podcast do isaúde brasil

Publicada em 27/08/2019 às 14h08. Atualizada em 02/09/2019 às 10h41

Líquen Plano: a doença de pele que também afeta a boca

De causa desconhecida, essa doença pode atingir a pele, mucosas, cabelos e unhas. Saiba mais.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
Compartilhe

Apesar da causa desconhecida, a manifestação do líquen plano pode estar associada a à predisposição genética, deficiência no sistema imune, diabetes mellitus, alergias, tabagismo e exposição solar. Para saber mais sobre o assunto, o iSaúde procurou o grupo de pesquisadoras liderados pela professora do curso de Odontologia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Alena Ribeiro Alves Peixoto Medrado. Confira aqui algumas orientações.

iSaúde - O que é Líquen Plano?

Pesquisadoras - O líquen plano (LP) é uma doença dermatológica inflamatória crônica, que pode afetar mucosas do corpo, em especial a mucosa da cavidade oral, sendo as mulheres, na faixa etária entre 30 e 60 anos, as mais afetadas.

Embora a sua causa permaneça desconhecida, é uma condição imunologicamente mediada, caracterizando-se por períodos de remissão e exacerbação, estando fortemente associada à predisposição genética, deficiência no sistema imune, diabetes mellitus, alergias, tabagismo e exposição solar.

iSaúde - Como o Líquen Plano se apresenta na pele?

Pesquisadoras - Na pele, a doença é descrita como Líquen Plano Cutâneo (LPC) e possui várias formas de apresentação clínica, como: hipertrófico, rubro-plano, placa e reticular. A mais comum é a reticular, que se apresenta como pequenas elevações de cor arroxeada, também denominadas pápulas violáceas, com linhas brancas finas e entrelaçadas (estrias de Wickham).

No corpo, os locais de maior acometimento são as extremidades, como os braços, pernas e a superfície de flexão dos pulsos. Esses acometimentos são acompanhados de sensações de coceira nas áreas afetadas.

iSaúde - De que forma o Líquen Plano se manifesta na cavidade oral?

Pesquisadoras - O Líquen Plano Oral (LPO) também possui apresentações variadas, cujas formas clínicas são classificadas em: reticular, bolhosa, papular, placa, atrófica e erosiva, sendo que esta última se mostra com maior potencial para a transformação maligna.

As principais formas de apresentação do LPO se dão por linhas brancas entrelaçadas, as estrias de Wickham, e áreas avermelhadas de ulcerações circundadas por linhas esbranquiçadas, pequenas elevações avermelhadas e bolhas, sendo a mucosa jugal (bochechas), língua, mucosa labial, vermelhão do lábio e gengiva, os locais nos quais o LPO ocorre com mais freqüência, de forma bilateral e simétrica.

iSaúde - E essa condição gera dor?

Pesquisadoras - Na maioria dos casos, o LP aparece de forma assintomática.
No entanto, na boca, se o paciente for acometido pelo LPO, nas formas bolhosa, atrófica ou erosiva, pode sentir um grande desconforto local, com uma condição dolorosa intensa, proveniente das ulcerações na mucosa oral, o que acaba por afetar a sua qualidade de vida.

iSaúde - Como se dá o diagnóstico do LPC e LPO?

Pesquisadoras - Devido à grande variação na forma de apresentação do LPC e LPO, estes podem ser confundidos com outras condições. Eczema e psoríase, por exemplo, compartilham muitas características clínicas com o LPC. Já o LPO apresenta semelhança clínica com lúpus eritematoso, carcinoma epidermoide, leucoplasia, reações liquenoides e lesões traumáticas. 

A depender do local acometido, pode-se estabelecer o diagnóstico clínico do LP. Podem ocorrer manifestações orais e na pele, caracterizando a associação do LPO e do LPC; ou somente acometer a pele, o que indica o diagnóstico de LPC, e somente a cavidade oral, denotando o LPO.

Dessa forma, o diagnóstico correto e preciso se faz necessário, por meio de exame clínico e por técnicas histológicas, nas quais é feita a análise histopatológica do tecido epitelial e conjuntivo, pela biópsia incisional. Exames laboratoriais a partir de amostra de sangue são inespecíficos para o diagnóstico de LP, sendo importantes exames voltados para o diagnóstico diferencial de outras doenças dermatológicas.

iSaúde - Qual é o tratamento do LPC e LPO? Tem cura?

Pesquisadoras - Sendo o LP uma doença crônica imunológica, não tem cura. O seu tratamento baseia-se no alívio dos sintomas, na melhora do sistema imune e minimização do impacto funcional na vida do paciente, de forma individualizada. Dessa forma, portadores de LP devem ser acompanhados com frequência pelo dentista e/ou dermatologista, a depender do local em que ocorreram as lesões, sendo indispensável a integração entre estas duas especialidades. É necessária a avaliação da regressão, persistência e/ou evolução das lesões, tanto de pele quanto de boca, além da avaliação dos cuidados com a higiene bucal.

Os medicamentos mais utilizados no tratamento são os corticosteroides de uso tópico, com aplicação diária, embora novas modalidades terapêuticas estejam surgindo com possibilidades de sucesso, como a ozonioterapia, laserterapia, ledterapia eterapia fotodinâmica, trazendo técnicas como a radiação de onda estreita ultravioleta B. Tais modalidades têm demonstrado resultados promissores na melhora do quadro de pacientes com LPC e LPO na prática clínica, embora a eficácia da ledterapia ainda não possua muitas evidências científicas.

Essas novas técnicas abrem espaço para a atuação de outras especialidades em conjunto com os profissionais médicos e/ou cirurgiões-dentistas, a exemplo do fisioterapeuta dermatofuncional, e vêm tornando-se uma forma de tratamento bastante promissora por entregar resultados satisfatórios e sem produzir os efeitos colaterais causados pelas medicações.

Compartilhe

Saiba Mais