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Publicada em 18/06/2012 às 00h00.

O Laser – uma “ferramenta” ao alcance do profissional de saúde

Muito já se falou sobre o uso do laser em tratamentos de saúde. Mas o que você sabe sobre o assunto? Confira o artigo da Dra. Alena Ribeiro Alves Peixoto Medrado.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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"A esfera de atuação do laser é muito ampla e tem-se investigado sobre a sua contribuição no processo de reparo, particularmente no que diz respeito à sua influência na modulação de alguns tipos celulares que integram o microambiente da cicatrização". 

O uso da luz com finalidades terapêuticas, abrangendo os seus diferentes espectros, vem sendo defendido há séculos. Atualmente, grande ênfase tem sido dirigida ao emprego da irradiação laser de baixa densidade de potência, no intuito de promover uma cicatrização mais rápida e favorável, acentuando as respostas bioquímicas celulares e, desta forma, contribuindo para uma resolução significativamente mais eficaz do ferimento. Do ponto de vista tecnológico, diversos tipos de aparelhos emissores da luz laser vêm sendo desenvolvidos e testados, tanto experimentalmente, como na rotina clínica de inúmeras áreas de saúde, principalmente na medicina, fisioterapia e odontologia. A esfera de atuação do laser é muito ampla e tem-se investigado sobre a sua contribuição no processo de reparo, particularmente no que diz respeito à sua influência na modulação de alguns tipos celulares que integram o microambiente da cicatrização. 

Laser é o acrônimo de “Light amplification by estimuled emition of radiation”, ou seja, “luz amplificada por emissão estimulada de radiação”. Já no início do século XX, em 1917, Albert Einstein descreveu os princípios físicos da emissão estimulada de radiação. No ano de 1960, na Califórnia, o físico Theodore Mainam criou o primeiro aparelho de laser a rubi e no ano subsequente, foi realizada a primeira cirurgia oftalmológica com laser para remoção de um tumor de retina. Em 1961, Ali Javan desenvolveu o primeiro laser com finalidade terapêutica, um He-Ne com comprimento de onda de 632,8 nm (nanômetro). As aplicações clínicas do laser de baixa potência foram preconizadas por Mester, no ano de 1966, na Hungria, o qual publicou uma série de relatos de casos clínicos abordando a propriedade de bioestimulação sobre a cicatrização de úlceras crônicas de membros inferiores, utilizando lasers de rubi e de argônio. 

Durante as décadas de 1970 e 1980, embora o laser terapêutico mais usado fosse o do tipo He-Ne, começaram a ser desenvolvidos diodos laseres semicondutores, os quais exibiam um maior potencial de penetração tecidual e podiam operar nas formas contínua ou pulsada. Em 1981, surgiu o primeiro relato da aplicação clínica de um diodo laser As-Ga-Al em um estudo comparativo que visava avaliar a atenuação do quadro álgico de alguns pacientes. A partir dos anos 1990, foram introduzidos diferentes diodos laser, capazes de gerar uma ampla faixa de comprimentos de onda, constituindo-se em pequenos aparelhos, de fácil transporte e manuseio, e custo relativamente baixo.

"O laser é um tipo de onda eletromagnética que pode ser visível ou não, a depender do seu comprimento. Essa onda aporta uma alta concentração de energia e é constituída por muitos fótons". 

O laser é um tipo de onda eletromagnética que pode ser visível ou não, a depender do seu comprimento. Essa onda aporta uma alta concentração de energia e é constituída por muitos fótons. Neste âmbito, por meio da irradiação, a matéria é estimulada através do fornecimento de energia aos átomos que a constituem. 

Quando um fóton encerrando uma quantidade específica de energia, entra no campo eletromagnético dos átomos excitados pela energia previamente armazenada, uma parte dela é emitida através da criação de outro fóton idêntico ao primeiro. O fóton inicial não é absorvido, de modo que, tanto este, como o segundo gerado a partir dele, podem estimular outros átomos no meio laser a emitir a sua energia armazenada. Processa-se então, uma “avalanche” de luz, desencadeada por todos os fótons gerados com exatamente a mesma energia. Esta reação em cadeia dos fótons resulta em uma luz laser monocromática e coerente. A coerência, por exemplo, diz respeito à propagação ordenada das ondas eletromagnéticas ao longo do tempo e do espaço. Com relação à luz normal, o laser apresenta um paralelismo muito acentuado. As suas ondas eletromagnéticas exibem um mesmo sentido e direção, de modo que o ângulo de divergência do laser é muito pequeno. A emissão de uma radiação com uma linha espectral muito estreita, ou seja, com um comprimento de onda muito bem definido, constitui o que se reconhece por monocromaticidade. 

De acordo com a substância estimulada a emitir a radiação, pode-se obter diferentes tipos de luz laser. Foram propostas muitas classificações para os diversos tipos de laser existentes. Os lasers podem ser divididos em dois grandes grupos: os lasers não cirúrgicos, que se caracterizam por um tratamento de baixa intensidade, e os lasers cirúrgicos, por tratamento de alta intensidade. O meio ativo destes lasers pode variar e geralmente inclui material sólido, líquido, gasoso ou quaisquer um destes componentes associados um ao outro. 

Os lasers não cirúrgicos, também chamados de terapêuticos, não geram calor e são geralmente indicados para a melhoria da cicatrização, proporcionando efeitos analgésicos, antiinflamatórios e bioestimulantes, entre muitos outros benefícios. 

Confira: Alterações bioquímicas, celulares e moleculares promovidas pela laserterapia

 

Referências:

Referências:

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