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Publicada em 17/09/2019 às 15h21. Atualizada em 18/09/2019 às 08h41

Tentativa de suicídio: qual o papel da enfermagem?

Nesta segunda parte do estudo, os autores mostram o importante papel do cuidado com a saúde mental do paciente e o acolhimento de seus familiares nesse momento tão difícil. Confira.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Quanto ao cuidado de enfermagem, mesmo apresentando dados positivos, destaca-se a necessidade de qualificar o atendimento por meio da elaboração de protocolos assistenciais para os pacientes e seus familiares. Afinal, a enfermagem deve estar qualificada a prestar um atendimento ético, eficaz, reestabelecendo fisicamente o paciente à medida que fornece apoio psicológico priorizando a escuta qualificada e um cuidado livre de preconceitos ou julgamentos de valor.

Visualizou-se que a maioria das intervenções realizadas nos pacientes internados estavam ligadas a procedimentos técnicos como utilização de sondas gástricas para drenagem de substâncias nocivas, uso de medicação endovenosa por meio de cateter periférico, monitorização contínua e encaminhamento para exames havendo poucas intervenções associadas à saúde mental do  indivíduo, abordagem   familiar ou  cuidados multiprofissionais.

Nesse  contexto, é  fundamental  a  aplicação  de práticas desenvolvidas especificamente   para esse público, pois a  pessoa que tenta suicídio, ao receber  o primeiro atendimento em uma unidade de saúde, encontra-se em um momento de extrema vulnerabilidade.

"Nem todos os casos de suicídio podem ser prevenidos, entretanto, muitas vidas serão salvas se todas as pessoas que tentaram o suicídio forem adequadamente abordadas e tratadas."

Dispara-se a  necessidade de investimento em políticas públicas  que  supram  as carências  dos serviços de emergência  e  saúde  mental, visando melhores condições de trabalho para os profissionais em questão, assim como para os usuários, além de fortalecer a perspectiva de rede para garantir o acompanhamento dos grupos de risco. Nem todos os casos de suicídio podem ser prevenidos, entretanto, muitas vidas serão salvas se todas as pessoas que tentaram o suicídio forem adequadamente abordadas e tratadas.

Ainda é necessário aprofundar conhecimentos, visando a melhoria da prática de enfermagem voltada a tentativas de suicídio, pois se mostra insuficiente o investimento feito em capacitações e práticas de educação permanente para  esses profissionais, principalmente em unidades de  emergência. Além disso, o investimento em uma formação direcionada à saúde mental como aspecto transversal ao cuidado pode ser, em longo prazo, uma alternativa para revalorizar e ressignificar a assistência.

CONCLUSÕES

A maioria dos pacientes relatou  manter ideação suicida, estar  frustrado pela  falta de  valorização da  própria  vida. A coleta de dados, ao contrário do  que  se esperava,   não  se  mostrou dolorosa aos pacientes, mas converteu-se num momento de expressão, escuta e apoio interpessoal.

Pesquisas paralelas de caráter qualitativo podem ser desenvolvidas, o que favorece a promoção de ações que tornem menos prováveis, futuras tentativas.

AGRADECIMENTOS

Pelo apoio financeiro e institucional  à  Fundação Cearense de  Apoio ao Desenvolvimento  Científico e Tecnológico (FUNCAP) e à Santa Casa de Misericórdia de Sobral.

Leia a versão do ARTIGO CIENTÍFICO

Referências:

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