podcast do isaúde brasil

Publicada em 17/07/2019 às 09h59. Atualizada em 17/07/2019 às 11h35

O poder de cura das Danças Circulares Sagradas

Elas já fazem parte do rol de Práticas Integrativas Complementares do Ministério da Saúde. Conheça essa terapêutica.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
Compartilhe

O movimento intitulado Danças Circulares Sagradas surgiu com o coreógrafo alemão-polonês Bernhard Wosien que ao visitar, em 1976, a comunidade de Findhorn, no norte da Escócia, ensinou, pela primeira vez, uma coletânea de danças folclóricas para os residentes.

Depois desse episódio até os dias atuais, é marcante a expansão dessas danças que chegaram ao Brasil na década de 1990 e se espalharam com a formação de rodas em parques, escolas, universidades, hospitais, empresas e instituições.

Segundo a terapeuta em Danças Circulares Sagradas e professora do curso de Biomedicina da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Milene Salomão, "os benefícios (das Danças Circulares Sagradas) são inúmeros e não só o corpo é englobado. Favorece um equilíbrio entre o corpo físico, mental e espiritual. Pode-se dizer, inclusive, que é uma meditação em movimento". Acompanhe o bate-papo do iSaúde com a terapeuta.

iSaúde Brasil - O que é Dança Circular e qual a sua origem?

Milene Salomão – Danças Circulares é um movimento que nasceu com o coreógrafo e dançarino clássico, nascido na Polônia/ Alemanha, Bernhard Wosien. Por meio das danças tradicionais, muitos povos celebravam nascimentos, casamentos, época de colheita e vários outros rituais que eram importantes para determinadas comunidades. 

As Danças Circulares Sagradas ganharam notoriedade no mundo quando o Bernhard Wosien foi ensiná-las na comunidade de Findhorn, na Escócia. Isso foi tão determinante para a divulgação dessa prática que se considera o Bernhard Wosien como o “pai” das Danças Circulares e Findhon representando a “mãe”.

Essas danças resgatam práticas ancestrais de povos e nações de várias partes do planeta, mas é importante ressaltar que, atualmente, englobam-se algumas danças contemporâneas também. 

iSaúde Brasil – Quais os benefícios da Dança Circular para o corpo?

Milene Salomão – Os benefícios são inúmeros e não só o corpo é envolvido. Favorece um equilíbrio entre o corpo físico, mental e espiritual. Pode-se dizer, inclusive, que é uma meditação em movimento. Além disso, auxilia a combater estresse e depressão. A prática das Danças Circulares Sagradas encoraja as pessoas a ocuparem o seu lugar e o seu espaço, estimula flexibilidade, autoconfiança, autoconhecimento, autoestima, ajuda a transmutar medos, angústias e ansiedade. Dançando, podemos favorecer a alegria, espontaneidade, leveza, serenidade, beleza, paz e amorosidade diante da vida. Pode-se utilizar essa prática corporal para harmonização de grupos antes e depois de praticar suas tarefas cotidianas, facilitando o trabalho em conjunto, respeitando a individualidade de cada participante, desenvolvendo o apoio mútuo, a cooperação, a comunhão e integração dos participantes. Essas são algumas das possibilidades, existem outras mais.

"Dançando, podemos favorecer a alegria, espontaneidade, leveza, serenidade, beleza, paz e amorosidade diante da vida."

iSaúde Brasil – Como a Dança Circular auxilia na melhoria da memória e concentração?

Milene Salomão – A prática sistemática das Danças Circulares Sagradas é um dos inúmeros recursos que podemos utilizar para proporcionar um evento fisiológico muito importante: a neuroplasticidade. Dançando, podemos melhorar nossa capacidade de perceber melhor o ambiente (interno e externo), a intuição, a autodisciplina, atenção e o centramento. Essa modalidade integrativa e complementar de cuidado com a saúde imprime musicalidade e ritmo para a vida cotidiana, estimulando o indivíduo a expressar o que tem de melhor em si, beneficiando, entre outras coisas, a memória e a capacidade de concentração. 

iSaúde Brasil – A Dança Circular utiliza simbologia de diferentes povos durante a prática. Quais simbologias são usadas e como isso ajuda o indivíduo no processo de autoconhecimento?

