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Publicada em 17/07/2019 às 10h52. Atualizada em 17/07/2019 às 11h25

O que são moscas volantes?

Esse efeito na visão é mais comum depois dos 45 anos de idade, mas, na grande maioria dos casos, não acarreta maiores problemas para a saúde ocular. Saiba mais.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Registrado, na Roma Antiga, como muscae volitantes, as moscas volantes são um fenômeno reconhecido por manchas na visão e, em alguns casos, decorrem de refração como a miopia, em pacientes submetidos à cirurgia de catarata, na aplicação de laser YAG depois da cirurgia de catarata e naqueles que sofreram algum tipo de inflamação ocular. Para saber mais sobre o assunto, o iSaúde Brasil conversou com a médica oftalmologista e professora do curso de Medicina da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Dayse Cury. Confira!

iSaúde Brasil – Muitas pessoas relatam perceber manchas escuras ou “mosquinhas” flutuantes na visão. O que são as famosas moscas volantes?

Dayse Cury – Moscas volantes são minúsculos grumos de gel ou células dentro do corpo vítreo (fluido de consistência gelatinosa que preenche o globo ocular). Aparecem na visão como pequenos pontos escuros, manchas, filamentos, círculos ou teias de aranha que parecem mover-se. Pode acometer um ou ambos os olhos. São percebidas mais facilmente durante a leitura ou quando se olha fixamente para uma parede vazia. 

A denominação moscas volantes vem do latim. Há mais de dois mil anos, na Roma Antiga, as pessoas já usavam a expressão "muscae volitantes" para descrever esse problema oftalmológico.

iSaúde Brasil – Por que isso acontece?

Dayse Cury – Com o processo natural de envelhecimento, o corpo vítreo do olho tende a se contrair, podendo se separar da retina em alguns pontos. É esse descolamento que costuma causar as moscas volantes.

O descolamento do vítreo posterior ocorre com maior frequência depois dos 45 anos, nas pessoas míopes, nos pacientes submetidos à cirurgia de catarata, na aplicação de laser YAG depois da cirurgia de catarata e naqueles que sofreram algum tipo de inflamação ocular.

As moscas volantes causam sombras que são projetadas sobre a retina (camada do fundo de olho que percebe a luz e envia o estímulo luminoso até o cérebro). Elas dão a impressão de que as moscas volantes estão diante do olho, mas, na verdade, elas estão flutuando dentro dele. 

iSaúde Brasil – É verdade que o estresse pode causar esse problema?

Dayse Cury – Na maioria dos casos, as moscas volantes são consideradas circunstâncias normais e seguras, que não comprometem a visão.

Com frequência, o paciente sente aflição, pois as manchas podem aparecer e logo desaparecer, dependendo da luz de fundo. Esse estado também pode se exacerbar em função de fadiga ou situações de estresse e ansiedade. No entanto, com o passar do tempo, a maioria das pessoas se adapta sem dificuldades.

iSaúde Brasil – Estimular a visão periférica pode ajudar a prevenir o problema? Como isso deve ser feito?

Dayse Cury – As moscas volantes podem atrapalhar a clareza da visão, o que pode ser bastante desconfortável, especialmente quando se está lendo, mas não ocasionarão nenhum problema de maior gravidade. Nesses casos, movimentar os olhos, olhando para cima e para baixo, pode ajudar a afastar as moscas volantes do campo de visão que, com o passar do tempo, deixarão de ser tão perceptíveis.

iSaúde Brasil –  Esse quadro pode se agravar? Existe alguma relação com o descolamento da retina?

Dayse Cury – Geralmente as moscas volantes não estão relacionadas a um problema sério e não são necessários tratamentos. Elas tornam-se mais frequentes à medida que envelhecemos. O seu aparecimento pode causar certa apreensão, sobretudo se surgem de repente, entretanto, nem todas as moscas volantes são graves. Elas podem ser também um sintoma de rasgo na retina e, nesses casos, o paciente deve ser encaminhado para tratamento, a fim de evitar o descolamento da retina, o que pode ocasionar cegueira. 

iSaúde Brasil – Quando essa situação deixa de ser comum e requer a ida a um oftalmologista? 

Dayse Cury – Ocorrendo a percepção de mosca volante, mesmo que única, de clarões no campo de visão ou a perda da visão lateral, o caso deve ser investigado o mais rápido possível por meio de um exame com o oftalmologista.

Referências:

Conselho Brasileiro de Oftalmologia

Instituto Panamericano da Visão

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