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Publicada em 22/09/2020 às 05h57. Atualizada em 29/09/2020 às 09h01

O que propõe a Política Nacional de Humanização (PNH) sobre o acolhimento da família de pacientes em UTI?

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A Política Nacional de Humanização (PNH) propõe mudanças na gestão e prática de saúde, com estratégias de humanização direcionadas para o atendimento digno. Produz novas maneiras de executar o cuidado, o que reflete na relação positiva entre usuário e profissional, possibilitando a promoção da saúde.

É preciso que os profissionais da saúde e, sobretudo o enfermeiro, invistam nas ações de cuidado, interesse, consideração e sensibilidade na relação com o doente e seus familiares. Pois, essa interação gera bem-estar e conforto, minimizando esse momento difícil e desgostoso para ambos.

A UTI em si, é um ambiente temido e assustador, onde os pacientes convivem na dependência de equipamentos tecnológicos, isolamento social, rotinas rigorosas, situações de emergência, risco de morte, dentre outros. São, muitas vezes, considerados lugares mais complexos e estressantes que os familiares de pacientes internados vivem.

Para alguns pacientes e familiares representa um lugar de esperança, segurança e chance de sobrevivência, por dispor de aparelhagem sofisticada e presença constante de uma equipe especializada. A relação enfermagem e família deve ter por objetivo o seu bem-estar, fazendo com que visualizem na equipe as possibilidades de ajuda, suporte e uma relação de confiança e auxílio.

Além das competências específicas que envolvem o saber técnico-científico de cada profissional ali comprometido, é indispensável o desenvolvimento e o domínio com vistas a humanização e a individualização do cuidado para uma assistência de melhor qualidade e uma pratica assistencial considerando o paciente e seus familiares seres humanos com sentimentos, ansiedades e opiniões, e não apenas como um objeto de trabalho.

O ato de acolher é um caminho para os profissionais que desejam o resgate do cuidado humanístico na saúde, visando uma melhora na qualidade do tratamento, bem como a satisfação do paciente e da família. Às vezes uma simples escuta qualificada demonstra que é possível fazer diferente o trabalho e incluir o familiar como cliente da enfermagem, reforçando ser possível o envolvimento da relação sujeito-sujeito.

Um estudo realizado em uma UTI do Sul do Brasil constatou que os cuidados oferecidos aos familiares como: informação da aparelhagem que o cerca, condições do paciente, orientação do poder tocar ou não no paciente, tempo de visita e flexibilidade da mesma, são necessidades sentidas pela família de pacientes internados em UTI que proporcionaram imensa satisfação.

A essência do cuidar humano é atendida e compreendida somente vendo, escutando e sentindo o doente e a família com um todo. Sentir-se acolhido para alguns familiares é ter atenção e apoio dos profissionais, é perguntar e encontrar a resposta, mesmo que aquela seja resumida ou não seja a resposta desejada.

O cuidado ético é cuidado humanizado, representa troca, suporte, segurança, preocupação, confiança, é estar presente, é ser solidário, é responder ao chamado, é diálogo. Pois, acolher não tem nada a ver com espaço físico, mas sim, com uma postura profissional que implica positivamente no compartilhamento de saberes e envolvimento da equipe como um todo encarregada na escuta e resolução dos problemas em pauta.

 

Leia a primeira parte do artigo: A importância do acolhimento da família na unidade de terapia intensiva 

Leia a terceira parte do artigo: As estratégias para aplicabilidade da humanização do cuidado em UTIs

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