"Quanto mais pudermos desenvolver e praticar recursos terapêuticos que auxiliam esse “olhar interior”, mais entraremos em contato com a nossa verdadeira essência..."

Milene Salomão – A linguagem, pro meio de “símbolos”, apresenta um importante mecanismo de conexão entre nosso inconsciente e o mundo à nossa volta. Os símbolos nos estimulam a entrar em contato com nossa psique, conforme os grandes pioneiros da psicologia, Carl Jung e Sigmund Freud nos ajudaram a interpretar. 

Trazendo as simbologias para as Danças Circulares, poderemos perceber as diversas formas trabalhadas, a exemplo de cruzes, triângulos, quadrados, estrelas, um ponto central e a inegável força do círculo. O círculo é um poderoso símbolo de unidade e totalidade. Essa forma geométrica não apresenta início nem meio nem fim, mas todos os pontos são importantes. No círculo, não há hierarquias, e as danças circulares unem os participantes em função da roda.

Quanto mais pudermos desenvolver e praticar recursos terapêuticos que auxiliam esse “olhar interior”, mais entraremos em contato com a nossa verdadeira essência, com aquilo que verdadeiramente somos, mais seremos envolvidos pela real necessidade de autocuidado, autoaceitação, busca de mudanças de hábitos etc., favorecendo maior qualidade de vida, mais alegria e prazer em viver. 

iSaúde Brasil – A DC é reconhecida como Prática Integrativa e Complementar pelo Ministério da Saúde. É possível encontrar essa atividade no SUS?

Milene Salomão – Sim, mas ainda de forma muito pontual. Com o tempo, acredito fielmente, que não só as Danças Circulares, mas diversas outras modalidades terapêuticas no campo das PICS, serão ofertadas de uma forma muito mais aberta e acessível a todos que buscam novas modalidades para cuidar da saúde de forma integral (corpo, mente e espírito). Os dois sistemas de cuidado, a medicina complementar e integrativa e a medicina convencional, não precisam entrar em conflito, mas sim promover uma integração harmônica, usando os melhores recursos que cada um oferece. Isso é uma questão de tempo.

iSaúde Brasil – Pessoas que apresentam algum tipo de limitação de mobilidade podem participar das DCs?

Milene Salomão – Sim. O que realmente importa nas DCs não é a técnica em si, mas sim a experiência coletiva de criação, o sentimento de união, o espírito comunitário etc. No círculo, todos se ajudam mutuamente e uma verdadeira “mágica” acontece quando nos entregamos à força da roda.

iSaúde Brasil – Como as DCs atuam voltadas para idosos?

Milene Salomão – Durante a prática das DCs, aspectos físicos (lateralidade, ritmo, consciência corporal etc.) são trazidos para todos os seus praticantes, inclusive para os idosos. A flexibilidade mental e emocional favorece o autoconhecimento, acalma a mente e enriquece o senso de integração e colaboração entre todos que participam da roda. Tornam-se mais ativos, mais felizes e dispostos para a vida, relatam sentir menos limitações no dia a dia, mais vigor e melhor funcionamento físico, entre outros inúmeros benefícios já citados anteriormente.

iSaúde Brasil – Quais doenças as DCs ajudam na recuperação?

Milene Salomão – São inúmeras possibilidades... Falando de uma forma mais abrangente, as DCs são recursos poderosos de áreas terapêuticas que apresentam sólidas ligações com corpo, mente, emoções e espírito. São uma importante ferramenta para pessoas que sofrem de ansiedade, depressão, por exemplo. Desde 1973, o Peter Albright já dizia que “a dança é mais natural para os que possuem uma estrutura corporal forte e esguia e propensão à boa coordenação, mas como terapia, a dança e o movimento estão disponíveis e são úteis para todos sem distinção. Quando o tato e a sinestesia estão envolvidos, ela se torna muito útil para pessoas cujos movimentos e coordenação foram prejudicados devido a danos no sistema nervoso. Além disso, a dança e o movimento são úteis ao desenvolvimento do equilíbrio e coordenação, da autoconfiança e da consciência do corpo. Quando realizada até seus limites máximos, a dança como arte proporciona ao dançarino e aos que participam dela uma experiência espiritual sublime”.

Compartilhe

Saiba Mais