada. 

Ocasionalmente, as bolhas e vesículas podem romper e promover a liberação do exsudato citrino, sendo, portanto, aconselhado que o portador realize a limpeza das lesões rompidas com gazes ou lenços umedecidos descartáveis. Essa manipulação deve ser realizada cuidadosamente, pois pode acontecer de as lesões herpéticas labiais serem contaminadas por bactérias oriundas da saliva, ar ou das mãos do portador. Nessas situações, as vesículas e bolhas passarão a conter pus em seu interior, originando pústulas. O indivíduo infectado deve atentar-se a essa alteração, pois, possivelmente, a forma de tratamento da doença será modificada.   

Por fim, o período respiratório inicia-se quando as lesões vesiculares regridem em volume e o conteúdo seroso em seu interior é reabsorvido. O local agora passa a ser recoberto por escamas e crostas amareladas ou escurecidas que permanecem por cerca de 2 a 4 dias. Normalmente, as lesões herpéticas aparecem e regridem sem deixar cicatriz, mas um agravamento do quadro ou mesmo traumas locais podem gerar cicatrizes. Importante ressaltar que, nessa fase, apesar do número reduzido de carga viral, as lesões ainda são contagiosas, pois algumas pessoas permanecem liberando partículas virais.

 
Figura 1: Herpes labial no estágio clínico ativo.
Fonte: https://www.vidaativa.pt/a/herpes-labial/




 
Figura 2: Regressão das lesões vesiculares com o surgimento de áreas recobertas com escamas e crostas amareladas e/ou escurecidas. 
Fonte: https://www.atlasdasaude.pt/publico/content/infecoes-herpeticas


- Mas afinal, quem pode diagnosticar e tratar o herpes labial?

O diagnóstico deve ser feito estritamente por profissionais qualificados, que usarão de manobras para diferenciar o herpes de outras doenças semelhantes, além de serem capazes de estabelecer um tratamento adequado e individualizado para cada caso. Comumente, o tratamento de suporte consiste na aplicação tópica de géis e cremes antivirais, sendo imprescindível que o paciente realize essa aplicação com o auxílio de espátulas ou cotonetes e nunca com os dedos e mãos, para prevenir a inoculação da doença em áreas vizinhas ou outras infecções.

Alguns portadores realizam o rompimento das vesículas com agulhas ou outros instrumentos perfurocortantes para diminuir o curso de recorrência do herpes labial. Entretanto, essa manobra apresenta alto risco, pois, além do material que será utilizado, precisar estar estéril, pode acontecer a contaminação de outros locais após a liberação do líquido. Os profissionais podem prescrever também antivirais para reduzirem a carga viral e anti-inflamatórios e/ou analgésicos para aliviarem os sintomas da doença. 

Com base nisso, cabe ao paciente infectado pelo vírus herpes simples buscar diagnóstico e tratamento adequados, para que o tempo e novos episódios da doença sejam reduzidos. Além de buscar um profissional qualificado, o paciente deve sempre se conscientizar quanto à prevenção de autoinfecções e, especialmente, tentar reduzir ao máximo a contaminação de outras pessoas durante o período de maior carga viral da doença. 

Referências:

Geller M. et al. Herpes Simples: Atualização Clínica, Epidemiológica e Terapêutica. DST- J bras Doenças sex transm. 2012;24(4):260-6.  

Neri R. et al. Tratamento de Herpes Labial Recorrente Associada à Infecção: Relato de caso. Revista Bahiana de odontologia. 2014;5(1):73-9.

Arduino PG, Porter SR. Oral and Periodontal Herpes Simplex Virus Type 1 (HSV-1) Infection: Review of Its Management. Oral Dis. 2008;37(2):107.21.  

Tagliari NAB, Kelmann RG, Diefenthaler H. Aspectos Terapêuticos das Infecções Causadas pelo Vírus Herpes Simples Tipo 1. Perspectiva. 2012;36(133):191-201.

Santos PA. Infecções Herpéticas (dissertação). Porto: Universidade Fernando Pessoa; 2013.

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