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Publicada em 19/08/2019 às 13h58. Atualizada em 19/08/2019 às 15h12

O papel do enfermeiro na redução da mortalidade materna

Prevenção com foco na atenção básica.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A Bahia no combate à mortalidade materna

"Na atenção básica, o enfermeiro é o principal responsável por medidas de eliminação dos riscos pertinentes à gravidez, ao parto e ao puerpério."

Na atenção básica, o enfermeiro é o principal responsável por medidas de eliminação dos riscos pertinentes à gravidez, ao parto e ao puerpério. Nesse sentido, durante o pré-natal, esse profissional deve garantir o acolhimento e acompanhamento necessários para que a gestante possa conduzir, de maneira saudável, a sua gestação.  Entretanto, esse acompanhamento também é imprescindível para a busca ativa das gestantes que não iniciaram ou abandonaram as consultas. Portanto, cabe ao enfermeiro, no cuidado pré-natal, criar estratégias para as gestantes, a fim de que elas compareçam às próximas consultas para a continuidade da assistência. É de grande importância ir além das consultas marcadas, utilizando, como estratégia de alcance, os grupos de gestantes com ações educativas sobre o período gestacional, o processo de vinculação à maternidade, a importância da consulta puerperal e a saúde bucal do binômio mãe e filho, além de explicar sobre as particularidades do aleitamento materno e do planejamento familiar, bem como as temáticas sugeridas por elas.

Sendo assim, para uma assistência qualificada, é imprescindível que haja a capacitação do profissional de enfermagem, para que se torne apto a prestar assistência digna à mulher ao longo do ciclo gravídico-puerperal, podendo essa capacitação ser complementada por uma especialização em enfermagem obstétrica.

A implantação dos Centros de Parto Normal proporcionou ao enfermeiro obstetra a capacidade de intervir em ações obstétricas desnecessárias, gerando sentimento satisfatório às parturientes, através da prestação da assistência humanizada e tratando a parturiente em seus aspectos psicossociais, o que, por sua vez, articula meios que podem reduzir o risco de mortalidade materno-infantil.

Nesse contexto, os altos índices de óbitos maternos apresentados neste estudo apontam a necessidade na redução dessas taxas de mortalidade, já que estas são um importante indicador da qualidade da assistência materno-infantil, tendo como principal aliado o enfermeiro, o qual promove medidas que visam à redução da mortalidade por meio de ações de promoção à saúde materna e prevenção de riscos inerentes à gestação. Tais ações estão embasadas por protocolos e manuais técnicos instituídos pelo Ministério da Saúde, que reconhece o enfermeiro como peça fundamental no progresso para a redução do perfil da mortalidade materna.

Considerações finais

Durante o período de 1990 a 2015, o mundo concentrava esforços para diminuir o índice global de mortalidade materna. Nesse contexto, o Brasil, a fim de atingir a meta estipulada no 5º ODM, implantou uma série de políticas e programas para a melhoria da assistência à saúde da mulher e, consequentemente, redução das taxas de óbitos maternos.

Frente aos objetivos de avaliar os índices de mortalidade materna na Bahia e em Salvador e a atuação do enfermeiro na redução dessas taxas, os resultados dessa pesquisa apontaram que, mesmo com o declínio dos óbitos maternos registrados e com as implantações das políticas, o índice ainda se mostra elevado na Bahia e em Salvador. Isso pode estar relacionado ao aumento da vigilância de óbitos, bem como ao aumento da população predisposta aos riscos inerentes à gravidez, além da fragilidade na cobertura de saúde da população pela ESF.

Verificou-se a importância da atuação do enfermeiro para a redução dessas taxas, pois a prevenção se dá, principalmente, na atenção básica, ambiente no qual o enfermeiro possui autonomia regulamentada em lei para prestar o cuidado pré-natal qualificado, estando atento à garantia da continuidade da assistência e, com isso, a identificação de comorbidades que possam vir a colocar em risco a saúde da mulher.

Vale ressaltar que foram encontrados poucos estudos referentes à mortalidade materna na Bahia e em Salvador, o que reforça a importância de maior produção científica voltada para essa temática.

Leia o ARTIGO CIENTÍFICO  

 

Referências:

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