podcast do isaúde brasil

Publicada em 26/08/2019 às 17h00. Atualizada em 26/08/2019 às 17h04

O estresse pode ser bom?

Sabia que existe estresse bom e estresse mau? Conheça a diferença.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Sempre que palestro sobre o tema “Estresse", ressalto a importância de conhecermos os dois tipos dele: o Bom e o Mau. Geralmente, começo solicitando aos presentes que cruzem os braços, então observo-os e percebo que, quase sempre, a maioria cruza o braço direito sobre o esquerdo. Em seguida, eu agradeço e solicito que, por gentileza, descruzem os braços e, mais uma vez, voltem a cruzá-los, só que, dessa vez, de forma inversa, ou seja, com o braço esquerdo sobre o direito. Imediatamente, escuto risos e percebo as mais variadas expressões de dificuldade nos rostos, então concluo a dinâmica destacando a dificuldade das pessoas em mudar seus hábitos quando têm de fazer a mesma coisa só que de uma forma diferente.


Assim é a percepção da maioria da população quanto ao estresse. No mundo moderno e globalizado, a grande quantidade de informações e habilidades a que os treinamentos e educações continuadas nos submetem requerem o aumento da capacidade do nosso Hard Disc (HD) mental, o que torna equivocado apelidar tudo isso, suscintamente, de "estresse". 

Então vamos aqui dividir o estresse em BOM, cientificamente chamado de EUSTRESSE, e MAU, conhecido como DISTRESSE.  Sim, BOM e MAU! O estresse pode ser BOM, quando ele é impulsionador, exemplo: se você estiver na semana de um concurso, prova ou final de uma competição esportiva; e a outra situação é se você estiver atravessando uma rua distraidamente e um carro der um freio em sua frente, ou se você for à casa de um amigo e o Pitbull dele se soltar da corrente, ou, ainda, se estiver fazendo algo escondido e encontrar com a última pessoa que você não desejaria naquele momento, você certamente será ajudado pelo (EU)stresse, isto é, o estresse impulsionador, que fará mudanças rápidas nas suas atividades fisiológicas: descarregará uma dose de adrenalina no seu sangue, o seu coração baterá mais rápido, o seu pulmão também aumentará a frequência respiratória, a glicose estará em doses maiores, e você, subitamente, irá se sentir mais forte e mais rápido. Este será o momento em que o seu corpo estará preparado para a conhecida situação de "luta ou fuga", ou seja, o estresse bom – Eustresse, e ele poderá salvar a sua vida.

E quando é que o Eustresse vira Distresse? O grande problema do Eustresse é quando ele se torna constante, quando o tempo de exposição é longo. Imagine-se correndo do cachorro por uma semana. O corpo não aguenta viver tanto tempo com a adrenalina em alta, então aparecem os sintomas que caracterizam o indivíduo estressado: ele fala rápido, geralmente com voz alta, a paciência é curta ou nenhuma, ou seja, resume-se à famosa frase "tolerância zero", entra num perigoso ciclo de sono e vigília, no qual um retroalimenta o outro, dorme mal, acorda mais cansado e fica mais irritado pela carência do sono; com a tolerância diminuída, torna-se mais responsivo aos fatores estressores, como as contas a pagar, o trânsito, a falta de educação alheia, de reconhecimento de chefes, colegas de trabalho e clientes, remuneração inferior às expectativas ou demandas, problemas de relacionamentos com filhos, esposa/marido, parentes e vizinhos... Motivos não faltam, então é como se fôssemos um alarme de carro programado para, a qualquer estímulo, disparar.

Então, como constatamos no início deste texto, a primeira decisão é cruzar os braços de forma diferente, a saber, fazer as mesmas coisas só que de uma outra forma, por exemplo: não levar os problemas do trabalho para casa e vice-versa, tentar dormir mais cedo para aumentar a qualidade e quantidade do sono, já que acordar mais descansado vai permitir "aumentar o pavio", ou seja, não reagir aos problemas do trânsito, da falta de educação e outros fatores que nos convidam o tempo todo ao atrito. Dessa forma, chegaremos mais alegres ao trabalho e, depois, em casa, e o ciclo melhora sucessivamente. Permita-se a uma alimentação melhor, procure seguir orientações de um nutricionista, hoje a diversidade dos restaurantes por quilo oferece saladas e proteínas grelhadas, suco em lugar de refrigerante e frutas como sobremesas, em troca dos doces. Procure fazer, diariamente, uma atividade física, que pode ser uma simples caminhada com amigos até um bom programa de condicionamento com um personal trainer, massagens relaxantes, yoga, suporte com psicólogo entre outras terapias antiestresse e, por fim, recomendo, fortemente, a acupuntura, que, comprovadamente, estimula o cérebro a produzir hormônios e substâncias neurotransmissoras no sangue, as quais promovem no corpo o relaxamento e a sensação de bem-estar.

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