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Publicada em 13/01/2020 às 16h13. Atualizada em 13/01/2020 às 16h34

Lugar de dentista também é no hospital!

Além de promover uma melhor higiene do paciente, a presença do profissional de saúde oral no ambiente hospitalar também é responsável pela prevenção de doenças, principalmente nas unidades de tratamento intensivo (UTIs).

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Certamente em algum momento de sua vida você já se deparou com alguém da família, vizinho, amigo ou até mesmo você internado em um hospital. Dentre os diversos integrantes da equipe multiprofissional de prestação da assistência hospitalar, você consegue se lembrar da presença de algum dentista? Provavelmente não! Isso acontece devido ao preconceito referente à prática odontológica no ambiente hospitalar, o que pode resultar na dificuldade ao atendimento integral do paciente. A Odontologia, especialidade da área da saúde, quando integrada ao hospital, permite melhor desempenho no compromisso de melhora da qualidade de vida do paciente internado.

Atualmente, a discussão sobre Odontologia Hospitalar se depara com alguns problemas que vão além do domínio profissional, contudo, vem ganhado espaço e superando bar¬reiras e preconceitos advindos da cultura hospitalar. Um dos pontos importantes a serem discutidos é a carência a respeito do cuidado da higienização bucal dos pacientes hospitalizados, tanto por parte dos profissionais quanto por parte dos próprios pacientes e seus acompanhantes.

Mas afinal, o que é a Odontologia Hospitalar? Segundo Camargo (2011), é uma prática que visa cuidados das altera¬ções bucais que exigem procedimentos de equipes multidisciplinares de alta complexidade ao paciente. De um modo geral, consiste no atendimento de pacientes cuja sua condição impossibilita ou contraindica o atendimento no âmbito ambulatorial, independente da causa.

A Odontologia Hospitalar na América começou a ser incrementada a partir da metade do século XIX, sendo reconhecida de forma gradual. No Brasil, foi legitima¬da em 2004 com a criação da Associação Brasileira de Odontologia Hospi¬talar (ABRAOH), que objetiva acompanhar a tendência da área de saúde e congregar colegas nos esforços de suas metas em promoção de saúde, educação do paciente, alta resolutividade e valorização do nicho de mercado, de maneira que seja notório a importância do cirurgião-dentista na esfera hospitalar, visto que a condição bucal está diretamente ligada com a evolução e a resposta do tratamento médico (Camargo, 2011).

Além da garantia de integralidade do atendimento ao paciente internado, a importância do cirurgião-dentista no hospital se justifica tanto pelo controle das infecções hospitalares como pela diminuição de custos, devido à redução na média de permanência hospitalar do indivíduo. Sabe-se que a pneumonia, doença pulmonar obstrutiva crônica, doenças cardiovasculares e partos prematuros, são algumas das complicações que podem decorrer de patógenos advindos da cavidade oral e podem levar até à morte do indivíduo. A pneumonia associada à ventilação mecânica (PAVM) é a infecção mais comum em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), sendo a má higiene bucal uma das causas mais comuns de desse problema em UTI. De acordo com a literatura científica, a melhora da higiene bucal e o acompanha¬mento por profissional qualificado reduz signifi¬cantemente o aparecimento de doenças respirató¬rias entre pacientes adultos considerados de alto risco e mantidos em cuidados paliativos e, princi¬palmente, os pacientes internados em UTI.

Neste contexto, o cirurgião-dentista tem o objetivo de rea¬lizar um exame clínico adequado no paciente hos¬pitalizado para avaliar se existe a presença de alguma alteração bucal e remover possíveis focos infecciosos atra¬vés de limpezas, restaurações, curativos, cirurgias, raspagens, prescrição de medicamentos, prevenir sangramentos e tratar lesões oriundas da cavidade oral, além de realizar tratamentos paliativos. Dessa forma, permite que o tratamento médico não seja interrom¬pido em decorrência de alguma alteração proveniente da cavidade bucal, o que permite que o paciente se recupere de forma mais rápida.

Além das enfermidades já citadas, o atendimento no âmbito hospitalar torna-se necessário para pacientes com doenças sistêmicas congênitas (deficiência mental ou comprometimentos neuromotores com envolvimento sistêmico, diabetes, displasias sanguíneas, síndromes e outras), adquiridas (HIV, tuberculose, hepatite, sífilis, neoplasias e outras) ou traumáticas (traumatismo bucomaxilofacial, cirurgia ortognática). Frente aos inúmeros casos em que o cirurgião-dentista necessita atuar neste ambiente, nota-se a relevância da presença deste tipo de profissional da saúde. 

A presença do dentista no hospital favorece a realização de procedimentos de pacientes com risco cirúrgico com maior segurança, além de permitir a solicitação de exames específicos e mais detalhados, facilitar o atendimento do paciente com impossibilidade de frequentar o consultório odontológico e de oferecer a possibilidade de acompanhamento clínico e tratamento específico e relacionamento integral entre equipe, paciente e instituição.

O cirurgião-dentista no ambiente hospitalar é uma concepção relativamente atual. O Projeto de Lei PLC 34, que determina a obrigatoriedade dos profissionais de Odontologia na UTI foi criado em 2013. Por conseguinte, os pacientes internados em UTI deveriam receber assistência odontológica prestada obrigatoriamente nessas unidades, pelo cirurgião-dentista ou outros profissionais devidamente habilitados para atuar na área, supervisionados por um dentista, tendo como finalidade proporcionar aos pacientes uma atenção integral, evitando quadro de infecções que possam interferir na melhora do quadro inicial. 

Atualmente a Odontologia Hospitalar enfrenta dificulda¬des que vão além do domínio profissional como o desafio do cirurgião-dentista em sair do conforto dos consultórios até a necessidade de sua aceitação no ambiente hospitalar junto à equipe multidisciplinar devido à sua importância na saúde bucal e geral do paciente. Contudo, é notório que a Odontologia Hospitalar no Brasil se encontra em uma curva ascendente, pronta para prestar os melhores serviços à comunidade brasileira.

Referências:

1. Aranega AM, Bassi APF, Ponzoni D, Wayama MT, Esteves JC, GarciJúnior IR. Qual a importância da Odontologia Hospitalar? Rev Bras Odontol 2012; 69(1):90-3.

2. Camargo EC. Odontologia Hospitalar é mais do que Cirurgia Bucomaxilofacial. Acesso em: 19/07/2011. Disponível em: www. jornaldosite.com.br/arquivo/anteriores/elainecamargo/artelaineca-margo98.htm

3. Godoi APT, Francesco AR, Duarte A, et al. Odontologia hospitalar no Brasil. Uma visão geral. Rev. Odontol. Unesp. 2009; 38(2):105-9.

4. Almeida RF, Pinho MM, Lima C, Faria I, Santos P, Bordalo C. Associação entre doença periodontal e patologias sistêmicas. Rev Port Clin Geral. 2006; 22(11):379-90.

5. Lopes DR. Odontologia hospitalar – uma realidade. Disponível em: jornal¬dehoje.com.br. Acesso em: 25 de maio de 2014.

6. Rabelo GD, Queiroz CI, Santos PSS. Aten¬dimento odontológico ao paciente em uni¬dade de terapia intensiva. Arq Med Hosp Cienc Med Santa Casa São Paulo 2010; 55(2):67-70.

7. Gaetti-Jardim E, Setti JS, Cheade MFM, Mendonça JCG. Atenção odontológica a pacientes hospitalizados: revisão da literatura e proposta de protocolo de higiene oral. Dental care to hospitalized patients.Rev Brasil Ciências Saúde 2013; 11(35).

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