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Publicada em 13/04/2020 às 06h12. Atualizada em 13/04/2020 às 06h33

O que você entende por SARS?

Entenda a gravidade do COVID-19 e sua relação com as síndromes respiratórias graves.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Covid-19 ou Sars Cov 2? Ainda é comum encontrar pessoas que fazem confusão entre as duas viroses, ainda que a Covid-19 também esteja sendo chamada de novo coronavírus. Além de identificar uma doença, a nomenclatura segue diretrizes internacionais que orientam evitar informações descontextualizadas, que possam gerar violência e preconceito.

Apesar disso, não temos conseguido evitar fake news e comentários preconceituosos, mesmo por parte de autoridades brasileiras.  A informação é, e sempre foi, um bem precioso, ainda mais nos dias atuais. O direito à liberdade de expressão e a livre manifestação do pensamento, bem como o direito constitucional ao exercício da atividade de imprensa exigem responsabilidades, não são absolutos e não podem servir de mantas protetoras aos profissionais e cidadãos, em caso de divulgação e compartilhamento de notícias falsas deliberadas. 

Creio que a simples maldade (A banalidade do mal, de Hanna Arendt), move os indivíduos a disseminar as fake news. A desinformação geradas dessa forma pode proporcionar efeitos deletérios, desde causar pânico social, desgastes políticos, calúnias, injúrias e culminar até em guerras entre países    

Os coronavírus, uma grande família de vírus (CoV) foram detectados desde a década de 1960, causando resfriados simples de baixa morbi-mortalidade. Alguns coronavírus, por sua vez, podem causar síndromes respiratórias graves, como a síndrome respiratória aguda grave que ficou conhecida pela sigla SARS, do inglês “Severe Acute Respiratory Syndrome”. SARS é causada pelo coronavírus associado a ela (SARS-CoV), sendo os primeiros relatos na China, em 2002. 

O SARS-CoV se disseminou rapidamente para mais de doze países na América do Norte, América do Sul, Europa e Ásia, infectando mais de 8 mil pessoas e causando cerca de 800 mortes, antes da epidemia global de SARS ser controlada, em 2003. Desde 2004, nenhum caso de SARS tem sido relatado mundialmente. Em 2012, foi isolado outro coronavírus, distinto daquele que causou a SARS no começo da década passada. Este outro coronavírus era desconhecido como agente de doença humana até a sua identificação, inicialmente na Arábia Saudita e, posteriormente, em outros países do Oriente Médio, na Europa e na África. 

Todos os casos identificados fora da Península Arábica tinham histórico de viagem ou contato recente com viajantes procedentes de países do Oriente Médio – Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes e Jordânia. Pela localização dos casos, a doença passou a ser designada como síndrome respiratória do Oriente Médio, cuja sigla é MERS, do inglês “Middle East Respiratory Syndrome” e o novo vírus nomeado coronavírus associado à MERS (MERS-CoV).    

Em 31 de dezembro de 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi alertada sobre vários casos de pneumonia na cidade de Wuhan, província de Hubei, na China. Em 7 de janeiro de 2020, as autoridades chinesas confirmaram que a causa seria um novo tipo de vírus, de uma família denominada de Coronavírus. Os Coronavírus incluem vírus já existentes no Brasil  – capazes de causar um resfriado comum - mas também vírus como SARS e MERS. É justamente por já existirem outros coronavírus que o causador da atual crise é chamado de "novo coronavírus". 

"Em 31 de dezembro de 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi alertada sobre vários casos de pneumonia na cidade de Wuhan, província de Hubei, na China. Em 7 de janeiro de 2020, as autoridades chinesas confirmaram que a causa seria um novo tipo de vírus, de uma família denominada de Coronavírus."

SARS-COV-2: é o nome oficial do vírus que atinge o mundo em 2020. Foi escolhido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para facilitar a identificação em estudos científicos e também a divulgação na imprensa, além de evitar confusões com outros vírus da mesma família.

COVID-19: É o nome oficial da doença causada pelo novo coronavírus, também escolhido pela OMS. Ou seja: quem está com os sintomas principais como tosse, febre, dificuldade para respirar, pode estar com a Covid-19, doença causada pelo Sars-Cov-2. 

Co: corona, VI: vírus, D: doença, 19: ano em que surgiu -> COVID-19 

"A gravidade do Covid-19 exige que o assunto seja tratado com extrema seriedade por todos. Se as autoridades minimizam a questão, uma das consequências imediatas é que a população também o faça..."

A gravidade do Covid-19 exige que o assunto seja tratado com extrema seriedade por todos. Se as autoridades minimizam a questão, uma das consequências imediatas é que a população também o faça,  o que expõe principalmente os grupos de risco (idosos, portadores de comorbidades), podendo levá-los à morte.  Algumas pessoas infectadas pelo vírus podem não apresentar sintomas ou apresentar sintomas leves. A maioria dos infectados (cerca de 80% ou mais) se recupera da doença sem precisar de tratamento especial. Entretanto, uma em cada seis pessoas com Covid-19 pode desenvolver a forma mais grave. 

O tempo de recuperação varia e, para pessoas que não estão gravemente doentes, pode ser semelhante ao período de duração de uma gripe comum. Pessoas que desenvolvem pneumonia podem levar mais tempo para se recuperar (dias a semanas). Pessoas idosas (principalmente acima de 70 anos) e as que apresentam doenças crônicas, como pressão alta, doenças respiratórias crônicas, problemas cardíacos, diabetes, problemas renais e pessoas com o sistema imunológico comprometido, como as que estão em tratamento para câncer  têm maior probabilidade de desenvolver doença respiratória mais grave e até ir à óbito.    

O isolamento é uma estratégia de contenção do vírus. Ele é aplicado quando há recomendação para ficar em casa e restringir atividades sociais. O Ministério da Saúde recomenda o isolamento para pessoas classificadas como casos suspeitos, confirmados ou prováveis (quando há contato íntimo com um infectado).  Esta proposta visa evitar a quebra do sistema de saúde e poder ofertar as condições de tratamento de forma gradativa aos que adoecerem. 

É necessário que cerca de 70% da população já tenha sido infectada e curada (ou vacinada), para definir-se o fim da pandemia. Segundo dados epidemiológicos de outros países, principalmente da China, a previsão é que a crise mais intensa, com isolamento total das cidades, perdure por 2-3 meses. A perspectiva é atingir o pico da pandemia, no Brasil, em abril, mas não se sabe até onde vai chegar. É bom deixar claro que ninguém consegue fazer previsões com precisão matemática. A chegada da vacina para toda a população não acontecerá em menos de 18 meses. 

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