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Publicada em 28/05/2013 às 00h00. Atualizada em 30/07/2014 às 12h06

Mortalidade Materna: um problema de saúde pública nos países em desenvolvimento

No dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, o Dr. Alexandre Dumas comenta o assunto.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A maioria das mulheres sonha com a maternidade e se prepara adequadamente para este momento, além de fazer um pré-natal durante o período gestacional, favorecendo a saúde da mãe e do bebê. No entanto, nem sempre a gravidez ocorre de forma planejada e a mãe procura acompanhamento médico. Por isso, é preciso que as mulheres fiquem atentas e procurem boa assistência pré-natal, além de manter os cuidados no pós-parto.

"... é preciso que as mulheres fiquem atentas e procurem boa assistência pré-natal, além de manter os cuidados no pós-parto".

 

Denomina-se morte materna (óbito materno) a morte de uma mulher durante a gestação ou até o 42º dia após o término da gestação, independentemente da duração ou da localização da gravidez. É causada por qualquer fator relacionado ou agravado pela gravidez ou por medidas tomadas em relação a ela. 

Não é considerada morte materna aquela que é provocada por fatores acidentais ou incidentais. Em virtude dos avanços da medicina, não se considera admissível a existência de razões de mortalidade materna (que é a relação entre as mortes maternas obstétricas diretas e indiretas e não especificadas com o número de Nasci dos Vivos e é expressa por 100.000 nascidos vivos) tão elevadas ainda existentes nos países em desenvolvimento e, sabendo dessa realidade, o Ministério da Saúde vem adotando uma série de medidas com a finalidade de reduzir esses índices,  sendo uma das estratégias a criação e apoio aos Comitês de Mortalidade Materna,  em nível nacional, estadual, regional, municipal e hospitalar. Os comitês contribuem na medida em que identificam as razões de mortalidade, as causas e os fatores que a determinam e propõem medidas com a finalidade de prevenir a ocorrência de nova morte. 

"Estima-se que na América Latina 28 mil mulheres morrem por ano em virtude de complicações na gravidez, no parto e no puerpério".

Em 1990 a Organização Mundial de Saúde estimou que aproximadamente 590.000 mulheres morressem em todo o mundo devido a complicações no ciclo grávido puerperal e apenas 5% desse total vivia em países desenvolvidos. Como exemplo, podemos citar a disparidade existente nas razões de mortalidade materna entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Sabe-se que  no Canadá e Estados Unidos os valores são inferiores a nove óbitos maternos para 100.000 nascidos vivos, enquanto que países como Bolívia, Peru e Haiti apresentam mais de 200. Estima-se que na América Latina 28 mil mulheres morrem por ano em virtude de complicações na gravidez, no parto e no puerpério. Admite-se ainda que 98% desse total seriam mortes evitáveis se as condições de nascimento fossem semelhantes às dos países desenvolvidos, concluindo-se então, ser a mortalidade materna um grande indicador não só da realidade socioeconômica de um país como também da qualidade de vida da sua população. Ainda em termos comparativos, Chile, Cuba, Costa Rica e Uruguai têm razões de mortalidade inferiores na América Latina, menores que 40, por 100.000 nascidos vivos. 

No Brasil existem fatores que dificultam de forma acentuada o monitoramento desses dados que são a subinformação e o sub-registro das declarações de óbito. O Manual dos Comitês de Mortalidade Materna - Segunda Edição - Brasília - 2002 registra a razão de mortalidade materna obtida de 64,8 óbitos maternos por 100.000 nascidos vivos sendo que os valores nas regiões Sul e Sudeste, 76,2 e 70 respectivamente e as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste com valores de 57, 07, 56,13 e 54,83 respectivamente, atribuindo-se as maiores taxas das regiões Sul e Sudeste a um melhor nível de informação, ou seja, a diminuição da subinformação e do sub-registro já mencionados. 

Finalmente vale salientar que as principais causas de morte são as obstétricas diretas (62,6%), sobressaindo-se as doenças hipertensivas, as síndromes hemorrágicas, as infecções puerperais e o aborto. Em virtude do exposto, entende-se que uma boa assistência pré-natal, atenção ao parto e pós-parto são os principais fatores para diminuição da razão de mortalidade materna em nosso país.

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